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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Reprodução sexuada em Leishmania: avanços e descobertas

A leishmaniose constitui um espectro de doenças causadas por protozoários do gênero Leishmania, que compreende várias espécies, responsáveis por diferentes formas da doença. Trata-se de uma doença transmitida por fleblotomíneos dos gêneros Phlebotomus, presentes no Velho Mundo, e Lutysomyia presentes no Novo Mundo. Estima-se que 350 milhões de pessoas correm risco de contrair a doença, sendo registrado cerca de 2,5 milhões de novos casos por ano em todo o mundo. Numerosos estudos na biologia celular e molecular, bem como avanços na genética evolutiva de parasitos do gênero Leishmania tem sido realizados desde 1990. Contudo, o modo de reprodução desses parasitos não está claro. Duas grandes teorias são postuladas: teoria clonal versus teoria sexual.

Durantes muitos anos, a reprodução sexuada foi defendida como o principal mecanismo de reprodução presente em parasitos do gênero Leishmania. Desde 1990, Tibayrenc et al. propôs a teoria clonal para todas ou a maioria das espécies de Leishmania. Esta teoria foi baseada principalmente no conceito de que a prole era geneticamente idêntica aos seus progenitores. Por outro lado, trabalhos têm identificado cepas de Leishmania, ocorrendo naturalmente, que compartilham marcadores genéticos de duas espécies conhecidas, fornecendo assim evidências circunstanciais para a recombinação sexual.

Após 20 anos de tentativas em observar a reprodução sexuada desses parasitos in vitro, nunca tendo evidências concretas de que tal poderia se quer ocorrer, foi descoberto que a chave para tal fenômeno não estava em monitorizar a reprodução in vitro, mas no aparelho digestivo dos insetos vetores. Um recente estudo experimental demonstrou troca de material genético entre duas cepas de L. major dentro do seu hospedeiro vetor. Usando cepas de Leishmania transgênicas resistentes a diferentes drogas seletivas, os autores conseguiram isolar parasitos resistentes a ambas as drogas após a infecção natural dos insetos. Dessa forma, os autores propuseram que a recombinação gênica entre esses parasitos ocorre somente no inseto vetor e que uma progênie híbrida pode ser transmitida para o hospedeiro vertebrado pelos insetos. Além disso, outro trabalho, utilizando isolados humanos de L. braziliensis e estudos de genética de população, demonstrou que havia uma forte homozigose entre as progênies, uma observação que é incompatível com o modo de reprodução predominantemente clonal em uma escala de tempo ecológica (20-500 gerações). Foi então sugerido que L. braziliensis pode alternar entre diferentes modos de reprodução: reprodução clonal tanto no hospedeiro vertebrado quanto no inseto vetor e reprodução sexuada dentro do inseto vetor.

Pela primeira vez estudos fornecem evidências diretas e experimentais da existência de troca gênica entre parasitos do gênero Leishmania. Com o avanço nos estudos da biologia desses parasitos poderemos obter um maior conhecimento sobre a estrutura populacional e a estratégia reprodutiva desses patógenos fornecendo assim informações importantes para a compreensão dos padrões de transmissão e informações indispensáveis para o diagnóstico e epidemiologia bem como para o desenvolvimento de novas vacinas e drogas.

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Referências

Rougeron V, Meeûs TD, Ouraga SK, Hide M, Bañuls AL. (2010). ‘‘Everything You Always Wanted to Know about Sex (but Were Afraid to Ask)’’ in Leishmania after Two Decades of Laboratory and Field Analyses. Plos Pathogens 6: 1-5.

Akopyants NS, Kimblin N, Secundino N, Patrick R, Peters N, Lawyer P, Dobson DE, Beverley SM, Sacks DL. (2009). Demonstration of genetic exchange during cyclical development of Leishmania in the sand fly vector. Science 324: 265–268.

Rougeron V, Meeûs TD, Hide M, Waleckx E, Bermudez H, et al. (2009). Extreme inbreeding in Leishmania braziliensis. Proc Natl Acad Sci U S A 106: 10224–10229.

Post de Djalma Lima Júnior

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2 comentários:

  1. Luiz Gustavo Gardinassi27 de dezembro de 2011 23:01

    Muito bom o post Djalma, essas evidências de reprodução sexuada de leishmanias mostram claramente que quando pensamos que algo está definido, sempre podemos avançar mais no conhecimento científico e consequentemente nos benefícios gerados por ele.

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  2. Durante o processo de alimentação do flebotomíneo é que ocorre a transmissão do parasito. Na tentativa da ingestão do sangue, as formas promastígotas metacíclicas são introduzidas no local da picada. Dentro de quatro a oito horas, estes flagelados são interiorizados pelos macrófagos teciduais. A saliva do flebotomíneo possui neuropeptídeos vasodilatadores que atuam facilitando a alimentação do inseto e ao mesmo tempo imunossuprimindo a resposta do hospedeiro vertebrado. O parasito é fagocitado pelos macrófagos e envolto pelo vacúolo fagocitário. Rapidamente as formas promastígotas se transformam em amastígotas que são encontradas 24 horas após a fagocitose. Dentro do vacúolo fagocitário, as amastígotas estão adaptadas ao novo meio fisiológico e resistem a ação destruidora dos lisossomas, multiplicando-se por divisão binária até ocupar todo o citoplasma. Esgotando-se a resistência celular, a membrana do macrófago se rompe liberando as amastígotas no tecido, sendo novamente fagocitadas, iniciando no local uma reação inflamatória. preguntar a doctores por internet preguntas medicas por internet chatear medicos por internet preguntar veterinarios por internet consultas derecho y leyes por internet consultas veterinaria por internet preguntas psicología y psiquiatría por internet preguntas derecho y leyes por internet preguntar a medicos por internet consultar abogados por internet

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