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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

ImunoBúzios 2014 - Chamada para o VIII Simpósio Sul de Imunologia

Panorâmica do Lago Igapó em HDR, Londrina, Paraná, Brasil.  http://www.panoramio.com/photo/93002499l.


A programação do VIII SSI contará com a participação de 24 pesquisadores brasileiros e dois estrangeiros que realizam pesquisa na área de Imunologia, 13 pesquisadores são provenientes dos estados do Sul.
 
Imunologia do amanhã é um espaço especialmente destinado para apresentação dos estudantes de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. A edição de 2015 também ofereça 4 minicursos com o objetivo de atualização em imunologia e treinamento de estudantes em técnicas gerais de citometria (BD), luminescência (Sistema Luminex – Life), neuroimunologia e imunoestresse. 
 
Com o objetivo de estimular ainda mais as interações científicas e trocas de experiências entre todos os participantes do VIII SSI, teremos durante a apresentação dos posters as mesas tutoriais pesquisador-aluno e lanches com o pesquisador para consolidação do conhecimento e discussões mais aprofundadas com um menor número de indivíduos. Essas duas últimas atividades são um sucesso e marca registrada do evento!
 
Venha que será um barato!




Pesquisadores Participantes dos Tutorias Pesquisador-Aluno confirmados:
Dr. Manuel Barral Neto, Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz, Salvador, Bahia.
Dr. João Santana da Silva, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), São Paulo.
Dr. João Paulo de Biaso Viola, Instituto Nacional de Câncer (INCA), Rio de Janeiro.
Dr. Marcelo T. Bozza, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
Dr. Felipe Dal Pizzol, Universidade do Extremo Sul Catarinense.
Dr. Dario Zamboni (Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Brasil)
Dr. André Bafica, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
Dr. Gustavo M. Amarantes, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo.
Dra. Cristina Bonorino, Pontifícia Universidade Católica do RS, PUC/RS.
Dr. Waldiceu Verri Junior, Universidade Estadual de Londrina (UEL), PR.
Dr. Moisés Bauer, Pontifícia Universidade Católica do RS, PUC/RS.
Dr. Anderson de Sá Nunes, Universidade de São Paulo, São Paulo.
Dr. Juliano Bordignon, Instituto Carlos Chagas, ICC/PR.
Dra. Pryscilla Fanini Wowk, Instituto Carlos Chagas, ICC/PR.
Dra. Maria Valdrinez C. Lonardoni, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá, PR.
Dr. Wander Rogério Pavanelli, Universidade Estadual de Londrina (UEL), PR.
Dr. Fábio Henrique Kwaswiewski, Universidade Estadual de Londrina (UEL), PR.
Dr. Phileno Pinge Filho,Universidade Estadual de Londrina (UEL), PR.
 
Pesquisadores Palestrantes estrangeiros confirmados:
 
Dr. Isaac Chiu, Harvard University, USA. The role of neuron-bacteria molecular interactions in pain and host defense.
 
Dr. Cory M. Hogaboam, Michigan University, USA.
 
 
Pesquisadores Palestrantes brasileiros confirmados
 
Dra. Karina Bortuluci, USP, SP.
Dra. Pryscilla Fanini Wowk, Instituto Carlos Chagas, ICC/PR.
Dr. José Artur Bogo Chies, UFRS, RS.
Dra. Maria Valdrinez C. Lonardoni, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá, PR.
Dra. Andressa Freitas, UEL, PR. Mecanismos envolvidos na eferocitose e implicações na resolução do processo inflamatório
Dr. Felipe Dal Pizzol, Universidade do Extremo Sul Catarinense.
Dr. José Carlos Alves Filho, USP, RP. The role of indoleamine 2,3-dioxygenase (IDO) pathway in sepsis-induced immunosuppression
Dra. Cristina Bonorino, Pontifícia Universidade Católica do RS, PUC/RS.
Dr. Marcelo T. Bozza, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
 
 
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terça-feira, 21 de outubro de 2014

ImmunoBúzios 2014 (October 21st 2014)

The Pro-Tumorigenic Role of IL-17 by Dr. João Santana Silva (SP)





Inhibition of Non-Canonical Activation of the Inflammasome by Intracellular Pathogens 
by Dr. Dario Zamboni (SP)




Fotos de Renata Baptista-dos-Reis (Mestranda do Programa de Imunologia e Inflamação - UFRJ)

Regulatrix


Como um tema dominante na imunologia atual o significado do verbo “regular” tem sido pouco discutido e, usualmente, o termo imuno-regulação é utilizado sem nenhuma compreensão profunda do que ele significa. 
Nos anos 1950, em palestras de divulgação pelo rádio na BBC, o famoso neurobiólogo britânico J.Z. Young, sumarizou o pensamento medieval sobre os “humores” que determinavam o “temperamento” do indivíduo: a bile negra, a bile amarela, o sangue e o fleugma, ou pituita. O conceito de “regulação” - o equilíbrio entre os humores - era dominante nesta concepção. Assim como o a “regulação” na imunologia moderna; a doença era um desequilíbrio entre as qualidades determinadas pelos humores. Eis aqui um trecho do texto de J.Z.Young: 
Para nós, hoje em dia, é natural falarmos do corpo como algo que tem uma estrutura e funções, como usualmente nos referimos a ele. Para o homem do século XVI, não habituado às máquinas, o corpo era composto dos 4 elementos: terra, ar, fogo e água. Cada um destes elementos colaborava para o temperamento do indivíduo, dando as “qualidades” de umidade, secura, calor e frio. A doença era um desequilíbrio destas qualidades naturais. No corpo, 4 humores representavam as qualidades. A bile negra, ou melancolia era armazenada no baço e equivalia à terra. O sangue era equivalente ao ar, e a bile amarela, ou cólera, ao fígado. O fleugma, ou pituita do nariz, supostamente secretada pelo cérebro, equivalia à água.
O corpo era fabricado por um mecanismo similar ao usado na cozinha. Uma primeira fase, no estômago, transformava o alimento em quilo. Em seguida, o fígado convertia o quilo em sangue. Numa terceira etapa, o sangue era convertido em carne. A alma estava muito mais dispersa neste sistema de humores do que hoje a imaginamos. Cada parte do corpo tinha uma parte da alma e devia a ela suas propriedades e sentimentos capazes, por exemplo, de atrair para ela certos componentes do sangue. Cada uma das mudanças ocorridas no corpo era obra de uma pessoinha como nós - um homúnculo. A vesícula, dizia Jean Fernel - o criador do termo Fisiologia - tem afinidade pela bile amarela, se satisfaz e tem prazer em atraí-la. 
Mais de um século se passou antes que comparações do corpo com máquinas fossem levadas mais a sério. René Descartes, por exemplo, comparava o sistema nervoso a um relógio, mas fez poucas observações pessoais de Biologia. William Harvey é um exemplo mais adequado do emprego de métodos quantitativos (matemáticos) ao estudo do corpo. Seu relato sobre a circulação, comparando o coração a uma bomba, foi publicado em 1628. Para unir as artérias às veias, Harvey teve que inventar o invisível e propor a existência de vasos tão finos que escapavam à visão desarmada - os capilares. Cerca de 30 anos mais tarde, com o aperfeiçoamento do microscópio, Malpighi, na Itália, viu pela primeira vez os capilares.
Hoje em dia estamos assistindo ao colapso da comparação do corpo a uma máquina - pelo menos a uma máquina como usualmente definida, como algo construído por nós, que existe como algo sólido e está ali, pronta para ser usada. Até aqui temos nos aproximado dos seres vivos com a pergunta “O que é isso?” e, com a invasão das idéias dos químicos, quase sempre isto significa “De que isso é feito?”. Agora precisamos perguntar: “Como isso chegou a ser o que é?” e “Como se mantém sendo o que é, quando é tão improvável que isto ocorra?”. (Young, 1960)

A noção de “harmonia”, que o equilíbrio entre os quatro humores nos aponta, é uma noção central no pensamento humano, importante desde a cosmologia até a música e à matemática. Não espanta, portanto, o fascínio que a noção de “regulação” exerce sobre os imunologistas modernos, mesmo sem atentar para suas raízes históricas. No entanto, entender a regulação como a instauração e manutenção da normalidade, é entendê-la como um princípio explicativo que oculta aquilo que supostamente explica. Porque a normalidade é a ausência do estranho, daquilo que desperta nossa atenção, daquilo que efetivamente enxergamos, que enquadramos. Usualmente não atentamos para o que é “normal”; o noticiário ressalta o anormal, o estranho. Nossos mecanismos básicos de distinguir fenômenos e objetos dependem da detecção de diferenças, não no fluir inalterado da normalidade. 
Na melhor das hipóteses, entender a regulação como a recuperação e a manutenção da normalidade é um adiamento do problema de entender a estabilidade dinâmica da atividade imunológica, sua organização, aquilo que ela tem de invariante; entender como se conserva aquilo que se conserva em meio a tudo aquilo que varia na atividade imunológica (Vaz et al., 2011). Na pior das hipóteses, isto nos leva a supor que já entendemos o que se passa e a desviar nossa atenção para ouros problemas.
Bibliografia
Vaz , N. M., et al. (2011). Onde está o organismo? - Derivas e outras histórias na Biologia e na Imunologia. Florianópolis, editora-UFSC.
Young, J.Z.(1960) In “Doubt and Certainty in Science"

Oxford, Oxford Univ Press Pag 145-146.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Keynote Conference - Richard Flavell (ImmunoBúzios 2014 - 20/10/14)


Inflammasomes in Dysbiosis and Disease



Fotos de Renata Baptista-dos-Reis

Macrófagos M2 usam a via lisossomal para mobilizar ácidos graxos




Os macrófagos são essenciais para a imunidade e podem adotar perfis diferentes dependendo do microambiente. A ativação clássica dos macrófagos (M1) depende principalmente do IFNγ em combinação com TNF, e da ativação de STAT 1. Enquanto a ativação alternativa dos macrófagos (M2) depende principalmente de IL-4 e IL-13 e da regulação de STAT 6. Os macrófagos M1 são inflamatórios e possuem um importante papel contra patógenos intracelulares e tumores. Os macrófagos M2 promovem a reparação tecidual, homeostase, prevenção da aterosclerose e são importantes na imunidade a helmintos (1, 2). 
O estudo dos macrófagos M2 foi retratado mês passado neste blog, mostrando que células tumorais polariza-os através da produção do ácido láctico (aqui) e há poucos dias foi demonstrado o espectro de diferenciação dos macrófagos (aqui), e mais uma vez neste blog iremos abordar como sugestão de leitura a polarização dessas células.
A polarização dos macrófagos M2 é dependente da oxidação de ácidos graxos (FAO - fatty acid oxidation), onde estas células utilizam a FAO para o metabolismo oxidativo mitocondrial. A fonte destes ácidos graxos até então não estava clara, até a publicação neste mês na Nature Immunology (3), onde verificaram que a captação de triacilglicerol através de sua lipólise pela lipase ácida lisossomal (LAL) e do receptor scavenger CD36 (Receptor para a endocitose de partículas ricas em triagliceróis como LDL e VLDL; este receptor é induzido em macrófagos pela IL-4), foram essenciais para a ativação dos macrófagos M2. Com isso, aumentou a fosforilação oxidativa, prolongando a sobrevida e expressão de genes destes macrófagos. A inibição da lipólise bloqueou a resposta protetora a parasitos helmínticos (H. polygyrus) no modelo em camundongos C57BL6. Sugerindo que a captação e lipólise dos triacilgliceróis poderiam servir para gerar ácidos graxos pela FAO, facilitar a oxidação destes ácidos e programar a ativação de macrófagos M2.
Estes resultados, como outros que surgiram e estão surgindo, auxiliam na abordagem terapêutica em doenças nas quais macrófagos M2 têm efeitos tanto prejudiciais quanto protetores, inclusive no controle da homeostasia, na proteção contra a obesidade e na resistência à insulina. Recomendo a leitura da revisão de 2011 da Ajay Chawla (4) para entender alguma destas funções dos macrófagos.
Boa leitura a todos
Referências:


Post por Clayson Moura Gomes, Doutorando do PPGMTSP/UFG



domingo, 19 de outubro de 2014

JOURNAL CLUB IBA: ILC3 “adoçam” as células do epitélio intestinal



Figura 1: Mecanismo no qual fucosilação epitelial e expressão de Fut2 são induzidas quando a intensidade da ação sinérgica dos sinais provenientes de IL-22 e LT estão acima do threshold de ativação de Fut2, por exemplo: LT produzida por ILC3 promove sinal basal para expressão mínima de Fut2, enquanto IL-22 produzida de forma dependente de comensais por ILC3 leva à expressão máxima de Fut2 para indução da fucosilação epitelial. A forma como IL-22 e LT derivada de ILC3 regulam a expressão tecidual de Fut2 ainda precisa ser precisamente caracterizada. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25214634

O trato gastrointestinal dos mamíferos é colonizado por cerca de 100 trilhões de bactérias composto por milhares de espécies diferentes, numa relação de benefício mútuo (1). Essas bactérias comensais residem no lúmen intestinal e são separadas das imunes presentes na lâmina própria por uma monocamada de células epiteliais, as quais são extremamente importantes para a manutenção da homeostase e atuam como a primeira linha de defesa contra antígenos estranhos, incluindo as bactérias comensais e bactérias patogênicas. Ao mesmo tempo em que as células epiteliais sustentam esta separação, elas recebem e integram sinais de ambos os lados, sendo um meio de comunicação importante entre as bactérias e o hospedeiro (2).
Uma estratégia descrita para reforçar a barreira de células epiteliais é a adição de resíduos de fucose na porção terminal de glicanos através da enzima fucosiltransferase 2 (FUT2) (3). É demonstrado que bactérias comensais, especialmente pelas Bacteroides, induzem o processo de fucosilação de células epiteliais e são capazes de catabolizar a fucose ou incorporá-la como um componente da capsula polissacarídica bacteriana, o que promove vantagens de sobrevivência em um microambiente competitivo e consequentemente homeostase da microbiota intestinal (4). Embora trabalhos demonstrem que bactérias comensais induzam a fucosilação das células epiteliais, o mecanismo preciso de regulação da fucosilação ainda não estava completamente elucidado.
Utilizando um elegante delineamento experimental, Goto e colaboradores demonstraram que o mecanismo de indução de expressão de Fut2 e fucosilação epitelial é realizado por células linfóides inatas (ILCs) do tipo 3.
Os autores observaram que o íleo distal dos animais estudados possuía maior presença de células epiteliais fucosiladas, maior expressão de Fut2 e que a maior parte da colonização bacteriana era feita por SFB (segmented filamentous bacteria). Já foi descrito que bactérias SFB estão relacionadas à função de ILCs (5), então foram avaliados animais Rorcgfp/gfp, que não possuem ILC3 (6), e verificou-se que tais animais possuem grande diminuição na fucosilação epitelial e expressão de Fut2 quando comparados aos animais Rorc+/+, indicando um papel crítico para ILC3 na fucosilação epitelial. Demonstrou-se também que animais Rag-/-, que apresentam números exacerbados de células ILC3, apresentam altos níveis de fucosilação epitelial.
Uma vez que as ILC3 são potenciais fonte de IL-22, os autores investigaram a participação desta citocina no processo de fucosilação. Para elucidar o mecanismo envolvido, foram utilizados animais deficientes para IL-22 e foi observado que a expressão de Fut2 e fucosilação é dependente desta citocina, relacionando a presença da microbiota e a produção de IL-22 por ILC3. Além de IL-22, ILC3s expressam linfotoxinas (LT), que por sua vez apoiam o desenvolvimento e manutenção de tecidos linfóides secundários (7). Em contraste com IL-22, que foi induzida por bactérias comensais, a expressão de LT não foi afetada pela ausência da flora comensal, uma vez que animais não possuíam células ILC3 capazes de expressar LT, não apresentavam fucosilação epitelial.
Além de desvendar o mecanismo regulador do processo de fucosilação, os autores demonstraram que a fucosilação epitelial tem papel protetor contra infecção por S. typhimurium. Dessa forma, os resultados evidenciam o papel crítico da microbiota, células epiteliais e ILC3 na criação de uma plataforma protetora contra infecção por bactérias patogênicas.


Post de Laís Sacramento e Thaís Arns (Doutorandas - IBA/FMRP/USP).