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sábado, 17 de setembro de 2011

Journal Club (Iba) - Células T reguladoras: patrulhando uma vizinha perigosa!

Os mecanismos de tolerância de células B durante os eventos de hipermutação somática, que ocorrem nos centros germinativos, ainda são pouco compreendidos. Um comentário publicado na Nature Medicine em Agosto de 2011 (aqui) aborda essa questão e reúne evidências que as células T reguladoras participam deste processo. Dois destes estudos, também publicados em agosto na Nature Medicine, propõem que células T reguladoras adquirem características funcionais específicas para limitar a magnitude das respostas nos centros germinativos, contribuindo para o entendimento de como ocorre a prevenção de autoimunidade mediada por anticorpos autoreativos.

Na busca de elucidar o controle de linfócitos T “helpers” foliculares (TFH) e linfócitos B no centro germinativo (CG), Chung e colaboradores (aqui) buscaram uma forma de identificar e caracterizar a população de linfócito T reguladores do centro germinativo (TFR), as quais descendem de Tregs naturais, passando a expressar o ligante CXCR5 na periferia. Por meio deste trabalho, foi possível identificar a necessidade da expressão do fator transcricional Bcl-6 para a geração tanto da população de TFH quanto de TFR, visto que a falta deste fator impede a expressão do receptor de quimiocina CXCR5 e, dessa forma, previne que estas populações povoem o CG. Foi avaliado ainda que a ausência da expressão de CXCR5 em Tregs permite um aumento significativo da população de linfócitos B, células B de memória e plasmócitos, além de um aumento de anticorpos específicos.

No trabalho publicado por Linterman e colaboradores (aqui), a identidade e função das células TFR encontradas nos CG foram desvendadas. Neste trabalho, foi demonstrado que as células TFR (CD4+CXCR5highPD-1highFoxp3+) apresentam características fenotípicas comuns tanto com células Treg naturais (Foxp3+, GITR+, CTLA4+) quanto com células TFH (CXCR5+, CXCL13+, IL10+), porém, apesar da semelhança com ambas, TFR compreendem um subtipo distinto de célula TCD4. As células TFR são originadas a partir de precursores tímicos Foxp3+ e seu desenvolvimento dependem da sinalização via SAP (SLAM-associated protein), CD28 e de células B. A alta expressão de GITR, IL-10 e ICOS pelas TFR consiste com seu fenótipo ativado, demonstrando que esse tipo celular participa ativamente da organização do CG. No CG, essas células controlam a população de TFH e de células B, limitando o crescimento de clones antígeno-inespecíficos, incluindo aqueles que apresentam receptores para antígenos próprios; além disso, a atuação das TFR no CG é importante para a geração de plasmócitos de vida longa e de células B de memória. Dessa forma, as células TFR apresentam um papel importante na indução de tolerância periférica, que pode ser essencial para a prevenção da autoimunidade mediada pelo CG.


Referências:

Treg cells: patrolling a dangerous neighborhood Nature Medicine 17, 929–930 (2011) doi:10.1038/nm.2433

Follicular regulatory T cells expressing Foxp3 and Bcl-6 suppress germinal center reactions Nature Medicine 17, 983–988 (2011) doi:10.1038/nm.2426

Foxp3+ follicular regulatory T cells control the germinal center response Nature Medicine 17, 975–982 (2011) doi:10.1038/nm.2425


Post de Carolina Caliari, Luiz Gustavo Gardinassi e Marcel Trevisan

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Um comentário:

  1. Olá pessoal, muito bom o post de vocês...parabéns...Abs

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