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domingo, 11 de novembro de 2012

Journal Club Iba: A resposta imune e a microbiota da pele

 
Nos últimos anos o interesse pelos efeitos da microbiota no sistema imune tem aumentado significantemente. Diversos artigos demonstraram que uma desregulação e alteração da microbiota intestinal influenciam negativamente ou positivamente em diversos aspectos da imunidade. Um artigo publicado em 2010 demonstrou que moléculas de peptideoglicanos provenientes da microbiota primam neutrófilos na medula óssea participando do desenvolvimento do sistema imune. Por outro lado, uma desregulação da microbiota agrava quadros de obesidade, síndrome metabólica e resistência à insulina. Dessa forma, já está bem descrito que a microbiota intestinal regula a resposta imunológica de forma local e também de forma sistêmica em outros órgãos.
Assim, como a mucosa intestinal, a pele também é coberta pela sua própria microbiota. Desde que nascemos, herdamos da nossa mãe as primeiras bactérias por transferência vaginal ou mesmo após o parto cesariano. Apesar de convivermos com esses seres microscópicos recobrindo nosso corpo desde o nascimento, os efeitos dessa microbiota simbionte da pele em nossa saúde ainda não é bem esclarecida. Diante das evidências, algumas das questões relevantes nesse contexto seriam:
Apenas a microbiota da pele é capaz de regular a resposta imune local?
Num modelo de infecção na pele, a presença da microbiota local é eficiente em alterar os processos inflamatórios e a multiplicação do parasita?
E por fim, quais os mecanismos envolvidos na modulação da resposta imune da pele pela microbiota?
De maneira elegante o artigo publicado pela Science do grupo de Yasmine Belkaid em agosto de 2012 demonstrou com estudos comparativos entre camundongos SPF (Specific pathogen free) e GF (germ free) que não houve associação entre a microbiota intestinal e a microbiota presente na pele. A indução do sistema imunológico por estes distintos nichos compartimentalizados deflagrou uma resposta diferente na produção de citocinas por células T em cada compartimento. Adicionalmente, houve um aumento na produção de IFN-γ e IL-17A em animais SPF que tinham a presença da microbiota na pele. De forma distinta, os animais GF tiveram o aumento da presença de células T reguladoras.
Relatado ainda no artigo, quando foi induzido um quadro infeccioso por Leishmania major os camundongos SPF obtiveram uma lesão tecidual acompanhada de edema, contudo um menor número de parasitos comparado com os animais GF. Quando os animais GF eram monoassociados com S. epidermides presentes na microbiota normal da pele, a lesão característica da infecção por leishmania e o quadro inflamatório com produção de citocinas IFN-γ e IL-17A eram restaurados. Neste mesmo artigo, foi visto que a produção destas citocinas pelas células T da pele é dependente principalmente da IL-1α, mas não de IL-23 nem IL-6 ou mesmo de receptores do tipo toll da forma que é induzida no intestino. Assim sendo, a microbiota da pele induz a produção de IL-1 e ativam células T a produzirem citocinas inflamatórias que auxiliam no combate a patógenos (Figura).
Este foi o primeiro artigo demonstrando o papel da microbiota da pele na indução da resposta imunológica compartimentalizada. Estes resultados abrem novas perspectivas e questões para o entendimento da interação do sistema imune com a microbiota.

  Adaptado de Goldszmid, 2012.

 
Referências

  Clarke, B Thomas, et al. Recognition of peptidoglycan from the microbiota by Nod1 enhances systemic innate immunity. Nature Medicine, Vol. 16, Feb 2010.

 Goldszmid, S Romina & Trinchieri, Giorgio. The price of immunity. Nature immunology, Vol. 16,  Oct, 2012.

Naik, Shruti, et al. Compartmentalized Control of Skin Immunity by Resident Commensals. Science, Vol. 337, Aug 2012.
 

Post de Éverton Padilha e Jonilson Berlink Lima

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Um comentário:

  1. Boa noite, gostaria que vcs me indicassem um artigo que fale sobre: bacterias comensais que regulam a homeostase intestinal e regula a função das celulas epiteliais intestinais...

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