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domingo, 8 de janeiro de 2012

Quando terminamos a pós-graduação, o que fazer?

Alguns pretendem seguir carreira acadêmica, outros partem para áreas biotecnológicas, em pequenas e jovens empresas como Aline Figlioli e Dr. João Santana escreveram recentemente ou em grandes empresas multinacionais, que muitas vezes empregam pessoas altamente qualificadas.

E para se tornar um professor no ensino superior, é necessário a pós-graduação? A Lei 9396 de 1996, mais conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) diz que sim, em seu artigo 66:

Art. 66 A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado.

Parágrafo único. O notório saber, reconhecido por universidade com curso de doutorado em área afim poderá suprir a exigência de titulo acadêmico.

Mas o projeto de Lei 220/2010, de autoria da Comissão de Serviços de Infraestrutura do senado e relatado pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR) quer alterar o artigo 66 da LDB adicionando um segundo parágrafo:

Portadores de diploma de graduação poderão ser admitidos como docentes nas áreas tecnológicas e de infraestrutura, desde que comprovem experiência profissional, na forma do regulamento.

OU seja, a pós-graduação passaria a não ser exigida. Os argumentos para essa alteração são que o país tem falta de docentes qualificados com pós-graduação em áreas de engenharia e tecnologia, que o país não forma profissionais em número suficiente nessas áreas, o que atrapalhará o nosso desenvolvimento no futuro. Eles dizem ainda que atualmente, para contratação de um professor em um curso superior é levada em consideração a formação acadêmica, que é valorizada, e ignorada a experiência profissional (expertise).

Será que uma deficiência na formação de profissionais em determinadas áreas deve ser solucionada dessa forma, alterando a qualificação de professores? Será que o Brasil não tem problemas no ensino de ciências exatas desde a educação básica e isso reflete na formação de profissionais na área? Como seria definida/avaliada a experiência profissional? Até onde esse projeto de lei é conseqüência de pressão de grupos educacionais privados com intenção de contratar professores com menor titulação e salários mais baixos, diminuindo custos (e qualidade de ensino)?

O ministro da educação Fernando Haddad e a presidenta Dilma Housseff se posicionam contra essa mudança, visto que ela contraria o Plano Nacional de Educação, que pretende aumentar o número de mestres e doutores em universidades e que grandes investimentos estão sendo feitos na formação de pessoal de pós-graduação, através da Capes e do CNPq.

Embora esse projeto não diga respeito à imunologia, abre precedente na política educacional do país e acredito que merece nossa atenção.

Quem tiver interesse, aqui está o projeto de lei 220/2010 e aqui o parecer da comissão de educação do senado. Existe ainda uma petição online, aqui, para pressionar o senado a votar contra esse projeto.

Post de Walter M. Turato. IBA- FMRP

P.S. Obrigado ao Prof. Dr. Fernando Spiller (UFSC) por me interar da existência desse projeto de lei.

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6 comentários:

  1. Bom dia,
    É engraçado dar atenção, apenas para o ensino superior público, quando o fato relatado já ocorre nas instituições privadas há muito tempo, e ao que parece, ninguém com poder de decisão se importa, talvez porque muitos são proprietários de impérios educacionais (potes de ouro). Na minha modesta opinião quem se indigna com essas propostas precisaria ter trabalhado em instituição privada antes de ingressar na pública. Gostaria de saber se essa preocupação com o que se contrata para sala de aula e/ou pesquisa, também vai chegar às universidades particulares, já que elas absorvem grande número de estudantes brasileiros. Em muitos lugares os doutores tem vida profissional curta em sala de aula e na instituição, porque são caros... e ai, o que vão exigir para as particulares? Ou deixa por isso mesmo?
    Abs, Álvaro

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  2. Luiz Gustavo Gardinassi8 de janeiro de 2012 16:33

    O assunto é realmente pertinente, porque tais tipos de projetos só desmerecem todo trabalho desenvolvido por pós-graduandos. recém-doutores e mesmo doutores de longa data.
    Tentam impor leis que tenham ação rápida, no entanto não pensam nas consequências que possam ser acarretadas, e pensam menos ainda em um dos alicerces mais importantes na formação de profissionais qualificados, como falado no post, a educação básica.
    Muito bom!

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  3. É como naquela velha piada: o cara chega em casa e encontra a mulher no sofá com outro e ele, para evitar que isso se repita, vende o sofá.

    Abs

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  4. O setor privado já é excessivamente regulado pelo governo, que trata o cidadão como um incapaz de tomar decisões. Quem deve regular as instituições de ensino particulares é unicamente o mercado. Tanto que é um bom marketing dizer que exitem XX% de professores com mestrado ou doutorado.

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  5. Sim é um bom marketing... inclusive recebemos bem mais de que o se paga no setor público por isso mesmo... o que digo é que em algumas situações o mercado é ineficaz para o tal controle...

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  6. Não sou a favor desse projeto, mas como aluno também fico muito intrigado com os argumentos de doutores e mestres. Tenho aula com 90% de doutores, daí ouvimos deles que sairemos fazendo isso ou aquilo, mas "eles" não tem carteira assinada até hoje! Saíram do Ensino Médio, foram pra faculdade, mestrado, doutorado, pós. dóc., publicaram um artigo para cada grau, e daí já tem o título para dar aula. Sabe o que ocorre com um professor de Imunologia com doutorado com conceito CAPES 7? O meu não sabia nem corar uma lâmina, não sabia padrões (série branca) aceitáveis nos seres humanos. Nunca tinha saído pra trabalhar em laboratórios, nem indústria de vacinas, nem em secretarias de saúde. Por isso, o argumento da "experiência" é totalmente válido.

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