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sexta-feira, 24 de junho de 2011

O que confere proteção de longa duração durante o processo de imunização?


Estudos comprovam que vacinas produzidas com microorganismos vivos ativam com mais eficácia os mecanismos do sistema imunológico que levam a proteção à infecção. A hipótese lógica para que isto aconteça é que a presença de microorganismos vivos permite que estes últimos se repliquem e infectem células do hospedeiro, tornando-se visíveis ao sistema imunológico. Sendo assim, como ficaria o papel dos padrões moleculares associados a patógenos (PAMPs)? Digo isto porque estes estão presentes tanto em vacinas compostas por microorganismos vivos quanto mortos.

E é exatamente isto que Leif E Sander e colaboradores abordam em um artigo publicado o mês passado na Nature. Mas especificamente, os pesquisadores questionam o que estaria presente na composição de uma vacina desenvolvida com a utilização de microorganismos vivos, mas não incorporado nas “vacinas mortas”, que induziria proteção imune efetora.

Para os pesquisadores, o nosso sistema imune reconhece microorganismos vivos através da detecção de uma classe especial de PAMPs denominada PAMPs associados a viabilidade (vita-PAMPs). Eles mostram que RNA mensageiro de procariotos, presente apenas em bactérias vivas, funciona como um vita-PAMP desencadeando respostas imunes inata e adaptativa efetoras. Desta maneira, o sistema imune conseguiria distinguir microorganismos com potencial infectivo e poupar suas energias das ameaças menos importantes.

Incrível, não é?

Bom, aí está mais um componente a ser testado nas nossas tão sonhadas vacinas.

Recomendo a leitura:

Sander LE, Davis MJ, Boekschoten MV, Amsen D, Dascher CC, Ryffel B, Swanson JA, Müller M, Blander JM. Detection of prokaryotic mRNA signifies microbial viability and promotes immunity. Nature. 2011 May 22;474(7351):385-9.

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8 comentários:

  1. Alo pessoal, esse trabalho foi feito no laboratorio de Julie Blander, parte do nosso Instituto de Imunologia! Aqui esta um link pro Instituto
    http://research.mssm.edu/iisinai/Research.html

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  2. Cristina Bonorino24 de junho de 2011 15:36

    E o que a Julie Acha, que não dá pra gerar memoria pra tumor porque nao tem esses vita-PAMPs? Vc sabe? bj

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  3. Oi pessoal,
    Eu não li o artigo, não consegui acessá-lo, e por isso faço as perguntas abaixo:
    A atenuação altera a expressão dos vita-PAMPs? Bactérias comensais apresentam os vita-PAMPs? Eles serão diferentes daquelas apresentados por bactérias patogênicas?
    Abs, Álvaro (UFU, Uberlândia)

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  4. Fiquei pensando se as técnicas de produção das vacinas mortas poderia estar alterando a estrutura dos PAMPs. Sabemos, por exemplo, quão importante é a estrutura protéica para que elas executem suas funções e para que se liguem corretamente à seus receptores. Hora de repensar os protocolos?

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  5. Oi Alvaro,
    Eles mostram que E. coli não patogênica, viva ou inativada pelo calor, também ativam NF-κB e p38 em macrófagos, e induzem produção de IL-6 e TNF-alfa. No entanto, quando viva, a bactéria não patogênica induz mais IFN-β do que quando inativada. Alem disto, somente viva ela é capaz de induzir a clivagem de pró- IL-1β, secreção IL-1β e piroptose. O mesmo efeito desencadeado pela bactéria inativada foi desencadeado pela bactéria morta, indicando que o hospedeiro detecta a bactéria quando viável. Portanto, precisa estar viva, mas não precisa conter fatores de virulência.
    Abraço, Lis

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  6. Oi Liz,
    Obrigado por sua atenção. Então, independente de ser patogênica ou não, caso a bactéria consiga invadir uma célula (e para isso deve estar viva)ou se for fagocitada viva, haverá a geração de NF-κB com uma inflamação aguda mais intensa do que quando macrófagos fagocitam as mesmas bactérias porém mortas. Me desculpe Lis mas fiquei um pouco confuso com sua seguinte frase "O mesmo efeito desencadeado pela bactéria inativada foi desencadeado pela bactéria morta, indicando que o hospedeiro detecta a bactéria quando viável", me corrija se eu estiver enganado, mas para mim inativada e morta são o mesmo.
    Abs, Álvaro

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  7. Caro Alvaro,
    você está certo. Na realidade o que eles mostram é que independente da maneira pela qual a bactéria é inativada (calor, UV, antibiótico...), o efeito desencadeado é o mesmo.
    Abraço

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