
Estudos comprovam que vacinas produzidas com microorganismos vivos ativam com mais eficácia os mecanismos do sistema imunológico que levam a proteção à infecção. A hipótese lógica para que isto aconteça é que a presença de microorganismos vivos permite que estes últimos se repliquem e infectem células do hospedeiro, tornando-se visíveis ao sistema imunológico. Sendo assim, como ficaria o papel dos padrões moleculares associados a patógenos (PAMPs)? Digo isto porque estes estão presentes tanto em vacinas compostas por microorganismos vivos quanto mortos.
E é exatamente isto que Leif E Sander e colaboradores abordam em um artigo publicado o mês passado na Nature. Mas especificamente, os pesquisadores questionam o que estaria presente na composição de uma vacina desenvolvida com a utilização de microorganismos vivos, mas não incorporado nas “vacinas mortas”, que induziria proteção imune efetora.
Para os pesquisadores, o nosso sistema imune reconhece microorganismos vivos através da detecção de uma classe especial de PAMPs denominada PAMPs associados a viabilidade (vita-PAMPs). Eles mostram que RNA mensageiro de procariotos, presente apenas em bactérias vivas, funciona como um vita-PAMP desencadeando respostas imunes inata e adaptativa efetoras. Desta maneira, o sistema imune conseguiria distinguir microorganismos com potencial infectivo e poupar suas energias das ameaças menos importantes.
Incrível, não é?
Bom, aí está mais um componente a ser testado nas nossas tão sonhadas vacinas.
Recomendo a leitura:
Sander LE, Davis MJ, Boekschoten MV, Amsen D, Dascher CC, Ryffel B, Swanson JA, Müller M, Blander JM. Detection of prokaryotic mRNA signifies microbial viability and promotes immunity. Nature. 2011 May 22;474(7351):385-9.



