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BRASILEIRA DE IMUNOLOGIA
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quarta-feira, 7 de abril de 2010

This post might boost your immunity



O título This post might boost your immunity é de um post de Christian Torres no Spoonful of Medicine, um blog da Nature, publicado hoje.
"Today’s dose will give your immune system a boost. There’s good news for those suffering from COPD, and some not-so-good news for the food pyramid. Also, what can brown (fat) do for you? 
-- See that picture? We just boosted your immune system, apparently. In a new study, 28 individuals were shown a slideshow of images featuring sick people. Blood was drawn before and after, and researchers found that levels of interleukin-6 (IL-6), an immune system molecule, jumped 23% during the slide show. Some participants instead saw a slideshow with guns being pointed at them, but they experienced a mere 6% boost in IL-6. (Psychology Today via Gawker — yes, Gawker)"
Leia o post inteiro.

Image by tanjila via Flickr Creative Commons

Controle insensato?

Participei recentemente do WIRM (World Immunoregulatory Meeting), em Davos. As palestras, ministradas por excelentes imunologistas, quase sempre começavam e/ou terminavam com citações próprias nas revistas de maior impacto da área. Não podia ser diferente.
Em outubro de 2008, no Congresso de Imunologia realizado em Ribeirão Preto, discutimos e apontamos as razões pelas quais nós brasileiros publicamos pouco em revistas de alto impacto. Dessa discussão nasceu a Carta de Ribeirão (vide sítio da SBI), encaminhada às principais agências de fomentos do País. Os resultados sobre esse assunto ainda não são aparentes.
Quais os gargalos que nos impedem publicar como eles e como poderiam ser sanados? A opinião de diversos pesquisadores está na carta de Ribeirão. Na área de Imunologia, um aspecto importante, e diferente dos pesquisadores da Europa e EUA, é que não temos acesso a uma infinidade de animais geneticamente modificados. Nem mesmo bons biotérios temos no país. Em minha opinião temos que sanar 3 problemas:
1. Biotério. Temos que sensibilizar as agências de fomento a investirem em bons biotérios. Temos criadouros de camundongos e ratos, mas os de melhor qualidade, com animais certificados, mal atendem às unidades as quais pertencem. Nesse caso, a desculpa é que nos falta gestão. Estão controlando a verba pública.
2. Importação. Esse é um problema crônico, ainda mais quando se trata de importar animais. Diferente de outros países, a importação de animais para o Brasil é morosa e difícil, quando não nos é negada. A CTNBio impõe uma série de dificuldades e os animais têm que ter vistos que expiram em dias. Bastaria autorizar importação de animais de biotérios reconhecidos para locais que também tenham certificação aqui no Brasil. Qual a razão desse controle absurdo da entrada de animais no País?
3. Tecnologia de geração de animais geneticamente modificados. Já temos no País pesquisadores que dominam tal tecnologia, mas precisamos mais incentivo na área. A geração de tais animais deve ser seguida da criação dos mesmos em biotérios certificados, com possibilidade de fornecer matrizes a todos os interessados. Temos que investir nessa área.
Os que se interessarem pelo assunto e concordarem com as observações acima (ou até os que tiverem outras idéias), por favor, manifestem-se. A idéia é enviar uma carta (mais uma) às agências financiadoras pedindo socorro.
João Santana Silva

De Metchnikoff ao silenciamento gênico em macrófagos


Figura: quackcartoon.com/ Quackpages/macrophages.htm

Desde a descoberta da fagocitose, por Elie Metchnikoff, que foi contemplado com o Nobel de Fisiologia e Medicina em 1908, os cientistas desenvolveram uma verdadeira fascinação pelo estudo dos macrófagos. Não é para menos, afinal essas células maravilhosas desempenham funções importantíssimas, como: apresentação de antígenos; secreção de citocinas e mediadores inflamatórios; fagocitose e eliminação de micróbios e patógenos; fagocitose de células apoptóticas, entre outras. Diante disso, existe grande interesse no estudo de mecanismos genéticos que expliquem esses fenômenos. Infelizmente, a intervenção em genes em macrófagos primários (transfecção, deleção, silenciamento) é extremamente ineficaz e geralmente ficamos limitados ao uso de animais geneticamente modificados.

Recentemente, um trabalho publicado no Journal of Immunological Methods (doi:10.1016/j.jim.2009.12.002) reporta o silenciamento efetivo de genes de macrófagos primários utilizando RNA de interferência. Os autores demonstram que genes específicos podem ser eficientemente silenciados por eletroporação de siRNA. Aparentemente, o processo não afeta a viabilidade, não impede a ativação induzida por LPS e nem a capacidade de fagocitose e eliminação de micróbios intracelulares. O método é promissor: será que poderemos ficar livre, ou reduzir o uso de animais nocautes? Será que é possível interferir com dois genes simultaneamente, e assim inferir sobre os mecanismos de sinalização intracelular? Vale a pena pagar para ver.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Nova técnica de microscopia permite estudar células vivas em alta resolução

Desde os tempos em que Robert Hooke observou, com um microscópio rudimentar, um pedaço de cortiça e chamou os pequenos “buracos” de células, muitas mudanças tecnológicas foram alcançadas no campo da microscopia. Atualmente, microscópios ópticos usados rotineiramente em laboratórios para contagem de células coexistem com equipamentos sofisticados que geram imagens em alta resolução (microscopia eletrônica de transmissão e de varredura), e com metodologias que permitem a reconstrução da imagem tridimensional de órgãos (two-fóton), entre outros.

E. coli exposta ao peptídeo microbicida CM15. A imagem, obtida por microscopia de força atômica, mostra o começo da destruição da parede bacteriana. Crédito: Georg Fantner.

Agora, cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, otimizaram a técnica de microscopia de força atômica (AFM) de alta velocidade, possibilitando o estudo de células vivas em tempo real e em alta resolução. A AFM tem a mesma resolução do microscópio eletrônico (cinco nanômetros), mas permite avaliar espécimes vivos, por não precisar de vácuo. O trabalho, liderado por Angela Belcher, foi publicado na edição de março da revista Nature Nanotechnology (Vol 5, n. 3, 2010).

Belcher e sua equipe usaram um cantiléver (imagine um gancho), com uma sonda em uma das extremidades, de tamanho mil vezes menor dos usados rotineiramente na AFM. Explicando de forma bem simplista, a sonda percorre a amostra e “sente” sua superfície. Com o reduzido cantiléver, foi possível gerar imagens frequentes sem causar danos à bactéria, alvo do estudo.

Com a resolução espacial de nanômetros e resolução temporal de segundos, os cientistas acompanharam a cinética da atividade microbicida do peptídeo CM15 em Escherichia coli (veja imagem), a cada 13 segundos, e observaram que o processo de morte ocorre em duas etapas: uma fase de incubação, cujo tempo varia de bactéria para bactéria (de segundos a minutos), seguida de uma rápida execução. Segundo os pesquisadores, tais medidas demonstram o enorme potencial da tecnologia para o campo da biologia celular, possibilitando o estudo de processos celulares em tempo real, em alta resolução. Para a imunologia, não faltam ideias de experimentos que poderiam usar a AFM otimizada.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Congresso sobre mecanismos da vacinação


Uberlândia (chove, chuva...) - Recomendo aos interessados o evento programado para o segundo semestre deste ano em Seattle, EUA, sobre mecanismos de ação das vacinas. Será um evento muito interessante, onde haverão palestras sobre vários aspectos relacionados a protocolos profiláticos contemporâneos. O evento é organizado pelo Keystone Symposia e terá suporte do Bill & Melinda Gates Foundation, com a possibilidade de obtenção de auxílios financeiros aos interessados. Segue abaixo um resumo do encontro.

Bom proveito aos interessados e não percam as deadlines!
Abraços, Tiago.

Immunological Mechanisms of Vaccination
Sheraton Seattle Hotel, Seattle, Washington, USA
October 27-November 1, 2010


Scientific Organizers:
Bali Pulendran, Rino Rappuoli and Bruce A. Beutler

Keynote Session:
Dr. Tadataka Yamada, Bill & Melinda Gates Foundation
Dr. Anthony S. Fauci, National Institutes of Health

Meeting Session Topics:

Innate Sensing of Pathogens and Vaccines

Understanding T and B Cell Memory to Vaccines

Systems Biological Approaches to Vaccination and Infections

Novel Approaches to Understanding Host-Microbe Interactions

Translating Immunity to Vaccines

Immunity and Vaccines Against Pandemics and Emerging Pathogens

Immunology of Adjuvants



Destruição de Leishmania por macrófagos da zona marginal do baço


O grupo de Paul Kaye publicou em março no PLoS Pathogens o artigo Innate Killing of Leishmania donovani by Macrophages of the Splenic Marginal Zone Requires IRF-7. Eles analisam o mecanismo pelo qual os macrófagos altamente fagocíticos da zona marginal do baço destroem a Leishmania. Usando uma combinação de “gene expression profiling and RNAi using a stromal macrophage cell line with in situ analysis of the leishmanicidal activity” eles demonstram um papel essencial do IRF-7 (interferon regulatory factor-7) na regulação da destruição da Leishmania donovani
Dois aspectos são importantes:
  • a identificação de uma nova via molecular envolvida na eliminação de patógenos;
  • a confirmação da importância na seleção criteriosa da população macrofágica que se estuda.
Ilustração: Networks showing up (red) and down (green) regulated genes 48h after L. donovani infection were generated using Ingenuity Pathways; (A) ‘antimicrobial response’ and (B) ‘antigen presentation’. 

Phillips, R., Svensson, M., Aziz, N., Maroof, A., Brown, N., Beattie, L., Signoret, N., & Kaye, P. (2010). Innate Killing of Leishmania donovani by Macrophages of the Splenic Marginal Zone Requires IRF-7 PLoS Pathogens, 6 (3) DOI: 10.1371/journal.ppat.1000813

domingo, 4 de abril de 2010

Seminários do Scientists Without Borders



A organização Scientists Without Borders, juntamente com a New York Academy of Science, divulga a realização de alguns webminars no mês de maio próximo.


HIV/AIDS: Vaccines and Alternate Strategies for Treatment and Prevention
This meeting will tackle a range of challenges facing researchers working towards the development of an HIV / AIDS vaccine, and will counter each presented challenge with a possible solution. These challenges include developing HIV vaccines to prevent or control infection, genetic diversity of the virus, and predictive models of infection. The symposium will also cover other (non-scientific) challenges and mechanisms that can be used to reduce HIV transmission now and in conjunction with a future vaccine.


Register to ATTEND this symposium in New York at www.nyas.org/AIDS



Monday, MAY 24, 2010 • 1:00 PM - 5:30 PM (EST)
H1N1 Swine Flu: The 2010 Perspective
On May 24th, 2010, The New York Academy of Sciences (NYAS) is hosting a timely landmark afternoon symposium re-examining the 2009 swine influenza (H1N1) outbreak, and providing a 2010 update. Influenza viruses continue to pose a major global public health problem. Understanding the pathogenicity and transmission of these viruses is of utmost importance in order to develop improved methods of prevention and control. This symposium will revisit the 2009 outbreak and examine strategies against future outbreaks, with presentations on virulence, transmission, the New York City experience, vaccine development and the public health implications of a worldwide pandemic. A roundtable discussion featuring all speakers will reflect on the successes and problems during the 2009 outbreak, whether this can be considered a rehearsal for more virulent outbreaks, and updated strategies to confront new pandemics.

This symposium will also be broadcast as a live webinar, providing an opportunity for our world-wide audiences to participate in this exciting and timely discussion.


To Register For This Webinar & For More Information:www.nyas.org/SwineFlu2

sábado, 3 de abril de 2010

Of Mice and Women


O título completo do texto da Science é Of Mice and Women: The Bias in Animal Models (DOI: 10.1126/science.327.5973.1571) e a paródia de Steinbeck se refere ao problema decorrente do uso majoritário de camundongos machos nos estudos experimentais e a preocupação de que os achados não se apliquem igualmente aos dois sexos. 
Segundo as autoras, os machos são mais baratos e mais fáceis de trabalhar que as fêmeas. Provavelmente elas se referiam apenas aos machos de camundongos, mas eu acho que vale para muitas espécies….
"It's cuckoo that for diseases such as asthma, stroke, pain, immune diseases, where there are huge sex differences, people are just studying male animals," says behavioral neuroscientist Irving Zucker, a professor emeritus at the University of California, Berkeley. "It just makes no sense."
Desde 1993, é necessária a inclusão de mulheres e de “minorias” nos ensaios clínicos conduzidos ou financiados pelo National Institutes of Health (NIH) devido à possibilidade dos tratamentos terem efeitos diferentes em diferentes populações. Um documento do Institute of Medicine (IOM) em 2001 chamava a atenção disto para as pesquisas em modelos animais. Apesar disto, a situação não mudou.
Recomendo ler o artigo e pensar no assunto ao planejar os experimentos.
Science 26 March 2010 Vol. 327. no. 5973, pp. 1571 - 1572
Ilustração: Skewed by sex. A survey of journal articles from 2009 found the strongest bias toward male animals in fields most likely to translate into humans. CREDIT: ADAPTED FROM ANNALIESE K. BEERY AND IRVING ZUCKER.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Mais além do que Drug Delivery...













Semelhança físico-química de Sistemas Micro/Nanoparticulados entre vírus, bactérias e células; e o estudo da interação de sistemas biológicos


(postado Tatiany Faria)

Se Feynman ainda fosse vivo, com certeza poderia ver o quanto seus conceitos ainda proféticos sobre Nanociência se tornaram frutíferos dando origem ao que podemos chamar de a “4ª Revolução Industrial”. Estamos numa era Nanotecnológica, onde o pequeno se faz grande e de forma muito particular, a Nanobiotecnologia nos aproxima ainda mais de uma transformação na terapêutica farmacológica através da entrega discriminada a tecidos e células-alvo com redução da dose e dos efeitos colaterais. Entretanto, seremos muito minimalistas ao pensar que estes vetores apenas protagonizam um cenário puramente de “Drug Delivery“.


Na natureza, exemplos numerosos podem ser encontrados em que os atributos físico-químicos tais como a composição química, forma, tamanho, propriedades mecânicas e divisão compartimental são cruciais à função biológica. Por exemplo, as bactérias possuem ampla escala das formas originais que incluem as hastes, as espirais e elipses, ressaltando que a diversidade de formas bacterianas destaca o significado de propriedades físicas em sua função. Do ponto de vista do hospedeiro, as células apresentadoras de antígenos, que rapidamente respondem a agentes infecciosos e corpos estranhos, devem reconhecer tal enorme diversidade nas formas. É aí que se destacam o desenvolvimento e a utilização de sistemas micro/nanoestruturados na ingênua compreensão da interação patógeno-hospedeiro, principalmente pela versatilidade da construção de micro e nanopartículas com características semelhantes à de sistemas biológicos. Por outro lado, esta investigação também poderá nos fornecer subsídios de como as propriedades físicas dos Nanomateriais afetam funções biológicas e ampliar os horizontes da descoberta de novas vacinas e “Nanoadjuvantes” com a indução de respostas imunológicas mais diferenciadas e robustas. A partir deste desafio, peçamos licença a Lavoisier através de uma divagação na Lei de Conservação das Massas, (qualquer sistema, físico ou químico, apenas é possível transformar a matéria de uma forma em outra), para transformar estes protótipos em miniaturas auxiliares na compreensão da complexa interação dos sistemas biológicos.

Para saber mais: Mitragotri, S & Lahann, J. 2009. Nature materials, 8:15-23.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Alternative cross-priming through CCL17-CCR4-mediated attraction of CTLs toward NKT cell–licensed DCs

A apresentação cruzada é um fenômeno pelo qual células dendríticas são capazes de apresentar antígenos extracelulares para linfócitos T CD8+. Em muitas circunstâncias, o desenvolvimento, via apresentação cruzada, de uma resposta efetora mediada por linfócitos T CD8+ parece depender de linfócitos T CD4+, que teriam a propriedade de licenciar as células dendríticas, tornando-as de fato capazes de ativar as células T CD8+. O recente artigo de Semmling, Lukacs-Kornek e colaboradores fornece evidências da existência de uma via alternativa pela qual células NKT, de maneira independente de linfócitos T CD4+, podem licenciar células dendríticas do baço a ativar linfócitos T CD8+. Este conceito não é propriamente inédito, mas o artigo o revisita de modo inovador, acrescentando mecanismos até agora desconhecidos. A interação cognata entre células NKT e células dendríticas apresentando glicolipídeos via CD1d leva à produção de CCL17 pelas DCs. CCL17 seria então responsável por atrair as células T CD8+ expressando CCR4, direcionando-as para as células dendríticas licenciadas que irão ativá-las. Sempre bom encontrar artigos abordando de forma interessante temas não muito explorados na imunologia, tais como apresentação cruzada e células NKT. Espero que os que acompanham o blog também aproveitem. Boa leitura!
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