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quarta-feira, 27 de junho de 2012

… e as moléculas gasosas na inflamação?


Em tempo de conferência da Rio+20 muita gente fala do papel do monóxido de carbono (CO) na poluição. Longe de tentar desviar a atenção para este tópico, o que este post analisa é o papel biológico do CO. Uma consulta aos posts do SBlogI evidencia a preferência molecular da imunologia: uma ampla predominância das proteínas, algo de ácidos nucleicos, pinceladas nas lípidas e uma indiferença olímpica pelos gases, excetuado o óxido nítrico.
Uma busca no Pubmed por "nitric oxide"[Title/Abstract] comparado com "carbon monoxide" ilustra a diferença: entre 2008 e 2011 foram publicados cerca de 5.550 artigos por ano sobre NO e em torno de 1.000 por ano sobre CO. Devo ressaltar que estes números incluem todas as áreas do conhecimento cobertas pelo Pubmed e não somente a imunologia.
Um artigo publicado na Blood sobre o mecanismo anti-inflamatório do CO comenta possíveis aplicações terapêuticas desta molécula e achei que seria interessante trazer esta temática (mesmo correndo o risco de eterizar o blog).
A estrela de hoje, o CO, é um gás sem cor, sem odor e sem gosto e um pouco mais leve que o ar.  “Worldwide, the largest source of carbon monoxide is natural in origin, due to photochemical reactions in the troposphere that generate about 5 x 1012 kilograms per year.  Other natural sources of CO include volcanoes, forest fires, and other forms of combustion.” Na atmosfera, ele se combina com o oxigênio e forma o dióxido de carbono e o ozônio, o que explica a sua relevância na Rio+20. Este aspecto, contudo, não é o objeto deste post.
Como muitas outras substâncias, ele é produzido no metabolismo normal porém em concentrações elevadas é tóxico.  O CO se liga fortemente aos átomos de ferro da hemoglobina. A afinidade de CO pelo ferro é 200 vezes maior que a afinidade entre oxigênio e a hemoglobina. Esta alta afinidade explica os efeitos tóxicos do CO quando em concentrações elevadas.
O CO é formado endogenamente como produto do sistema enzimático da heme-oxigenase (HO) durante o catabolismo oxidativo do heme. Ele é um dos três gases implicados na modulação da resposta inflamatória, juntamente com o NO e com o sulfeto de hidrogênio.  Os três são conhecidos como anti-inflamatórios, vasodilatadores e estimuladores da neovascularização.
O artigo “Pretreatment with CO-releasing molecules suppresses hepcidin expression during inflammation and endoplasmic reticulum stress through inhibition of the STAT3 and CREBH pathways” (Blood. 2012;119(11):2523-2532; doi 10.1182/blood-2011-07-366690). A hepcidina regula a homeostasia do ferro. Níveis elevados de hepicidina bloqueiam a liberação de ferro pelos macrófagos e reduzem a absorção intestinal de ferro, contribuindo para a anemia ferropriva. A IL-6 é o principal regulador da expressão de hepcidina, eleva os níveis de hepcidina e reduz os níveis de ferro sérico. Assim, a hepcidina está implicada na anemia observada durante a inflamação. “anti–IL-6 Abs block hepcidin mRNA expression in vivo and in hepatocytes stimulated by lipopolysaccharide (LPS).9 Furthermore, IL-6– deficient mice display impaired hepcidin induction and do not display low serum iron in response to pro-inflammatory stimuli.9 These observations suggest a relationship between IL-6 and the expression of hepcidin in inflammation.” A IL-6, contudo, não é o único agente regulador, e a IL-1 também estimula sua expressão.
Adicionalmente, foi demonstrado que a “unfolded protein response (UPR) associada com o stress do retículo endoplasmático (ER) também pode induzir proteinas de fase aguda, incluindo a hepcidina, estabelecendo uma relação entre UPR, imunidade inata e homeostasia do ferro. No trabalho os autores investigam “whether the modulation of cytokine- and UPR-dependent signaling pathways by therapeutic gases such as CO could attenuate overpro- duction of hepcidin. Specifically, we found that CO could inhibit both IL-6– and ER-stress–induced hepcidin expression. We there- fore investigated the underlying mechanisms for this homeostatic function of CO on iron metabolism.”
O CO é capaz de inibir a expressão de IL-6 induzida pela IL-6 através da inibição da fosforilação de STAT-3, e também inibe o afeito dos agentes de stress do ER via ação sobre a maturação de CREBH. A ação do CO sobre a expressão de hepcidina induzida por IL-6 é dependente da supressão de SOCS-3. Como o CO é capaz de agir sobre as duas vias, os autores propõem que os novos alvos terapêuticos identificados podem ser úteis no manejo da anemia associada com a inflamação crônica e com as doenças metabólicas.


Schematic diagram of proposed pathways
Figura do artigo.
    

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

...Dar rIL-6 para reforçar a resposta imune frente a infecções virais crônicas?



Parte essencial do sucesso de um agente infeccioso é garantir a latência da infecção no hospedeiro mediante a manipulação da resposta imune a través de diversos mecanismos que incluem deleção ou exaustão das células T, alteração da produção de anticorpos e de citocinas...  Infecções virais crônicas proporcionam modelos interessantes para o estudo destes fenômenos.

Um artigo publicado na Science em Novembro 11 (1), mostrou um aspecto interessante do papel de IL-6 na resposta imune frente a este tipo de infecções crônicas. Usando um modelo de infecção viral crônica e comparando-o com uma infecção aguda em camundongos, foi mostrado que no caso crônico existem dois picos de produção desta importante e pleiotrópica citocina. A novidade é respeito à função do segundo pico, essencial para o controle da carga viral, por ser requerido para indução de células T Helper Foliculares (CD4 que se caracterizam por expressarem CXCR5, PD-1 CD200, ICOS e ausência de SLAM), a traves da ativação do fator de transcrição Bcl6 (2). A fonte principal desse segundo pico de IL-6 são as células dendríticas foliculares.

Na ausência desta produção tardia de IL-6 não há um adequado desenvolvimento de células TFH, e conseqüentemente não há desenvolvimento de centros germinativos, levando a uma deficiente resposta de anticorpos frente ao vírus, e obviamente um aumento da carga viral nesta fase da infecção.

Este artigo me lembra algo importante de considerar sempre nas nossas pesquisas: Além de perguntar ”quem produz o quê”, temos que nos perguntar:  “Quando”.  E este artigo mostra abordagens práticas para analisar este ultimo ponto, no caso da produção de IL-6. 
 
Alguns artigos anteriores sugerem que IL-6 poderia ser importante na fisiopaologia de infecções virais crônicas em humanos (3). Contudo,  falta confirmar se o mesmo fenômeno mostrado aqui, de IL-6 produzida de forma tardia, ocorreria em infecções virais crônicas em humanos, ou até mesmo em outras infecções produzidas por patôgenos intracelulares. Tal vez seja bom dar um “boost ” de IL-6 no momento certo para pacientes sofrendo de infecções virais crônicas como hepatite ou HIV?

Referencias
1- Harker JA, Lewis GM, Mack L, Zuniga EI.  Late interleukin-6 escalates T follicular helper cell responses and controls a chronic viral infection. Science. 2011 Nov 11;334(6057):825-9. Epub 2011 Sep 29.PMID: 21960530
2- Kitano M, Moriyama S, Ando Y, Hikida M, Mori Y, Kurosaki T, Okada T. Bcl6 protein expression shapes pre-germinal center B cell dynamics and follicular helper T cell heterogeneity. Immunity. 2011 Jun 24;34(6):961-72. PMID: 21636294
3- Birx DL, Redfield RR, Tencer K, Fowler A, Burke DS, Tosato G. Induction of interleukin-6 during human immunodeficiency virus infection. Blood. 1990 Dec 1;76(11):2303-10. PMID: 2257304.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

This post might boost your immunity



O título This post might boost your immunity é de um post de Christian Torres no Spoonful of Medicine, um blog da Nature, publicado hoje.
"Today’s dose will give your immune system a boost. There’s good news for those suffering from COPD, and some not-so-good news for the food pyramid. Also, what can brown (fat) do for you? 
-- See that picture? We just boosted your immune system, apparently. In a new study, 28 individuals were shown a slideshow of images featuring sick people. Blood was drawn before and after, and researchers found that levels of interleukin-6 (IL-6), an immune system molecule, jumped 23% during the slide show. Some participants instead saw a slideshow with guns being pointed at them, but they experienced a mere 6% boost in IL-6. (Psychology Today via Gawker — yes, Gawker)"
Leia o post inteiro.

Image by tanjila via Flickr Creative Commons
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