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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Simpósio Keystone sobre resposta imune inata em doenças infecciosas ocorrerá em maio no Brasil


Ainda é possível submeter resumos para o Simpósio Keystone que ocorrerá em maio deste ano na Universidade Federal de Ouro Preto, "o primeiro de uma série", esperam os organizadores.

Organizado por uma rede internacional, sob a liderança de Ricardo T. Gazzineli, Gustavo P. Amarante-Mendes, Anne O'Garra e Alan Sher, o simpósio tratará sobre a resposta imune inata na patogênese de doenças infecciosas.

Vale a pena conferir a rica programação científica prevista para os cinco dias do simpósio (aqui).



Os resumos poderão ser submetidos até o próximo dia 4 de fevereiro, acessando o seguinte link: submissão.

Mais detalhes abaixo.


The innate immune receptors and pathways involved in pathogen recognition are the subject of intense research. Nevertheless, our overall understanding of the complex interactions between innate immunity and infectious agents and how they influence disease development is still limited. In this meeting, we plan to address the following main points: (i) molecular events of innate recognition and host cell activation by infectious agents; (ii) innate mechanisms of pathogen elimination or persistence in host cells; (iii) the consequences of activation/evasion of specific innate immune pathways on microbial pathogenesis and disease outcome; (iv) the role of innate immunity in the development of beneficial versus deleterious acquired immune responses during infectious diseases; and (v) manipulation of specific innate immune pathways for therapeutic and prophylactic intervention in infectious diseases. A major emphasis of the scientific program will be on infectious diseases of the tropics, where the role of innate immunity is less delineated. It is hoped that the symposium will generate a new understanding of innate host-pathogen interactions that regulate resistance versus disease outcomes and by so doing contribute to the design of new strategies for immunological intervention.

The rational development of immunological interventions that are effective for treating or preventing infectious diseases is still on its infancy. For decades, the majority of the studies on immunopathogenesis have dealt with physical damage and inflammation, primarily mediated by lymphocytes. The main focus of our scientific program will be on the interface of the innate immunity and microbial pathogens, as a key step that is determinant of protective versus deleterious immune responses, and thereby of disease outcome. The meeting will promote discussions on fundamental concepts as well as new advances in the role of innate immunity in host resistance and pathogenesis of infectious diseases, with special emphasis on infections of the tropics. Investigators from different areas, such as biochemistry, cell biology, immunology, microbiology, parasitology, infectious diseases, tropical medicine and biotechnology will be included to encourage the discussion of interdisciplinary concepts and new directions for the field. This is the first of a series of Keystone meetings to be held in Brazil, and should also foster the participation of Latin American students and scientists.  The close interaction of these participants with leading international experts in the field should lead to a stimulating atmosphere that we hope will promote the development of new South-North collaborations and research networks.





sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Leucócito rolando montanha abaixo



O sujeito que inventou meeting em montanha não tem mãe. Primeiro que pra quem não gosta de esquiar (feito eu), é um saco. Depois a altitude. Como é que se pode botar um individuo dentro de uma sala sem oxigênio e esperar que o cara faça sentido das coisas? Ora, se pra mim já é dificil entender esse nosso húngaro no nivel do mar, imagine a quase 4000 metros de altitude.

Essa é a segunda vez que venho a Breckenridge, no Colorado.  Na primeira vez quase morro de doença da altura, que credito em parte a uma bela carraspana no dia da abertura do meeting. Fiquei tão mal que acabei no hospital tomando oxigênio. Dei meu talk e fui embora logo depois. Jurei que nunca mais.....

Só que me convidaram de novo pra organizar, e me disseram que com Diamox tudo se resolve. A carne é fraca. Topei. Topei, mas decidi que cachaça nem em vitrine. O que, convenhamos, é uma tragédia, uma vez que pra aproveitar o meeting, a cachaça sempre ajuda.  Isso porque o povo não mostra nada que não tenha sido publicado, ou que nao esteja em vias imediatas de publicação. Pra aprender algo novo, ou pra discutir o que se viu, só no bar... Entre uma conversa e outra, as novidades escapam de fininho.

Esse meeting foi sobre quimiocinas e tráfico de leucócitos e aconteceu agora no começo de 2012. Foi co-organizado por Bill Agace (Suecia), por Sirpa Jalkanen (Finlandia) e pelo limoeirense aqui. Antes eram meetings separados, mas o pessoal de Keystone resolveu juntar as tribos, o que faz sentido. Os talks inaugurais foram de Eugene Butcher e de Phil Murphy, representando cada uma das tribos. O talk de Phil foi sobre o uso terapeutico de bloqueadores de CXCR4 e o de Gene foi um talk partido em dois. No primeiro ele mostrou estudos sobre a diferenciação de células plasmocitoides no intestino e no segundo mostrou uma quantidade cavalar de resultados com a tecnologia do CyTOF desenvolvida por Garry Nolan em Stanford. Bom, se voces já estão confusos em chamar uma célula dendritica de maria cavalcanti de albuquerque romão silveira preparem-se. Vem aí o mundo dos 100 marcadores fenotípicos.

O que acontece depois que o leucócito adere a parede do vaso sanguineo. Ronen Alon do Weizman Institute mostrou que o tráfico de células T efetoras é diferente das células naive ou de memória. As últimas dependem de quimiocinas para aderirem, as efetoras dependem de quimiocinas para atravessar o endotelio. Ele usou microscopia eletronica de varredura pra mostrar que essas células ao penetrarem entre as células endoteliais emitem o que ele chama de millipeds que fazem conexão com focal contacts intracelulares onde existem pockets de CCL2. Ou seja, esses milipeds, penetram a membrana das células endoteliais... Ele postula que as quimiocinas são importantes pra transmigração, especialmente os ligantes para CCR1, CCR22 e CCR5. O processo é extremamente rapido, durando cerca de 90-120 ms. No dia seguinte escutamos Sussan Nourshargh de Londres falar sobre migração de neutrófilos. Ela apresentou uns filminhos espetaculares que mostram que os neutrófilos usam a via paracelular em 90% dos casos e transcelular no resto. O acontece com as células depois da adesão foi tambem bastante discutido nesse meeting. Sussan mostrou que depois que os neutrófilos passam pelo endotelio, eles rastejam pelos pericytes antes de cruzar a membrana basal. E que curiosamente os neutrófilos as vezes voltam pro lumen do vaso. Esse processo é raro, mas esta aumentado significamente em condições de reperfusão. Sera que isso tem alguma função?

Paul Kubes mostrou umas imagens espetaculares de inflamação no fígado. Em particular uma serie de estudos mostrando interações de neutrofilos e plaquetas nos sinusoides. Mostrou que hyaluran é importante para adesão de neutrófilos nos sinusoides. Mostrou tambem modelos de inflamação no contexto de infecção bacteriana e em modelo de inflamação esteril (calor).

Contribuições técnicas. As duas novas tecnologias que se destacaram foram as de CyTOF, descrita no talk de Gene Butcher e a de  histocitometria, introduzida pelo pessoal do lab de Ron Germain (NIH). A tecnica consiste em scanear laminas que tenham sido incubadas com ate onze distintos anticorpos. Isso vai permitir uma melhor visualização de populações específicas em linfonodos, baço, medula, etc.

Burkhard Ludewig (Suiça) falou sobre uma serie de bichos novos que criou expressando Cre em células fibroblasticas reticulares. Esses reagentes vão ser muito importantes para estudar a biologia de células do estroma, por permitir ablacao especifica via Cre de gens no estroma do baço, linfonodo, etc.

 Migracao de monócitos/DC: Nessa sessão se discutiram as últimas novidades em migração de monócitos e subsets de dendritic cells. Aqui falou minha colega Miriam Merad (Mount Sinai, New York), que estuda a ontogenia das células dendriticas e tem sido responsável por avanços significativos nessa area. Por exemplo, o seu lab mostrou que a microglia se origina de células provenientes do yolk sac, numa fase muito precoce do desenvolvimento e não de monócitos circulantes. Ela tambem apresentou resultados sobre a ontogenia das células de Langerhans e de populacoes dendriticas no intestino.

Na mesma sessão Steffen Jung do Weizman Institute (Israel), falou sobre fractalkine (CX3CL1). Mais especificamente sobre a função da fractalkine de membrana versus a forma solúvel. A fractalkine é uma das duas quimiocinas que existe como uma proteina de membrana (a outra é CXCL16). A forma de membrana pode ser processada por ADAM 10 e 17, e dá origem uma forma solúvel. Steffen criou varios modelos geneticos para estudar essa proteína e mostrou que a forma solúvel é essencial para resgatar um fenotipo que tinhamos visto antes em fractaline knockout mice criados pelo meu grupo. Um grupo de macrófagos do intestino emitem umas extensões citoplasmaticas que se interpolam entre as células epiteliais (Trans-epithelial dendrites, ou TEDs) e scan o lumen do intestino. Tais extensões desaparecem nos knockouts de fractalkine, mas ao cruzar os knockouts com animais expressando a forma solúvel da fractalkine (via BAC transgenesis), essas extensões reaparecem (ele usa CX3CR1 GFP knockins para monitorar os macrófagos). A forma solúvel nao consegue corrigir um outro defeito associado com a falta de fractalkine e seu receptor, CX3CR1, que é a apoptose de monócitos. Nesse caso só a forma transmembrana recupera o fenotipo.

Guy Shankar (tambem do Weizman Inst, Israel) foi mais além. Ele mostrou que TEDS não são exclusivos dos macrófagos. Mostrou que células dendriticas na lamina propria podem ser recrutadas para o epitélio, e que tambem podem emitir TEDS. Isso tem implicações em patogênese. Os macrófagos que são CX3CR1+, estão junto do epitélio e dai não saem, dali ninguem lhes tira. As DC, migram pro linfonodo mesentérico. Então nossa amiga salmonella, sai do lumen direto pro linfonodo. Talk muito claro, imagens fantasticas, diagramas muito bem feitos.

Gwen Randolph falou sobre o papel da gordura perinodal em migração de células dendriticas e macrofagos. O talk foi um pouco prejudicado por ter sido dado a 450km/h. 

Linfáticos, a fronteira. Varios talks sobre a biologia dos linfaticos, que é nossa caixa preta. Um muito bom de Reinhold Forster, que feito um japones, canulou um linfatico na perna de camundongo….Para estudar como as células dendriticas e as T cells se movimentam uma vez que tenham chegado ao linfonodo. As células dendriticas e as células T que vem da periferia (ao inves do sangue pelas HEV) percorrem caminhos distinto uma vez no linfonodo.

Michael Sixt (Austria) deu um dos melhores talks to meeting. Apresentou resultados sobre a migração de DC em direção aos linfáticos. O processo  é dependente da expressão  CCL21 nos vasos linfáticos e de CCR7 nas DC. Até aí nada de novo. O que ele mostrou de novo foi a presença de gradientes fixos de CCL21 que decaem exponencialmente ao redor dos vasos. Os gradientes não são solúveis, mas imobilizados em heparan sulfate (haptotaxis). Uma vez que o heparan sulfate é removido, o gradiente achata e a migração  das DC é abolida. Esse estudo é importantissimo porque até hoje não se tinha demonstrado a existência de gradientes em vivo para quimiocinas.

De dia é Maria de noite é João. Paul Frenette (Albert Einstein, New York) falou sobre ritmos circadianos na migracao de precursores hematopoieticos para a medula óssea e pros tecidos. Esses resultados tem implicações para transplante de medula. Tambem abre novas perspectivas para entender o efeito do jetlag no sistema immune e para oferecer explicações sobre porque nos modelos de choque séptico os animais morrem mais ao serem induzidos de noite do que de dia.

O melhor talk do meeting. Uli von Andrian (Harvard), deu um talk magistral sobre o papel das NK cells na resposta adaptativa. Perai, NK cell? Sim, prezados ouvintes, ela mesma… Esse trabalho deriva de resultados do grupo dele desde 2006 mostrando que Rag-deficient mice tem contact hypersensitivity. Animais Rag gamma C ou Scid gamma C, que não tem NK, não tem resposta. A resposta é restaurada atraves de adoção de células NK. Parte do trabalho na recall response saiu na Nat Imm em 2010. Uli acha que o priming e’ feito no linfonodo, as celulas migram pro fígado (ai as NK são Thy1+Mac-1+CXCR6+) e daí pro pulmão, onde segundo ele, se transformam em memory NK. Immunizou a seguir rag ko com  com antígenos virais e mostrou proteção contra um desafio letal. E a seguir clonou as celulas NK, e fez transferência de núcleo, gerando animais completamente derivados dessas células (isso é que eu chamo uma tour de force, trabalho em colaboração com Hidde Ploegh). Nesse momento procura saber se há um substrato genético para memória, que envolva alterações no nivel de DNA.

Algumas pessoas questionaram se essa titica de celulas NK seriam importantes na resposta imune global, outros acharam que os experimentos de clonagem não oferecem respostas definitivas uma vez que algumas alterações epigenéticas não são totalmente apagadas pela clonagem... Normal, tem sempre a descrença, irmã da inveja. Assistindo o talk dele eu tive a impressão de que ele ja sabe mais do que falou...E acho que se ele provar que tem modificacao no DNA (que a resposta não é epigenetica) ele terá na mão a evidência que não só T and B cells can do it…e que as celulas NK não são tão inatas assim…E talvez exista uma grande descoberta aí na esquina....

Em suma, o meeting foi muito bom. Imaging e genética, aliados a novas técnicas de fenotipagem, estão nos proporcionando um conhecimento mais detalhado dos processos imunológicos. Precisamos avancar mais em relacao a biologia do sistema linfatico, entender melhor o processo de formacão de gradientes de quimiocina, estudar padrão de migração de populacoes como eosinófilos, basofilos, LTi-like cells, etc. Entender melhor os mecanismos de comunicacao entre o sistema nervoso e o sistema imune, em particular o controle de mobilizacao de celulas especificas da medula ossea... Temos muita estrada pela frente.  

Agora, teria sido muito melhor se esse meeting tivesse sido em Angra ou em Porto de Galinhas. A gente sabe porque.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Congresso sobre mecanismos da vacinação


Uberlândia (chove, chuva...) - Recomendo aos interessados o evento programado para o segundo semestre deste ano em Seattle, EUA, sobre mecanismos de ação das vacinas. Será um evento muito interessante, onde haverão palestras sobre vários aspectos relacionados a protocolos profiláticos contemporâneos. O evento é organizado pelo Keystone Symposia e terá suporte do Bill & Melinda Gates Foundation, com a possibilidade de obtenção de auxílios financeiros aos interessados. Segue abaixo um resumo do encontro.

Bom proveito aos interessados e não percam as deadlines!
Abraços, Tiago.

Immunological Mechanisms of Vaccination
Sheraton Seattle Hotel, Seattle, Washington, USA
October 27-November 1, 2010


Scientific Organizers:
Bali Pulendran, Rino Rappuoli and Bruce A. Beutler

Keynote Session:
Dr. Tadataka Yamada, Bill & Melinda Gates Foundation
Dr. Anthony S. Fauci, National Institutes of Health

Meeting Session Topics:

Innate Sensing of Pathogens and Vaccines

Understanding T and B Cell Memory to Vaccines

Systems Biological Approaches to Vaccination and Infections

Novel Approaches to Understanding Host-Microbe Interactions

Translating Immunity to Vaccines

Immunity and Vaccines Against Pandemics and Emerging Pathogens

Immunology of Adjuvants



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