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| Interação de FOXP3 com outros fatores de transcrição, e seu papel na atividade das Treg. (From: Y Gao et. al. Genes and Immunity (2012) 13, 1-13) |
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Células T reguladoras na era pós genômica
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Células iTreg surgiram para proteger o feto
Figura. A. O timo forma duas populaçãoes de células T, as células Treg naturais (denominadas tTreg nesta figura), que são Foxp3 positivas, e as células T convencionais, que são Foxp3 negativas. B. No entanto, na periferia de mamíferos eutérios, células T convencionais respondem a sinais de TGF-beta, induzindo a expressão de Foxp3 e formando células Treg induzidas (denominadas pTreg nesta figura). Para isto, a expressão do enhancer de foxp3 CNS1, que liga proteínas Smad, é necessária. C. A previsão deste trabalho é que em vertebrados não-eutérios, as células iTreg não existam. Figura retirada de: Gobert M, Lafaille JJ. Maternal-fetal immune tolerance, block by block. Cell. 150: 7-9, 2012.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Descoberta de células Treg induzidas por IL-18 reforça a “Hipótese da Higiene”
Outros aspectos da hipótese da higiene ainda necessitam esclarecimentos. Os resultados sugerem que patógenos muito imunogênicos, que induzem uma forte resposta Th1, não funcionam como agentes protetores da asma. Os autores discutem as características imunogênicas do H. pylori. O que seria crucial para a seu papel immunorregulatório ? O H. pylori praticamente não estimula PAMPs. Sua flagelina não liga em TLR5, e seu LPS é inativo, não estimula TLR4. O H. pylori possui ligantes de TLR2, mas se sabe que este é um receptor predominantemente antiinflamatório. Estas características de baixa imunogenicidade seriam importantes para reprogramar DCs, provocar a secreção de IL-18 e para gerar células Treg, levando a uma infecção crônica. Os resultados sugerem que o microorganismo precisa reunir várias condições especiais, que o impedem de ativar uma resposta Th1 plena.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
O seu Foxp3 está acetilado o suficiente?
A expansão ex-vivo das células T reguladoras (Treg) a partir de amostras de sangue periférico com o objetivo de transferi-las posteriormente em pacientes que sofrem diversas doenças inflamatórias seria uma maneira muito interessante (tal vez dentre as mais desejadas atualmente) de utilizar o potencial imuno-modulador destas células (1).
Na carreira por entender o funcionamento destas células, várias dificuldades tem surgido para os pesquisadores (veja os posts previos sobre Tregs aqui). Além da conhecida procura por um marcador adequado para a separação específica de células Treg intatas (que gerou varias discussões interessantes no passado, e que ainda continua a gerar), e da mais recentemente aparição de vários subtipos de Treg e de outras populações celulares com funções supressoras diversas, existe outra dificuldade muito importante para alcançar esse propósito de ter uma infusão de Treg pronta: Como enriquecer uma cultura com células Treg principalmente. Isto é, como fazer com que uma porcentagem muito grande das células que se pretende transfundir seja Treg.
A acetilação de resíduos de lisina é uma modificação pós-traducional sofrida pelo foxp3 que foi descrita há certo tempo. Este processo de acetilação de resíduos de lisina e arginina presentes em histonas (proteínas responsáveis por manter a estrutura do DNA) é crítico para a regulação da expressão gênica. Agora sabe-se também que a acetilação é capaz de regular a função de fatores de transcrição com funções no sistema imune, como o foxp3 e fatores que induzem sua expressão (como NF-Kbp65, smad3, stat5). A acetilação do foxp3 torna esta molécula menos suscetível a ser degradada pelo proteassoma, e ao mesmo tempo potencia sua atividade sobre a expressão de outros genes.
Entao, para obter uma maior proporção de Treg na sua cultura celular (e com maior potencia supressora), adicione um inibidor da deacetilase apropriada (como a Tricostatina). Ou trate o indivíduo com o inibidor da deacetilase para induzir tal efeito já in vivo (2, 3).
Não é tão simples assim, pois a lista de alvos e efeitos moleculares da acetilacao está crescendo contínuamente. Um fato curioso é o recorrente vínculo entre a resposta ao estresse, regulação metabólica e a regulação da resposta imune. Por falar um exemplo, a sirt-1, uma deacetilase pertencente à família das sirtuins (dependentes de NAD) é crucial na manutenção do funcionamento de foxp3 (4-7), e está envolvida na indução de obesidade entre outras funções (8).
Contudo, esses estudos constituem avanços no entendimento do funcionamento do foxp3 e das Treg, abrindo novas possibilidades terapéuticas para doenças inflamatórias e neoplásicas, entre outras.
- Brunstein CG et al., Infusion of ex vivo expanded T regulatory cells in adults transplanted with umbilical cord blood: safety profile and detection kinetics, Blood 117, 3 (Oct 2010): 1061-1070.
- Wang L, Tao R, Hancock WW. Using histone deacetylase inhibitors to enhance Foxp3(+) regulatory T-cell function and induce allograft tolerance. Immunol. Cell Biol. 2009 Abr;87(3):195-202.
- Moon C, Kim SH, Park KS, Choi BK, Lee HS, Park JB, et al. Use of epigenetic modification to induce FOXP3 expression in naïve T cells. Transplant. Proc. 2009 Jun;41(5):1848-1854.
- van Loosdregt J, Brunen D, Fleskens V, Pals CEGM, Lam EWF, Coffer PJ. Rapid Temporal Control of Foxp3 Protein Degradation by Sirtuin-1. PLoS ONE. 2011 Abr;6(4):e19047.
- Beier UH, Akimova T, Liu Y, Wang L, Hancock WW. Histone/protein deacetylases control Foxp3 expression and the heat shock response of T-regulatory cells. Curr Opin Immunol [Internet]. 2011 Jul 26.
- van Loosdregt J, Vercoulen Y, Guichelaar T, Gent YYJ, Beekman JM, van Beekum O, et al. Regulation of Treg functionality by acetylation-mediated Foxp3 protein stabilization. Blood. 2010 Feb 4;115(5):965-974.
- Beier UH, Wang L, Bhatti TR, Liu Y, Han R, Ge G, et al. Sirtuin-1 targeting promotes Foxp3+ T-regulatory cell function and prolongs allograft survival. Mol. Cell. Biol. 2011 Mar;31(5):1022-1029.
- Clark SJ, Falchi M, Olsson B, Jacobson P, Cauchi S, Balkau B, et al. Association of Sirtuin 1 (SIRT1) Gene SNPs and Transcript Expression Levels With Severe Obesity. Obesity. 2011 Jul 14.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
GITR: co-estimulação positiva ou negativa?
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Coma uma cenoura, também um pouco de gordura, e não se esqueça de amamentar o seu bebê

Não é de hoje que se discutem os efeitos da carência e do excesso da ingestão da vitamina A na dieta. Centenas de milhões de indivíduos não ingerem quantidades suficientes desta vitamina, o que tem sido associado a alta mortalidade resultante de infecções gastrointestinais e pulmonares. O aumento da susceptibilidade a estas infecções pode ser atribuída a danos causados aos epitélios e defeitos na capacidade efetora do sistema imunológico contra patógenos.
Foi no ano de 2007 que vários grupos de pesquisa mostraram o papel do ácido retinóico (RA) no desenvolvimento de um grupo específico de linfócitos, as células T reguladoras. O ácido retinóico é produzido por células dendríticas intestinais (CD103+), que juntamente com TGF-β induz expressão de Foxp3 por células T naive. Neste mesmo ano, pesquisadores descreveram ainda que o RA inibe o desenvolvimento de células Th17, subpopulação com atividade pró-inflamatória. Estabeleceu-se assim que o RA, promovendo desenvolvimento das células T reguladoras e inibindo o desenvolvimento de células Th17, é um importante modulador de respostas inflamatórias potencialmente deletérias.
Neste mês, Jason Hall e colaboradores publicaram na Immunity um trabalho demonstrando que RA é importante na indução de células T CD4 efetoras durante a infecção pelo Toxoplasma gondii e a vacinação. Os pesquisadores demonstraram pela primeira vez o envolvimento do receptor de RA, que, na superfície de linfócitos T, interage com seu ligante e tem papel na indução da imunidade celular. Assim, este trabalho adiciona às atribuições do RA um papel também inflamatório durante a resposta imune.
Pontos chaves para estimular a leitura deste trabalho:
- Sinalização do RA ocorre sistemicamente durante a infecção pelo T. gondii, agindo nas células T CD4, independente da via de infecção.
- Respostas de células Th1 e Th17 encontram-se prejudicadas durante infecção pelo T. gondii e vacinação na ausência de metabolitos da vitamina A.
- Na ausência de vitamina A, o RA restabelece as respostas do tipo Th1 e Th17, e o equilíbrio de células T no tecido linfóide associado ao intestino, durante a infecção pelo T. gondii e vacinação.
- A deficiência do receptor de RA é responsável pelos mesmos efeitos na homeostase de células T observados durante a deficiência da vitamina A.
- Receptor de RA regula a ativação de células T.
E para os interessados, seguem algumas referências:
1) Hall JA, Cannons JL, Grainger JR, Dos Santos LM, Hand TW, Naik S, Wohlfert EA, Chou DB, Oldenhove G, Robinson M, Grigg ME, Kastenmayer R, Schwartzberg PL, Belkaid Y. Essential Role for Retinoic Acid in the Promotion of CD4(+) T Cell Effector Responses via Retinoic Acid Receptor Alpha. Immunity. 2011 Mar 25;34(3):435-47.
2) Vaishnava S, Hooper LV. Eat Your Carrots! T Cells Are RARing to Go. Immunity. 2011 Mar 25;34(3):290-2.
3) Coombes JL, Siddiqui KR, Arancibia-Cárcamo CV, Hall J, Sun CM, Belkaid Y, Powrie F. A functionally specialized population of mucosal CD103+ DCs induces Foxp3+ regulatory T cells via a TGF-beta and retinoic acid-dependent mechanism. J Exp Med. 2007 Aug 6;204(8):1757-64.
4) Mucida D, Park Y, Kim G, Turovskaya O, Scott I, Kronenberg M, Cheroutre H. Reciprocal TH17 and regulatory T cell differentiation mediated by retinoic acid. Science. 2007 Jul 13;317(5835):256-60.
5) Sun CM, Hall JA, Blank RB, Bouladoux N, Oukka M, Mora JR, Belkaid Y. Small intestine lamina propria dendritic cells promote de novo generation of Foxp3 T reg cells via retinoic acid. J Exp Med. 2007 Aug 6;204(8):1775-85.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Bactérias comensais do gênero Clostridium promovem células T reguladoras no intestino.
Em um artigo publicado na Science express no dia 23 de dezembro, o grupo liderado por Kenya Honda da Yakult Central Institute for Microbiological Research em Tóquio, Japão mostra que bactérias comensais do gênero Clostridium, mas não outras bactérias comensais como Bacteroides, são as responsáveis pelo acúmulo de células T reguladoras (Treg) no intestino (Atarashi et al, 2010).
Primeiramente, os autores observaram aumento da frequência de Treg na lâmina propria do cólon e intestino delgado de acordo com a idade dos animais (2 -13 semanas de idade). Em seguida, eles observaram que a frequência de Treg no cólon, mas não no intestino delgado, era menor em animais germ-free do que em animais SPF (specific pathogen free); e quando os animais germ-free foram recolonizados com suspensão fecal de animais SPF, observou-se um aumento da frequência de Treg no cólon. Esses resultados sugerem que a microflora indígena permite acúmulo de Treg no cólon. Os autores também mostraram que o tratamento de animais SPF com vancomicina, antibiótico que ataca bactérias Gram-positivas, resulta na diminuição de Tregs no cólon enquanto que tratamento com polimixina B cujo o alvo é principalmente bactérias Gram-negativas, não afetou a frequência de Treg no cólon. Uma vez que bactérias do gênero Clostridium são uma das principais bactérias Gram-positivas presentes no trato gastro-intestinal de camundongos, os autores apostaram em uma possível ligação entre essas bactérias e a geração/manutenção de Tregs. Para testar essa hipótese, eles colonizaram animais germ-free com um coquetel de 46 cepas de Clostridium e observaram aumento significativo de Treg no cólon mas não no intestino delgado. Para avaliar se esse efeito era especificamente induzido por Clostridium, os autores colonizaram os animais germ-free com outras bactérias também presentes na microbiota como as Bacteroides. Colonização com Bacteroides não resultou em aumento de Treg no colon, sugerindo um efeito específico do Clostridium.
Em seguida, os autores caracterizaram essas Treg induzidas por Clostridium. Uma fração significativa das Treg presentes no colon de animais ex-germ-free (colonizados com Clostridium) não expressa Helios, fator de transcrição que parece ser expresso por Treg naturais (Thornton et al, 2010), sugerindo que essas Treg foram diferenciadas de células T naïve. Uma vez que a produção de IL-10 por Treg está relacionada a sua atividade imunossupressora, o grupo de Honda investigou a produção de IL-10 usando um camundongo knock-in repórter no qual as células produtoras de IL-10 são YFP+ (Il10venus) e observou que as Treg presentes no colon de animais germ-free colonizados com Clostridium, mas não com outras bactérias, produzem IL-10, e não expressam Helios, sugerindo novamente que as Treg acumuladas no cólon foram induzidas a partir de não células T não reguladoras.
O acúmulo de Treg no cólon induzido por Clostridium parece ser independente de sinalização via TLR uma vez que animais germ-free deficientes em MyD88 colonizados com Clostridium apresentam o mesmo aumento de Treg quando comparado aos animais suficientes em Myd88.
Por último, para mostrar a importância de Clostridium na resposta imune regional e sistêmica, eles utilizaram modelo de colite induzida pelo composto químico DSS (dextran sodium sulfate), e modelo de imunização com ovalbumina (OVA). Animais cuja a microbiota era rica em Clostridium desenvolveram colite menos grave; e a imunização com OVA absorvida em Alum resultou em níveis séricos de IgE anti-OVA menores nos animais ricos em Clostridium no intestino. Esses resultados sugerem que o efeito de Clostridium vai além de manter/diferenciar Treg no cólon, influenciado também a resposta imune sistêmica.
Os resultados desse trabalho abre perspectivas para o tratamento de autoimunidade mas também levanta várias outras questões, como: quais as vias de sinalização envolvidas na geração de Treg por Clostridium (já que parece ser independente de TLRs)? Quais os componentes presentes no Clostridium que são reconhecidos pelas células do sistema imune levando a diferenciação/manutenção de Treg no colon? O efeito da colonização por Clostridium é direto nas Treg ou indireto via células dendríticas ou células T efetoras?
Referências
Atarashi K, Tanoue T, Shima T, Imaoka A, Kuwahara T, Momose Y, Cheng G, Yamasaki S, Saito T, Ohba Y, Taniguchi T, Takeda K, Hori S, Ivanov II, Umesaki Y, Itoh K, Honda K. Induction of Colonic Regulatory T Cells by Indigenous Clostridium Species. Science. 2010 Dec 23.
Round JL, Mazmanian SK. The gut microbiota shapes intestinal immune responses during health and disease. Nat Rev Immunol. 2009 May;9(5):313-23. Review. Erratum in: Nat Rev Immunol. 2009 Aug;9(8):600.
Thornton AM, Korty PE, Tran DQ, Wohlfert EA, Murray PE, Belkaid Y, Shevach EM. Expression of Helios, an Ikaros transcription factor family member, differentiates thymic-derived from peripherally induced Foxp3+ T regulatory cells. J Immunol. 2010 Apr 1;184(7):3433-41.









