BLOG DA SOCIEDADE
BRASILEIRA DE IMUNOLOGIA
Acompanhe-nos:

Translate

Mostrando postagens com marcador produção científica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador produção científica. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de abril de 2014

Dia da Imunologia: Como anda a Imuno no Brasil?

O tema proposto para o Dia da Imunologia em 2014 é Vacinação. A escolha se deve às recentes campanhas que difundem de forma fantasiosa e distorcida dados sobre insegurança das vacinas. 

Recentemente repercutiu bem na mídia o esforço brasileiro para obtenção de uma vacina contra o HIV (o que levou a menção da Presidenta Dilma aqui; veja também a repercussão na mídia brasileira aqui e aqui e internacional aqui, o que levou Edecio a ser incluído na lista dos 100 mais influentes da revista Época aqui). 


Além dos trabalhos que capturam a atenção do grande público, como anda a produção científica brasileira em vacinação? Fiz um levantamento no Web of Sciences dos artigos publicados no quinquênio 2009 a 2013 e não estamos mal. 
Usei os filtros indicados abaixo:
que resultaram em 2.272 artigos no período. 

Temos publicado cerca de 500 artigos/ano sobre vacinação (de forma ampla, devo mencionar) de 2011 a 2013. Os 2.272 artigos foram citados mais de 12.000 vezes (até 21/04/2014), o que não é pouco ao considerar que os artigos de 2013 tiveram pouco tempo para citação.

E como anda a nossa produção em imunologia em todos os campos? O levantamento feito no Scimago mostra que estamos com um número crescente de publicação e temos mantido certa competitividade com os outros países do BRIK (notem que não é o BRIC, pois substitui a China pela Coréia do Sul).
Nota: O ano de 2012 é o último disponível no site do Scimago.

É de se notar, porém, que a liderança do Brasil neste grupo não deve perdurar, considerada a inflexão da curva de produção coreana.

Em relação ao fator de impacto, também estamos bem no grupo:

E se compararmos com alguns Ss europeus?

Nota: Por que Espanha, Suécia e Suiça? Porque a Espanha tem crescido na área de imuno e os dois outros têm tradição no tema.
A situação do número de publicações é otimista, saímos da última posição (e bem abaixo dos demais) em 1996 e estamos em segundo lugar com uma vigorosa curva de crescimento em 2012 . 
A situação fica pior ao analisar o Índice H:

Quer se deprimir?
Veja o quadro abaixo:

Melhor não deprimir nem relaxar e sim trabalhar mais duro ainda.



quarta-feira, 26 de março de 2014

Um paper na Nature vale mais que 20 no Xoroxó Journal of Experimental Medicine? ou 
O que julgamos ao avaliar a produção científica?

Produção científica por país em todas as áreas indexadas no Scopus (2012). 
Ordenamento por número de publicações (esq) e por citações (dir). Fonte: Scimago.

Há várias evidências que a produção científica brasileira se expandiu numericamente de forma robusta nos últimos anos mas que a qualidade (definida por citações recebidas) não acompanhou o mesmo ritmo de crescimento. Esta defasagem não é uma surpresa, ela ocorre com vários países (ou instituições), sem tradição prévia, que expandem rapidamente a sua produção. Há várias possíveis explicações. Não tentarei tratar extensivamente as causas aqui, mas colocarei as minhas idéias sobre duas delas. 
Um dos componentes da distância entre número de publicações e citações decorre da falta de confiança com os emergentes e isto pode ser curado com a produção continuada de boa ciência. Neste ponto é fundamental uma prática continuada de extremo cuidado com a integridade científica. O comportamento de alguns dos países emergentes com a fabricação de dados não tem ajudado a melhorar a imagem, para dizer o mínimo. 
O outro aspecto que leva à distância entre número de publicações e de citações é que vários países se contentam com a produção numérica e não dão o passo para trabalhar na fronteira do conhecimento. Para corrigir este problema é necessário fazer um diagnóstico da situação e adotar medidas que minimizem os entraves e estimulem o trabalho nos grande temas da ciência e/ou em estudos de maior envergadura (aqui penso em grande estudos de coorte e ensaios clínicos, por exemplo).
Fatores inter alia que prejudicam a atuação nas áreas avançadas da pesquisa:
  • Irregularidade no financiamento para a pesquisa;
  • Financiamento pulverizado, consumindo muito tempo/esforço para obtenção do nível adequado de financiamento;
  • Burocracia e dificuldade no uso dos recursos;
  • Ausência de mecanismos para formação de grupos multidisciplinares de pesquisa;
  • Periculum horrorem;
  • Vícios de avaliação que reforçam o status quo, como o estímulo continuado à produção numérica sem claro comprometimento com a qualidade.

Qual o papel da comunidade científica na correção da situação? Em vários dos pontos listados, a maior ação é a pressão sobre as instâncias decisórias. Contudo em alguns casos, como nos dois últimos ítens da listagem acima, o papel da comunidade científica é fundamental, pois ela mesmo os pratica e tem grande poder de decisão.
O nosso sistema de avaliação de propostas científicas tem tal horror ao risco que penso já constitui uma patologia: o Periculum horrorem. Se precisamos de uma chance enorme que os resultados confirmem nossa hipótese qual a chance de encontrar algo novo? Na maioria destes experimentos, apenas desejamos quantificar um fenômeno conhecido. Evidentemente que o risco de não confirmar a hipótese precisa ser contrabalançado com hipóteses e experimentos bem formulados. Não precisamos lembrar que o risco de não confirmar a hipótese também pode decorrer de hipóteses mal embasadas, desenhos experimentais falhos etc., ou seja má ciência. Assim, o trabalho de julgar se torna muito maior. 
O último ponto a tratar neste post se refere ao tema do título. Quantos de nós refletimos adequadamente sobre o futuro da ciência no Brasil quando estamos em comitês de análise de projetos ou bolsas, em bancas de teses e de concursos? Onde desejamos chegar? Queremos uma tonelada de trabalhos no JEM de Xoroxó ou algumas gramas de trabalhos fundamentais para a ciência? 
Ao estimular desenfreadamente a quantidade, reforçamos também várias práticas na fronteira ou mesmo em pleno terreno da falta de ética em ciência, como a autoria graciosa (autores que não participaram adequadamente do trabalho e nem sabem explicá-lo, e.g). Devemos reconhecer que entre os poucos sinais em prol da qualidade, estão os critérios de julgamento de bolsas do CA de Imunologia no CNPq. Infelizmente grande parte da comunidade os desconhece, pois envia as propostas sem ao menos tentar cumpri-los. Ao invés de número de publicações, o candidato deve:
  • Fazer uma avaliação crítica da produtividade científica (publicações) e acadêmica (formação de RH) alcançada no quinqüênio anterior;
  • Apresentar, para análise comparativa da qualidade das publicações científicas, 3 trabalhos científicos (ou mais) publicados de alta qualidade em revistas indexadas;
  • O candidato deverá ser obrigatoriamente o primeiro autor ou autor correspondente nestes 3 artigos escolhidos, devendo caracterizar liderança na condução de uma linha científica bem definida.

São perfeitos estes critérios? Evidentemente que não. Exigir tão estritamente liderança de todos os participantes não estimula a formação de grande grupos que demorarão mais para produzir trabalhos de alto impacto.

Precisamos refletir mais sobre o tema e propor mecanismos eficientes que contribuam para o salto da qualidade na ciência no Brasil.

PS.
Não confundir a hipotética Xoroxó com a cidade de Chorroxó-Bahia. Qualquer semelhança é mera coincidência sonora, até porque Chorrochó não é (ainda) sede de revistas científicas.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

It's the Quality, not the Publon, Stupid!


Retomo o tema da qualidade na produção científica brasileira (recentemente tratada no SBlogI aqui e aqui) mas pretendo não focar a dicotomia qualidade vs quantidade. Até porque esta abordagem não me parece central. O fenômeno não é novo e se nutre de outros erros. O que hoje se chama “salami science” já foi mais elegantemente denominado de técnica de publicações de LPU (least publishable units) ou de publon, o menor quantum mensurável de publicação. O fato de publicar artigos curtos (e numerosos) não significa falta de qualidade. O problema é fazer este tipo de publicação comprometendo a qualidade apenas para ter um desempenho superior em avaliações também sem qualidade, por enfatizar excessivamente (para não dizer exclusivamente) a quantidade. 
O post de Dario (aqui) bastante oportuno, chamou a atenção para a necessária mudança nos nossos processos de avaliação de pesquisadores, tanto para financiamento quanto para concursos e também para as nossas deficiências de infra-estrutura. O que mais necessitamos para fazer ciência de alta qualidade?
Para além dos tópicos já citados, inequivocamente importantes, devemos lembrar dos grandes entraves burocráticos que temos: 
O regime de compras para pesquisa, e o de importações especialmente, obedece uma legislação inapropriada para as peculiaridades da prática científica. Vejam um texto do The Challenge of Establishing World Class Universities, (2009) de Jamil Salmi, do Banco Mundial: “University of São Paulo is the most selective institution in Brazil and it has “the highest number of top-rated graduate programmes, and every year it produces more PhD graduates than any US university”.; But he laments: “At the same time, its ability to manage its resources is constrained by rigid civil service regulations, even though it is the richest university in the country;
O regime de contratação de pessoal é também muito rígido o que dificulta formar equipes para projetos. 
A quase ausência de institucionalização das atividades de pesquisa também adiciona uma parcela importante de dificuldade. Um exemplo recente foi a falta de apoio institucional aos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs). A aprova dos INCTs aportarem um importante volume de recursos, muito poucas instituições ofereceram condições adequadas de operação aos Institutos nela sediados. O padrão majoritário foi um olímpico desconhecimento dos INCTs (acho que o COI ainda não bloqueou o uso do termo olímpico só o de Olim*íadas, mesmo que científicas)
Mas precisamos também olhar as nossas mazelas internas:
Porque não temos disciplinas oferecidas em língua inglesa para estimular o intercâmbio de estudantes? O domínio apropriado do inglês não é importante para os nossos estudantes, mesmo que não haja alunos estrangeiros na sala? Vejam o que Salmi fala a respeito das nossas Universidades: It has very few linkages with the international research community, and only 3 per cent of its graduate students are from outside Brazil. The university is very inward-looking.” O mais grave é que ele se referia à USP, imaginem que esta percentagem é ainda mais baixa na demais universidades brasileiras. A ciência de ponta hoje exige a colaboração de muitos grupos, distribuídos em muito países, e baixo domínio do idioma inglês, lingua franca científica, não ajuda o nosso desenvolvimento;
Voltando ao ponto inicial, o da avaliação da produtividade individual, o que você acha da autoria graciosa? A inclusão de co-autores que não participaram efetivamente do trabalho não ajuda muito em identificar os verdadeiros autores, aqueles que contribuíram de forma genuína com o avanço do conhecimento científico e isto não depende de dinheiro, depende de leis …. internas e não escritas da comunidade científica. Voce já foi a uma das festas abaixo?
Créditos das ilustrações:
Salame (http://www.salami.li)

terça-feira, 7 de maio de 2013

Salami Science

Por Marcela Davoli Ferreira


O Dr. Fernando Reinach publicou um artigo bastante interessante em sua coluna no Estadão, a alguns dias atrás, sobre uma prática que se mostra cada dia mais presente no meio científico. O tema “quantidade x qualidade” já foi abordado aqui no blog pelo Prof. Dr. Dario Zamboni há pouco tempo, mas vale a leitura da coluna, que tem uma abordagem bem legal sobre o assunto.
Boa leitura!


FERNANDO REINACH - O Estado de S.Paulo, 27/04/2013


Darwin e a prática da 'Salami Science'

Em 1985, ouvi pela primeira vez no Laboratório de Biologia Molecular a expressão "Salami Science". Um de nós estava com uma pilha de trabalhos científicos quando Max Perutz se aproximou. Um jovem disse que estava lendo trabalhos de um famoso cientista dos EUA. Perutz olhou a pilha e murmurou: "Salami Science, espero que não chegue aqui". Mas a praga se espalhou pelo mundo e agora assola a comunidade científica brasileira.
"Salami Science" é a prática de fatiar uma única descoberta, como um salame, para publicá-la no maior número possível de artigos científicos. O cientista aumenta seu currículo e cria a impressão de que é muito produtivo. O leitor é forçado a juntar as fatias para entender o todo. As revistas ficam abarrotadas. E avaliar um cientista fica mais difícil. Apesar disso, a "Salami Science" se espalhou, induzido pela busca obsessiva de um método quantitativo capaz de avaliar a produção acadêmica.
No Laboratório de Biologia Molecular, nossos ídolos eram os cinco prêmios Nobel do prédio. Publicar muitos artigos indicava falta de rigor intelectual. Eles valorizavam a capacidade de criar uma maneira engenhosa para destrinchar um problema importante. Aprendíamos que o objetivo era desvendar os mistérios da natureza. Publicar um artigo era consequência de um trabalho financiado com dinheiro público, servia para comunicar a nova descoberta. O trabalho deveria ser simples, claro e didático. O exemplo a ser seguido eram as duas páginas em que Watson e Crick descreveram a estrutura do DNA. Você se tornaria um cientista de respeito se o esforço de uma vida pudesse ser resumido em uma frase: Ele descobriu... Os três pontinhos teriam de ser uma ou duas palavras: a estrutura do DNA (Watson e Crick), a estrutura das proteínas (Max Perutz), a teoria da Relatividade (Einstein). Sabíamos que poucos chegariam lá, mas o importante era ter certeza de que havíamos gasto a vida atrás de algo importante.
Hoje, nas melhores universidade do Brasil, a conversa entre pós-graduandos e cientistas é outra. A maioria está preocupada com quantos trabalhos publicou no último ano - e onde. Querem saber como serão classificados. "Fulano agora é pesquisador 1B no CNPq. Com 8 trabalhos em revistas de alto impacto no ano passado, não poderia ser diferente." "O departamento de beltrano foi rebaixado para 4 pela Capes. Também, com poucas teses no ano passado e só duas publicações em revistas de baixo impacto..." Não que os olhos dessas pessoas não brilhem quando discutem suas pesquisas, mas o relato de como alguém emplacou um trabalho na Nature causa mais alvoroço que o de uma nova maneira de abordar um problema dito insolúvel.
Essa mudança de cultura ocorreu porque agora os cientistas e suas instituições são avaliados a partir de fórmulas matemáticas que levam em conta três ingredientes, combinados ao gosto do freguês: número de trabalhos publicados, quantas vezes esses trabalhos foram citados na literatura e qualidade das revistas (medida pela quantidade de citações a trabalhos publicados na revista). Você estranhou a ausência de palavras como qualidade, criatividade e originalidade? Se conversar com um burocrata da ciência, ele tentará te explicar como esses índices englobam de maneira objetiva conceitos tão subjetivos. E não adianta argumentar que Einstein, Crick e Perutz teriam sido excluídos por esses critérios. No fundo, essas pessoas acreditam que cientistas desse calibre não podem surgir no Brasil. O resultado é que em algumas pós-graduações da USP o credenciamento de orientadores depende unicamente do total de trabalhos publicados, em outras o pré-requisito para uma tese ser defendida é que um ou mais trabalhos tenham sido aceitos para publicação.
Não há dúvida de que métodos quantitativos são úteis para avaliar um cientista, mas usá-los de modo exclusivo, abdicando da capacidade subjetiva de identificar pessoas talentosas, criativas ou simplesmente geniais, é caminho seguro para excluir da carreira científica as poucas pessoas que realmente podem fazer descobertas importantes. Essa atitude isenta os responsáveis de tomar e defender decisões. É a covardia intelectual escondida por trás de algoritmos matemáticos.
Mas o que Darwin tem a ver com isso? Foi ele que mostrou que uma das características que facilitam a sobrevivência é a capacidade de se adaptar aos ambientes. E os cientistas são animais como qualquer outro ser humano. Se a regra exige aumentar o número de trabalhos publicados, vou praticar "Salami Science". É necessário ser muito citado? Sem problema, minhas fatias de salame vão citar umas às outras e vou pedir a amigos que me citem. Em troca, garanto que vou citá-los. As revistas precisam de muitas citações? Basta pedir aos autores que citem artigos da própria revista. E, aos poucos, o objetivo da ciência deixa de ser entender a natureza e passa a ser publicar e ser citado. Se o trabalho é medíocre ou genial, pouco importa. Mas a ciência brasileira vai bem, o número de mestres aumenta, o de trabalhos cresce, assim como as citações. E a cada dia ficamos mais longe de ter cientistas que possam ser descritos em uma única frase: Ele descobriu...


sábado, 11 de agosto de 2012

Novos critérios de julgamento para solicitações de bolsas de produtividade em pesquisa (PQ) do Comitê de Assessoramento da Imunologia no CNPq (CA-IM)


Tema sugerido por Karina Bortoluci

Data final para envio de propostas: 17/08

Vigência: 2012 a 2014

1) Sobre o modo de submissão
O pleito de bolsa PQ deve ser conter 2 sessões: (A) uma versão RESUMIDA (8 pgs) do(s) projeto(s) de pesquisa liderados pelo proponente (normas descritas abaixo) (ii) Avaliação crítica da produtividade científica (publicações) e acadêmica (formação de RH) alcançada no quinqüênio anterior (2 pgs).
O projeto resumido (ARIAL 12, espaço simples) deve conter (1) resumo e objetivos gerais (1 pg) (ii) racional da proposta (2 pgs) (iii) metodologia e desenho experimental (3 ½ pgs) (iv) aspectos éticos e financiamentos (1/2 pg), e (v) referências chaves (1 pg).

2) Requisitos mínimos para acesso ao Nível 2
Para primeiro ingresso no sistema, o(a) pesquisador(a) deverá apresentar evidências inequívocas de liderança científica e produtividade qualitativa comprovada. Os requisitos (mínimos) para obtenção de bolsa PQ2 são os seguintes: :
a) Possuir titulo de doutor e pós-doutorado (obtido em período igual ou superior a 3 anos antes da presente submissão), concedidos por Instituição idônea de pesquisa ou universidade.
b) Apresentar, para análise comparativa da qualidade das publicações científicas, 3 trabalhos científicos (ou mais) publicados de alta qualidade em revistas indexadas no último qüinqüênio, sendo que pelo menos UM destes artigos deve ter sido realizado no Brasil, após o término do doutoramento. O candidato deverá ser obrigatoriamente o primeiro autor ou autor correspondente nestes 3 artigos escolhidos, devendo caracterizar liderança na condução de uma linha científica bem definida. Excepcionalmente, o CA-Imunologia poderá avaliar a inscrição de candidatos que compartilharam (máximo de 2) as primeiras autorias e responsabilidade pela correspondência em seus artigos, como evidência de liderança científica.
c) Justificar porque o candidato considera que as descobertas publicadas em seus artigos (originalidade, conteúdo inovador etc) publicados justificam o seu acesso a faixa PQ2 concedidas pelo CA Imunologia (2 pgs).
d) Deve estar presentemente orientando formalmente pelo menos 1 mestre ou doutor, vinculado a programas de PG reconhecidos pela CAPES.
e) Deve ser classificado na cota de bolsas disponibilizadas pela diretoria do CNPq, para a faixa 2.

3) Critérios de acesso ao nível 1D
a) Ter sido contemplado com Bolsa PQ2 por um período não inferior a 3 anos.
b) Comprovar que orientou pelo menos 1 estudante de doutorado vinculado a programa de pós-graduação de conceito 4 ou maior da CAPES, no ultimo decênio.
c) Apresentar evidências inequívocas de liderança científica, conduzindo linhas de pesquisa bem definidas, com elos de continuidade, caracterizando identidade própria.
d) Apresentar, para fins de análise comparativa da qualidade de publicações, uma lista de pelo menos 3 artigos científicos publicados nos últimos 10 anos, na condição de autor e/ou autor correspondente, justificando a importância destas contribuições e sua relevância para o avanço da imunologia. Caso o(a) candidato(a) indique artigos em que não tenha sido listado como autor(a) correspondente, justificar o motivo e importância de sua participação no estudo coletivo.
e) Comprovar que obteve auxilio financeiro para desenvolver suas pesquisas com verbas externas a sua própria Instituição, devidamente documentado por Termo de Outorga.

4) Critérios para progressão aos níveis 1C 1B e 1 A.
Para classificação neste nível o(a) pesquisador(a) proponente deverá satisfazer os seguintes requisitos mínimos:
a) Ter sido contemplado (a) com Bolsa Pesquisador 1D durante um período igual ou superior a 4 anos.
b) Ter concluído pelo menos 2 orientações de doutorado, vinculadas a programa de PG de conceito 4 ou maior da CAPES, no ultimo decênio. O(A) candidato(a) deve comprovar que seus alunos de PG constam da lista de autores nas publicações cientificas de maior impacto.
c) Relacionar 3 artigos científicos publicados no ultimo qüinqüênio, seja na condição de autor sênior e/ou autor correspondente, justificando a qualidade/impacto de suas descobertas e sua relevância para avanço do conhecimento em imunologia. Caso o candidato não conste como autor sênior/correspondente em algum artigo publicado, deverá justificar convincentemente o motivo pela sua exclusão como líder do grupo.
d) Deve comprovar que recebe auxilio financeiro para desenvolver seu projeto com recursos obtidos fora de sua Instituição, devidamente documentado por Termo de Outorga.

5) Critérios de priorização dos pleitos de bolsa PQ do CA-IM.
Considerando-se a oferta limitada de bolsas novas e/ou transferidas, o CA-IM deverá utilizar como parâmetro de classificação e desempate (para todas as faixas PQ) os seguintes critérios, na seguinte ordem de prioridade:
1.Qualidade da publicação cientifica e posição do pesquisador como autor principal ou correspondente.
2. Número de publicações, contabilizado o somatório dos índices de impacto dos respectivos periódicos científicos com fator de impacto igual ou superior a 1,5.
3. Número de teses de Doutorado orientadas e aprovadas;
4. Número de dissertações de Mestrado orientadas e aprovadas;
5. Número de Pós-Doutores supervisionados;
6. Nucleação de novos grupos de pesquisa;
8.Qualificação do projeto de pesquisa apresentado na solicitação da bolsa PQ, conforme avaliação do CA com base nos pareceres dos consultores ad hoc.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vai um paper pro lanche?



Muitos estudantes de pós-graduação acabam na verdade focando a formação no famigeradoABD” (All but dissertation). Isso varia um pouco entre os diversos grupos de pesquisa e depende da filosofia do chefe do laboratório/orientador. Num belo dia, entretanto, o pessoal se toca que tem que começar a escrever “o paper”. Essa sensação comumente surge depois que muitos dados são coletados, analisados e estilizados em tabelas ou gráficos dos mais diversos. É nessa hora que alguns estudantes têm um surto famoso. A galera começa a achar que talvez mais dados são precisos para fechar a história. Algumas vezes, mais análises de diferentes formas e tamanhos usando outras ferramentas deveriam ser aplicadas. Ou ainda será que as tabelas e gráficos precisariam estar com a exata formatação? O que seria uma exata formatação? Dados mais claros? Menos coloridos? Mais fashion? Mais na moda multifunctional? No final, muitos pesquisadores sãoimpedidosde escreverem seus trabalhos por causa de problemas menores, muitas vezes até fúteis. Assim, todos os dias, esses estudantes sentam na frente do computador, prontos para começar enfim a escrever o tal do paper e então aparecem demandas que ficam no caminho e parecem mais importantes do que o que seria o objetivo primário que fez o estudante sentar na sua cadeira naquele dia. O problema é que esse processo improdutivo pode acontecer por meses e anos. vi muito estudante bem desesperado com essas questões. Na era do facebook, Google chat, you tube e etc., é ainda mais difícil focar na escrita quando se está começando. Uma coluna especial na seção Careers da revista Nature aborda esse tema de uma maneira bem interessante. Maria Gardiner e Hugh Kearns, ambos professores de psicologia da Flinders University, Adelaide, Austrália (veja o site deles aqui) exploram esse assunto de maneira bem clara e sem churumelas. No texto, os psicólogos abordam alguns mitos que regem essa improdutividade e sugerem uma dica importante para conseguir chegar (veja a coluna no site da Nature).


Os grandes impedimentos da escrita por estudantes são na maioria das vezes relacionados a mitos que passam de geração em geração de pesquisadores, sem evidência aparente de que funciona. O primeiro mito, segundo os psicólogos, é o “Readiness Myth”, que basicamente significa: “Devo escrever quando eu me sentir pronto, e eu ainda não me sinto pronto ainda”. Por não estar pronto, procura-se outra coisa pra fazer. E num laboratório, isso significa mais experimentos. Esse cenário, ao invés de gerar mais solidez, gera é mais confusão para amarrar os dados, e então a sensação de que não está pronto fica ainda mais forte. O negócio então é sentar e escrever, mesmo sem estar pronto. Até porque completamente pronto provavelmente ninguém nunca vai estar. Esse primeiro mito causa um segundo mito, que é o “Clarity Myth”. Uma frase comum relacionada a esse segundo mito seria: “Eu devo ter tudo muito claro na minha cabeça primeiro, depois eu sento e escrevo”. Na verdade, muitas vezes as idéias ficam mesmo claras quando a gente começa a escrever o paper. É nesse momento que o pesquisador sente qual o resultado não está convincente, qual deve ser retirado, qual deve ser feito e como deve ser feito para responder as questões. Muitas vezes, com um monte de dados na mão, você na verdade começa a notar que várias informações de experimentos valiosos que você fez na verdade de nada contribuem para a sua história e devem ser retirados. Então, o que você tem que fazer mesmo antes de finalizar seus experimentos é sentar e escrever. E escreva mesmo, sem medo. Coloque as palavras na folha, sem se importar se as frases estão mal escritas ou se as idéias estão lineares, pelo menos nesse primeiro momento. A linearidade vai chegar com o trabalho intenso de reestruturação que faz parte da escrita científica.

A coluna então finaliza mostrando a dica do dia: o Snack writing. Escreva de maneira regular, e se acostume em escrever em períodos curtos de tempo, como lanches. Não se iluda de que é necessário um dia inteiro para você escrever uma introdução de um artigo. Muitas vezes, somos mesmo produtivos por curtos períodos e a extensão desse tempo causa mais improdutividade. Eu uso esse método de snack writing desde o meu doutorado e sugiro realmente a técnica. Ela vai te ajudar a ser mais produtivo sem se martirizar.

Fica a dica de leitura do dia.
©SBI Sociedade Brasileira de Imunologia. Desenvolvido por: