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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Como o sistema imune trata os mortos?

Diferentes vias podem induzir a morte celular durante o desenvolvimento e ao longo da vida de um organismo. No sistema imune é particularmente importante o papel da morte celular, devido à necessidade de manter um pool de células efetoras e eliminar uma população que proliferou em resposta a um patógeno determinado, uma vez que o micro-organismo tenha sido eliminado. O fundamento central da resposta imune é desafiado enormemente nesse contexto. Como manter a capacidade de combater eficientemente o estranho, sem induzir uma resposta auto-agressiva, nessa maré de antígenos próprios e estranhos durante uma resposta inflamatória? Lembrando que, uma certa resposta frente a antígenos próprios pode ser necessária, por exemplo, para controlar tumores. Como disse a Cris Bonorino no post sobre este assunto: Death rocks. 

Um indício do complexo que pode resultar o assunto é a variedade de hipóteses que têm sido propostas para explicar como as diferentes formas de morte celular influenciam a resposta imune.  Vale a pena ler uma serie de revisões publicadas recentemente sobre mecanismos de morte celular, e como a mesma induz vários efeitos sobre outras células, tendentes a diminuir o impacto da morte celular no organismo (Immunity, 35(4)).

Além do tipo de morte celular que aconteceu (seja devido a um dos 3 tipos de apoptose, à autofagia, ou a necrose), é importante reconhecer, algumas circunstancias:
  • O tipo de célula que morreu (Não é a mesma coisa a morte de um fibroblasto de um tecido, como consequência do turnover celular do que a morte de uma célula dendrítica, por exemplo).
  • O quê a célula morta está liberando no micro ambiente (relacionado com o item anterior, e com o estado prévio de ativação, transformação ou infecção da célula, além dos sinais find me and eat me).
  • Quando a célula morreu (por exemplo, células T ativadas possuem CD154 o que as torna potentes imuno-estimuladoras quando entram em apoptose, o que não acontece com células T naïves. Também é importante mencionar o tempo em que o sistema imune captura as células apoptóticas. A rápida remoção de células apoptóticas evita respostas imunes desnecessárias).
  • Onde a célula morreu (por exemplo, é sabido que o baço pode favorecer respostas tolerogênicas, principalmente devido à presença de células CD8a+).
  • O porquê a célula morreu (Por exemplo, células que entram em apoptose devido a uma infecção intracelular expressam ligantes de TLR e diversas moléculas induzidas pela infecção, e estão envolvidas na indução de Th17).


Parece simples, mas a aplicação dessas típicas perguntas (as cinco W por who, what, when, where and why) ajuda a compreender as circunstâncias que favorecem ou evitam a indução da resposta imune frente a células mortas em diferentes contextos. Ou poderíamos dizer que o sistema imune está regulado de acordo a como se tratam os mortos?

O trato que o sistema imune dá às células mortas depende das circunstâncias 
da morte celular. E tem consequências distintas, pudendo levar à indução de
 tolerância ou ativação da resposta imune. (Tomado de Griffith TS, Ferguson TA
Immunity. 2011 Oct 28; 35(4):456-66 )
Referências:
1. Griffith TS, Ferguson TA. Immunity. 2011 Oct 28; 35(4):456-66
2. Ravichandran KS. Immunity. 2011 Oct 28; 35(4):445-55
3, Levine B, Mizushima N, Virgin HW. Nature. 2011 Jan 20;469(7330):323-35.


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