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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Em busca de uma teoria integral do sistema imune (TISI)


          A ciência não se resume em uma coleção de observações, medidas e fórmulas matemáticas complexas; a ciência também é uma fonte de percepções profundas sobre o modo como as coisas são no mundo. É evidente que a procura por uma visão significativa do mundo não está confinada à ciência. Ela é, em todos seus aspectos, fundamental para nosso bem estar. Entre os muitos caminhos disponíveis para nós, o caminho da ciência sugere uma maneira confiável de se olhar para o mundo – e para nós mesmos no mundo. Mas olhar para o mundo através do prisma da ciência moderna e em particular a partir da visão de um sistema imune natural não tem sido fácil. É difícil entender o que conecta o universo imunológico físico com o mundo vivo, o mundo vivo com o mundo da sociedade violentada, e o mundo da sociedade violenta com os domínios da mente e da cultura [1].
         O caminho da ciência indica que devemos buscar uma imagem do mundo mais integrada e unitária na zona de conflito. Um empreendimento particularmente ambicioso veio à tona na física quântica em anos recentes: a tentativa de se criar uma teoria de tudo. 
          Uma teoria integral do sistema imune (TISI) nos aproximaria do entendimento da verdadeira natureza de todos os fenômenos imunológicos que existem e evoluem no espaço e no tempo, sejam eles moscas, camundongos ou homens – uma visão de que precisamos muito nestes tempos de mudança acelerada e desorientação cada vez maior. Mas quais seriam as abordagens para uma genuína TISI?
         A simulação de estruturas complexas por meio de computador demonstra que a complexidade imunológica é gerada, e pode ser explicada, a partir de condições iniciais básicas e relativamente simples segundo os físicos (não para mim, carente de formação em matemática).  Não entendo nada sobre autômatos celulares de John Neumann e sua relação com algoritmos – essa é a base de todas as simulações feitas por meio de um computador, fascinante!
       A mudança de paradigma é outra abordagem em busca de uma TISI e é impulsionada pelo acúmulo de observações que não se encaixam nas teorias aceitas, e não se pode fazer com que se encaixem simplesmente ampliando-se essas teorias. O desafio consiste em descobrir os conceitos fundamentais, e fundamentalmente novos, que formam a substância do novo paradigma. Mas não é nada fácil, uma teoria do novo paradigma precisa permitir aos cientistas explicar todas as descobertas que a teoria anterior abrange e também precisa explicar as observações anômalas. Ela precisa integrar todos os fatos importantes em um conceito mais simples e, no entanto, mais abrangente e poderoso (Einstein fez isso na física na virada do século 20) [1].
           Meu filho entrou no escritório para entregar um “porta retrato”, presente dos dias dos pais, bacana, feito por ele na sala de aula em segredo absoluto durante a semana passada. E me fez lembrar que tudo começa com uma única célula. A primeira célula divide-se em duas, e as duas em quatro, e assim por diante. Quarenta e sete duplicações depois, temos mais ou menos dez mil trilhões de células em nosso corpo e estamos prontos para a vida como um ser humano. Imagina, uma célula como a descrita recentemente aqui no Blog pela Grace [2], com características únicas e surpreendentes ao consultório imunológico. Para construir um protótipo celular mais simples, por exemplo, um lêvedo, seria necessário miniaturizar o mesmo número de componentes de um Boeing 777 e encaixá-los numa esfera com apenas cinco micra de diâmetro. Depois seria preciso convencer aquela esfera a se reproduzir [3]. As células humanas são mais fabulosas em relação às de lêvedo e, portanto mais fascinantes e desafiadoras para a compreensão do seu funcionamento em qualquer consultório imunológico.
          Mais peças para os quebra-cabeças que envolvem uma TISI – o organismo vivo apresenta extraordinária coerência: todas as suas partes são multidimensionalmente conectadas com todas as outras partes de maneira dinâmica e quase instantânea. O organismo também é coerente com o mundo ao seu redor: o que acontece no ambiente externo ao organismo é refletido de várias maneiras em seu ambiente interno [1].
          Aceito que a base para uma TISI precisa ter a percepção aguçada da interconectividade dentro do organismo, bem como entre organismos, e a do organismo com o ambiente, como indica Marco Bischof em suas reflexões sobre as fronteiras da biofísica [1].

Referências:

1-Laszlo E. A Ciência e o campo Akáshico: uma teoria integral de tudo. Cap. 1, 2 e 3. São Paulo: Cultrix, 2008.

2-Silva, J. S. Terapia quem sou eu. Grace K. Silva (Pós-Doc) FMRP-IBA. SBIlogI 10/08/2013.

3-Byson, B. Breve história de quase tudo. Parte IV (A vida propriamente dita), Cap.24 (Células). São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

Um comentário:

  1. ’ Para construir a célula de levedo mais básica, por exemplo,seria preciso miniaturizar o mesmo número de componentes de um Boeing 777 e encaixá-lo numa esfera com apenas cinco mícrons de diâmetro.Depois,seria preciso persuadir aquela esfera a se reproduzir” a) A que elementos das células o autor está se referindo quando fala dos componentes do Boeing 777? Respostas As organelas.
    Por que o autor diz que ainda”seria preciso persuadir aquela esfera a se reproduzir”?
    Resposta- porque as células se reproduzem.

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