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sábado, 13 de abril de 2013

Vida de Empreguete



 


              Resolvi trazer para o Blog um assunto que há muito tempo é pauta entre as nossas conversas antes, durante ou após experimentos, na hora do café, almoço ou jantar, na mesa de bares… em qualquer lugar por aí. Acho que aqui é um lugar legal de discutir os direitos, ou melhor, a falta de direitos do pós-graduando, porque gente de todos os escalões tem acesso ao blog: os próprios estudantes, os professores, chefes de agências de fomento, etc. Antes de tudo deixo claro que essa é a minha opinião, certa ou errada, mas ainda é a minha opinião.
         Tenho visto incessantemente na mídia a respeito da nova lei dos direitos dos empregados domésticos. Bom pra eles (as), que moram num país que decidiu defender a sua classe. Faxineiras, babás, motoristas e cuidadores de idosos, que já tinham carteira assinada e direito a décimo terceiro salário, agora também ganham por hora extra trabalhada após 8 h de expediente, adicional noturno, 2 horas para almoço, férias… Se você que está lendo acha que eu sou contra isso, você está me entendendo errado. Acho até que a lei demorou demais para chegar e valer. Sou super a favor dos direitos dos empregados domésticos e queria aproveitar para fazer um paralelo com a carreira que estou tentando construir.
            Eu fiz 4 anos de faculdade de Ciências Biológicas. Tudo bem que não está entre os cursos mais bem vistos por aí, mas ainda assim é um curso superior. Dei aula no ensino fundamental e médio, e defendi TCC para me formar. Emendei 2 anos de mestrado a agora estou no meio do doutorado já sofrendo com o dia pós-defesa, o título de ‘Dr. desempregado’ e os anos de pós-doc que não contarão para minha aposentadoria. Pois bem, quando me formei na faculdade me tornei Bióloga, mas o termo ‘estudante’ nunca me abandonou. Não sei se por consequência disso nunca tive e também nunca discuti sobre ‘direitos’ com ninguém superior a mim, como por exemplo, meu orientador, a quem chamo de ‘chefe’.  Acho legal que os empregados domésticos tenham seus direitos garantidos, sabe!? Acho massa pra caramba!! Mas e eu? Que dei um duro danado, estudei, hoje trabalho com material contaminado e infectado, de manhã de tarde e de noite, às vezes (incontáveis vezes, na verdade) viro noites fazendo experimento, ou escrevendo/corrigindo manuscritos, lendo papers, dando pareceres, escrevendo/corrigindo projetos, fazendo prestações de contas, não recebo hora extra e/ou adicional noturno, não recebo insalubridade, não recebo 13º salário, fico vivendo uma ilusão do aumento que a presidenta prometeu dar no meu salário que chamam por aí de ‘bolsa’, na minha declaração de matrícula tem escrito “OS ALUNOS DESSA ENTIDADE NÃO POSSUEM DIREITO A FÉRIAS”, eu trabalho sábado, domingo e feriados quando precisa (e normalmente precisa), tiro dinheiro do bolso para participar de congressos, não tenho FGTS, e também não tenho direito de fazer greve por melhorias das condições de trabalho, ou seria de estudo?… e por aí vai, a lista é grande. Talvez você esteja pensando ‘eu já passei por isso, e no meu tempo a bolsa era menor ainda’. Tá, beleza, e você se orgulha disso? O quilo do tomate também não era tão caro na sua época de mestrado, era? O que sinto é um menosprezo geral da nação àqueles que querem ser pesquisadores/cientistas no Brasil. Francamente. Ai vem um Ciência sem Fronteira exportando gente para fora do país, com um monte de propaganda no horário nobre para eleitor nenhum botar defeito. ‘Estamos internacionalizando a ciência do país’. Sério? Não é o que parece.
            Se não for pedir demais, exponham a opinião de vocês nos comentários. O que vocês acham do paralelo que tracei e da situação da nossa classe no Brasil?

Bom trabalho.

Manuela Sales – IBA – FMRP - USP

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23 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Oi Manuela,

    Parabéns por trazer um tema tão polêmico para o blog!

    Acho que, assim como eu, a maioria dos estudantes de pós-graduação se sentem como você. E com razão. Não basta ter amor à pesquisa, pois nem só disso uma pessoa vive. Poxa, também somos cidadãos comuns... saímos, viajamos, nos divertimos, enfim... o que dá a entender é que somos escravos de laboratório.

    Não sei se alguém chegou a ver um post no facebook da pesquisadora Suzana Herculano-Houzel sobre levar ao Congresso uma proposta da profissionalização do cientista: http://www.cerebronosso.bio.br/pela-profissionalizao-do-cient/

    Enfim, por enquanto é isso o que eu tenho a dizer. Vamos ver se a discussão se estende.

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  3. Concordo contigo em genero e grau.. é um absurdo o que o governo propoem como idea de ciência ..porisso a tão poucos .. poucos e bons por amor e muitos dessistem por um governo que vende essa imagem que estudar e necessario mais que não é garantia de nada , nada mesmo nem um fgts por mérito, manipulam qualquer espectativa de termos nossos direitos segurados por estar fazendo um bem maior a sociedade muitas vezes a humanidade .. o que seriam deles sem nós pobres estudantes .. mestrandos doutorandos e afins.. Temos que vender nossas ideias a preço de ouro.. ou guardalas ,quem sabe assim ..

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  4. oi Manuela, precisamos iniciar um movimento nacional para requerer os direitos trabalhistas dos pós-graduandos. Pode contar comigo para assinar o manifesto.


    Abraço

    Pinge-Filho
    UEL-PR

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  5. Oi Manuela,

    Parabéns pelo post. Vc falou tudo que é verdade. Não vou comentar no tema principal do seu post, pois vc já falou tudo que penso.

    So queira expressar 2 opiniões sobre 2 assuntos mencionados no seu texto.

    1) Não que eu seja contra a valorização dos salários e condições do trabalho de empregado doméstico. Mas acho q essa questão tem q ser analisada com mais cautela. A sua casa não é uma empresa.

    2) O ciencia sem fronteira deveria se preocupar muito mais em recrutar de volta os cérebros extrapatriados e oferecer condições atrativas de trabalho para mantê-los no país, do que em enviar mais talentos para fora.

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  6. Concordo com você, Manuela! Já falou tudo.

    Acho que poucas pessoas conseguem enxergar o nosso sofrimento porque não sabem como se faz ciência, não sabe que trabalhamos com células, bactérias, fungos e eles não vão esperar o feriadão passar pra continuar crescendo.
    O Brasil está perdendo muitos gênios da ciência pro exterior, que sabem muito bem que qualquer coisa é melhor do que recebemos aqui, além das condições de trabalho serem muito melhores, sem falar nos reagentes.

    Abs,
    Thaís Amanda

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  7. Olá, Manuela.

    Concordo com o que você descreve. Sou aluno de iniciação científica e estou há menos de 1 ano de completar a graduação. Embora saiba de todas as dificuldades que vou enfrentar optando pela carreira acadêmica, estou decidido a seguir esse caminho. Na minha opinião, o que deveria realmente mudar é a mentalidade de toda a população em relação aquilo que o pesquisador representa na sociedade. O título de "bolsa" para se referir à remuneração dos acadêmicos é realmente ridícula, e só reforça a ideia (errônea) de que "apenas estudamos" e, por isso, só recebemos um "favor" do nosso governo. Além disso, somos alvos várias vezes de críticas de nossos próprios mestres e colegas em relação à nossa insatisfação para com o cenário da ciência nacional; sem apoio da própria classe, o problema se torna ainda maior.
    Parabéns pelo post e que a sua reivindicação ganhe voz e motive tantos outros a fazer o mesmo.

    Abraço.
    Iuri Cordeiro

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  8. Oi concordo com as colocações da Manuela, mas também acredito que a situação dos mestrandos e doutorandos é em parte culpa nossa que não lutamos por melhorias, quantos sabem da existência da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos), quantas universidades ou institutos de pesquisa tem sua APG (e não basta ter ela tem que ser atuante), mas o tempo no mestrado e doutorado é curto para atendermos todas as metas obrigatórias e acabamos não nos envolvendo com estas questões. No ano passado assisti uma palestra sobre o ciências sem fronteira, onde foi mencionado que tinha baixa demanda de estudantes para fazer o doutorado sanduíche , e que uma das prováveis causas era falta de qualificação, os estudantes presentes ficaram revoltados,uma se levantou e contou que estava tentando ir, mas que a universidade nos EUA exigia um valor maior do que era oferecido pela bolsa. Pouco tempo depois o programa ofereceu um valor maior para determinadas cidades. Depois de diversos estudantes desistirem de ir porque sabiam que iam passar aperto financeiro, ou precisar de ajuda dos pais (pessoas com quase 30 anos ou mais)para poder sobreviver lá fora. Enfim, é preciso mostrar a cara e fazer eles ouvirem nossas vozes.

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  9. Um dos melhores posts que eu já pude ler no SBI

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  10. A maioria da "sua classe" pode viver de bolsa, porque é abastada, branca, burguesa e estudou a vida inteira em colégio particular antes de abocanhar umas das únicas coisas que funciona no Estado, a universidade pública.
    Quer ser regida pela CLT, ter férias, fgts e tudo mais, trabalhe com horário fixo 40-44 horas semanais, simples assim, vai ser empregada doméstica, se atendente de telemarketing, etc. Senão continua com sua bolsa, que remunera bem mais que a média salarial brasileira, já no nível de mestrado, e recolhe por conta.
    Não venha falar que deu um duro danado pra estudar, muita gente gostaria de não ter que trabalhar desde os 13-14 anos pra poder dar esse "duro danado" que você deu indo ao cursinho e nos barzinhos da faculdade.

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    1. Das duas uma...Ou você é retardado, ou é retardado...

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    2. Tem toda razão, caro anônimo. Talvez, ao invés de melhorar o ensino público desde a sua base, nós devêssemos instituir cotas na pós-graduação também. Quem sabe assim nós não afundamos de uma vez "umas das únicas coisas que AINDA funciona no Estado", né??
      Mariana

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    3. Caro Anônimo. Qtas coisas do seu dia a dia que vc utiliza não foi pensando por esses profissionais da saúde que trabalham muito mais MUITO MAIS do que 40-44horas semanais???? Primeiro vá a uma Universidade ou em algum Instituto de Pesquisa antes de falar muita merda...tenho vergonha de trabalhar tanto e ajudar um infeliz como vc....quem me dera se pudesse escolher para quem iria os medicamentos e ferramentas de diagnóstico para centenas de doenças que matam milhares de brasileiros todos os dias...com certeza não iria para vc seu infeliz

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  11. Parabéns pelo post,Manu!!
    Tenho certeza de que qualquer indivíduo que tenha a consciência da importância do desenvolvimento da ciência para o país e que tenha o mínimo de noção das dificuldades que passamos para poder fazer ciência concorda em gênero,número e grau com você.
    Mas infelizmente parte das pessoas compartilham do mesmo pensamento do anônimo acima, que certamente não tem a ideia do quão importante é o nosso trabalho, independente da área de pesquisa, para o progresso do país...Esse é mais um motivo para discutirmos este assunto com mais frequência, nos manifestarmos e exigirmos nossos direitos. Quem sabe assim esses cidadãos, que pouco sabem o quanto é importante produzir e difundir conhecimento, se conscientizem do verdadeiro papel do cientista na sociedade e no desenvolvimento da nação.

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  12. Olá! Meu nome é Leonardo, sou pardo, não sou abastardo, muito menos burguês e estudei boa parte da minha vida em escola pública antes de ser aprovado no vestibular. Nesse post, gostaria também de partilhar a minha opinião.

    Caro Anônimo, antes de mais nada, fica realmente a dúvida se você realmente conseguiu compreender a ideia do assunto levantado aqui no post, extremamente pertinente, por sinal. O objetivo não é tecer comparações diretas com "outras classes" (discordo com você nesse conceito em relação aos pós-graduandos) ou, muito menos, fazer juízo superior à elas.

    É claro (inclusive para a maioria de nós, meu caro) que existem inúmeras desigualdades sociais no nosso país e apesar de contribuirmos indiretamente para existência delas (como extensa parcela da população brasileira), gostaria de fazer dois contra-pontos:

    1. Além de sermos 'estudantes', todos temos diplomas de nível superior e estudamos bastante para fazer jus a este título. Muitas vezes, não é raro escutar o discurso: "Se não conseguir um emprego, vou fazer uma pós". Pois é, meu caro... Este não foi o meu caso e, certamente, de boa parte daqueles que se dispõem a discutir temas como esse que deveriam ser absoluta relevância para o nosso país.
    Cientistas em geral detestam as 'funcionalidades' da pesquisa, mas deixo um exemplo apenas para tornar mais claro: Da nossa pesquisa, do nosso trabalho (que supera facilmente as 40 - 44 horas semanais na maioria das vezes) podem surgir novas vacinas, novos tratamentos e avanços no tratamento para inúmeras doenças (como Lúpus, AIDS, Câncer, Malária, doença de Chagas, dengue, entre outras tantas). Desse modo, o reconhecimento profissional dessa parcela da população incentivaria não só 'aqueles por falta de opção', mas, sobretudo, aqueles que sentem a VOCAÇÃO para pesquisa e para a carreira acadêmica.
    Perceba, não se trata de uma questão apenas financeira. Entre outras coisas, o não reconhecimento da carreira acadêmica 'amadora' (mestrado, doutorado, pós-docs) é também uma questão moral.

    2. O segundo ponto é que, somente com a formação DE QUALIDADE de pesquisadores/professores (o que passa pela auto-estima, empenho e dedicação desde o início da jornada de formação) poderemos contribuir EFETIVAMENTE para a transformação dessa dura realidade que ainda temos no Brasil: Crianças e adolescentes trabalhando desde cedo em condições precárias para viabilizar o próprio sustento em casa.

    Somente dessa forma, com muito trabalho duro e educação, quem sabe no futuro poderemos estar discutindo os avanços que tivemos nos últimos anos e não apenas perpetuando um discurso vazio e que reflete, infelizmente, apenas a ignorância dos dias atuais.

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    1. P.S.: Parabéns pelo post, Manu! Como disse, extremamente pertinente!

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  13. Manu, excelente post.
    Acho que se cada um adicionasse aqui um pouco de sua realidade científica, perderíamos o ano só nesse post. Existe um precipício muito grande entre nossa realidade e o ideal. O mais incrível, é que essa realidade é conhecida por todos e, mesmo assim, a mudança não chega. Infelizmente, diante da competitividade, queremos nos adaptar a esse ritmo enlouquecedor a fim de buscarmos um espaço mínimo que o mercado nos oferece. E o pior, não acredite que muito melhora quando a docência chega.
    É triste, mas eu não acredito em uma mudança breve. E não me parece que as agências de fomento estão a fim de diminuir o ritmo.

    Sobre o comentário acima, não vale a pena nem comentar. O próprio não teve a coragem nem de se identificar.

    Felipe Fortino Verdan da Silva

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  14. Claudia BItencourt17 de abril de 2013 10:16

    Excelente Post Manuela!

    Sou Pos-doutoranda e devo dizer quando se atinge este estágio as coisas ficam bem mais difíceis... Infelizmente!
    Por que? Bom... você vai mandar um projeto pra FAPESP (no caso dos doutores que vazem parte da "microcosmos" de São Paulo) e seu projeto será aprovado. Excelente! A bolsa é realmente muito boa. Mas tem fim, acaba.
    Depois disso, se vc tiver sorte pode conseguir uma bolsa PNPD, ou outra modalidade do CNPq, e depois esgotam-se as possibilidades. Isso seria um dos caminhos que podem ser trilhados caso o seu sonho foi um dia ser pesquisador/docente.
    Obviamente, durante este período vc prestou concursos públicos para pesquisador/docente que estão cada vez mais concorridos e esparsos.
    E quando eu reflito sobre estas questões penso: onde é que vamos parar?
    Qdo vou a um Journal Club ou a uma palesta na pos-graduação da Imunologia em Ribeirão Preto e vejo aquele monte de gente, fico sempre me perguntando: como o MERCADO vai absorver toda essa mão de obra? Isso sem falar nos colegas que são formados por outros programas de pós-graduação
    Sim!! Pois o objetivo final é a formação de pesquisadores/docentes que vão contribuir para o desenvolvimento do país. Mas onde estão os institutos de pesquisa, sejam eles privados ou públicos, onde toda essa mão de obra qualificada vai trabalhar? E as universidades?
    Os direitos dos pós-graduandos são questões muito sérias que devem mesmo ser discutidas. Mas é preciso também discutir e refletir sobre o futuro como profissionais.
    Sobre a futura possibilidade da profissionalização da pesquisa no nosso país.
    Sobre a maior valorização da pesquisa.
    E, principalmente, sobre as “reais” possibilidades de ingresso no mercado de trabalho que dispomos atualmente.
    Nesse viés, gostaria de trazer para reflexão e conhecimento a nova lei publicada no final do ano passado sobre a realização de concursos públicos em instituições federais. Resumidamente, esta lei preconiza que estas instituições não estão obrigadas mais a contratar docentes que tenham título de doutor, entre outras coisas bem desestimulantes para quem ja passou por tudo o que passamos sonhando um dia ser pesquisadores/docentes no Brasil.

    Vejam uma reflexão interessante no Jornal da Ciência: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=86622

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  15. Parabéns Man pelo post. Muito interessante e representa bem a nossa realidade. Acho que o anônimo não entende a relevância do nosso trabalho e esforço. Isso significa: Mente fechada, não evoluída....Por sinal o tal está completamente equivocado. Eu por exemplo ralei muito pra chegar aqui e sinceramente não sou nem de perto de família rica. Do contrário, a minha família representa a massa pobre do país. Tenho orgulho de ser parte do grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo. Adoro o que faço e tento contribuir ao máximo para a pesquisa e o ensino porque sei que o dinheiro investido em mim precisa ter um retorno.

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  16. Prezados leitores e blogueiros do SBlogI,
    Obrigada pelos comentários e discussão. Acho que a maior parte “da nossa classe” compartilha da mesma opinião. E como não, né? A realidade é dura, árdua. Mas basta aparecer um asterisco na sua análise estatística e pronto.. tudo valeu a pena. Passa corretivo nas olheiras, toma remédio pro cabelo não cair, toma café pra ficar acordado, divide apartamento pro dinheiro render, etc etc etc.. se o asterisco tiver lá, tá tudo lindo. É ou não é? É o amor pela Ciência que nos move mesmo. E é o que continuará levando essa “nossa classe” seja ela rica ou pobre, preta ou branca, sulista ou nordestina blá blá blá. Tem de tudo por aqui.
    Pedro Saavedra, eu já vi os textos da Suzana Herculano-Houzel, acho que tem mais de um né? Meu voto é dela!
    Bernardo Franklin e Thaís Amanada, concordo absolutamente sobre a importância de estimular que os estudantes que participam do Ciência sem Fronteira a voltarem pro Brasil. O que há de bom pro Brasil em desembolsar uma grana pra vc ir pra Conxixina, trabalhar pra eles, publicar pra eles e continuar lá. O que os brasileiros ganharam com isso?
    Iuri Cordeiro, “nossa classe” é mesmo desunida, mas acho que isso está melhorando com o tempo, as pessoas estão melhorando, abrindo a cabeça, se renovando, sei lá. Conheça bem a área que vc pretende seguir, escolha o melhor lugar, pq o caminho é longo e praticamente sem volta.. tem que valer a pena né?
    Nanda, acho seu raciocínio super correto. E acho lindo quem se dedica nessas associações, vai pra assembleia e tudo mais. Não é o meu caso. Odeio política, e, como vc falou, nosso tempo é tão corrido que não dá tempo de dar conta do seu projeto de pós, dos projetos que vc é colaborador, dos projetos paralelos que começamos, enfim.. a dedicação exclusiva ao lab é exclusiva mesmo.. Se ao menos tivéssemos algum deputado com boa formação pra defender a “nossa classe”.
    Anônimo polêmico, convido-lhe a passar 48h no lab onde faço doutorado. Depois poderemos discutir esse assunto de igual pra igual. O preconceito é a base da ignorância, e virse-versa.
    Leonardo Lima, falou muito e falou bonito, rs.
    Felipe Fortino, também acredito que a mudança será tardia. Principalmente sobre a questão de deixar o termo “estudante” pra trás e começar a ser encarado como profissão. Talvez seja uma coisa cultural.. vc se formou mas continua na faculdade, então vc é estudante. É como um burro com cabresto e tapa-olho, não vê o que se passa além daquilo ali na frente.
    Claudia Bitencourt, acho super pertinente levantar essa questão da absorção dos doutores pelo mercado de trabalho, e gostaria de fazer um paralelo com o sistema de cotas das Universidades públicas. O Governo oferece uma educação básica da pior qualidade que se pode existir, uma coisa absurda, aí na hora de entrar na faculdade arruma um ‘jeitinho brasileiro’ empurrar eles pra dentro da universidade completamente despreparados. Ai lá vem as propagandas no intervalo do Jornal Nacional com relatos de alunos que entraram por cotas, estão se formando e darão condições de vida melhor pra sua família. Lindo isso. Eu faria diferente. Investiria uns bons milhões na educação básica, nivela todo mundo por alto, faz o negócio direito e deixa o pau quebrar nos vestibulares, ora essa. Pois bem, voltando ao nosso foco.. estamos aqui, dando um duro danado (e pra quem duvida disso, vá se informar!!) para ...? trabalhar onde? Em que instituto, em qual cidade? Pra concorrer com que foi pro NIH e quer voltar pra casa, porque lá é que é o top.. O que eu quero dizer é que os investimentos são desproporcionais, aí a gente tem um monte de doutores qualificadíssimos que não tem onde trabalhar, porque o Brasil quase não tem Instituto de pesquisa.
    Mas pra que pesquisa?
    Fiz um comentário muito grande e acho que me perdi. É isso ai, bom trabalho pra vcs!

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  17. Tratam o estudante de pós-graduação como qualquer outro estudante, sem nenhum apoio! Estudante de pós-graduação, sim! Mas isso não quer dizer que não sejamos trabalhadores. Estudo e trabalho permanecerão misturados ao longo de nossas carreiras, e é fundamental que a sociedade reconheça que estudar profundamente é imprescindível para qualquer desenvolvimento, social, tecnológico ou científico! Que parte da sociedade não entenda a importância do pesquisador é aceitável, tendo em vista o padrão (ou melhor, a falta de padrão) da educação brasileira. Mas, que MEC e MCT (finjam que) não entendam, isso é inaceitável. Realmente, precisamos unir a classe e requerer direitos de TRABALHO e ESTUDO!

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  18. Olá Manu, que post fantástico. É uma pena, entretanto, que as condições reais dos pós-graduandos não sejam tão fantásticas quanto seu post. Só para adicionar (e aumentar nossa revolta), vou te contar como é a vida de um pós-graduando aqui na França (aliás, obrigada Ciência sem Fronteiras pela oportunidade). Após a faculdadade, você não é mais um estudante, e se decide seguir carreira na pesquisa e fazer um doutorado e pós-doutorado, você é um PESQUISADOR (é assim que vai preencher os formulários quando perguntarem sobre sua profissão), e terá direito a um bom e honesto salário. As mulheres podem pensar em ter filhos sem medo, pois são, assim como qualquer profissional, protegidas por uma licença maternidade de 6 meses. E pra finalizar, os pesquisadores franceses têm direito a 6-8 semanas de férias por ano e quando acaba o contrato (e não a "bolsa", como chamamos no Brasil), os afortunados e felizes pesquisadores que aqui TRABALHAM, não precisam se descabelar, pois também têm direito ao "chômage", ou seguro-desemprego, que além do valor financeiro por um tempo considerável, garante livre acesso (sim, GRATIS) a teatros, espetáculos, visita a monumentos, entrada em museus, etc... Queria muito, mas muito mesmo, que o Brasil acordasse e reconhecesse nosso esforço como profissão. Além de aviões caça e vagões de metrô, a D. Dilma podia comprar do governo francês o manual de "direitos do pesquisador", rs. Boa semana a todos...

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  19. Olá Fá!!
    Obrigada pelo seu comentário aqui! Realmente os pesquisadores franceses tem um belo modelo de carreira. Espero que um dia possamos usufruir de algo parecido.

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