Fig. 1. Mortality of rats fed GMO treated or not with Roundup, and effects of Roundup alone. Rats were fed with NK603 GM maize (with or without application of Roundup) at three different doses (11, 22, 33% in their diet: thin, medium and bold lines, respectively) compared to the substantially equivalent closest isogenic non-GM maize (control, dotted line). Roundup was administrated in drinking water at 3 increasing doses, same symbols (environmental (A), MRL in agricultural GMOs (B) and half of minimal agricultural levels (C), see Section 2). Lifespan during the experiment for the control group is represented by the vertical bar ± SEM (grey area). In bar histograms, the causes of mortality before the grey area are detailed in comparison to the controls (0). In black are represented the necessary euthanasia because of suffering in accordance with ethical rules (tumors over 25% body weight, more than 25% weight loss, hemorrhagic bleeding, etc.); and in hatched areas, spontaneous mortality.
Colegas,
li com muita preocupação notícia veiculada por parte da imprensa na última semana, sobre indução de tumores por consumo de milho transgênico e herbicida utilizando ratos como modelo experimental.
O assunto é polêmico: o milho e a soja são grãos 'ubiquitários' em nossas dietas. O aumento de demanda por estes alimentos requer um aumento na produtividade - seja por incremento da área plantada ou de produtividade/hectare. Paralelamente, o estabelecimento de monoculturas é acompanhado por desequilíbrios no ecossistema e, consequentemente,... pragas! Para se eliminar as pragas, em nome da produtividade, derramam-se (literalmente) rios de herbicidas, fungicidas e muitas outras idas (doravante denominados venenos) nos produtos que chegam as nossas bocas. Os transgênicos (OGMs) surgiram para auxiliar no combate as pragas, na esperança de reduzir-se assim os volumes de venenos aplicados. Mas quem produz os OGMs também produz os venenos e, curiosamente, a associação tornou-se fundamental para uma boa safra. Todo esse processo é acompanhado de técnicas contemporâneas como real time PCR, uma vez que é necessário qualificar o tipo de grão que embarca em nossos portos com os mais variados destinos no planeta: porcentagem de transgênicos, presença de pragas, para quem vão os royalties... Não vou aqui ser hipócrita e dizer que abomino a busca por inovações que visem a produtividade. Contudo acredito que a regulação destas estratégias deve ser revista em prol da saúde coletiva.
Voltando para a notícia: Não trabalho com tumores... é uma área que tenho pouquíssimo conhecimento. Mesmo assim, fiquei curioso e busquei o paper em questão, com base nas notas da AFP no UOL e IG.
O artigo em questão será publicado na Food and Chemical Toxicology (Elsevier, JCR ISI 2012 = 2.999), journal que conta com vasto número de publicações na área de segurança alimentar, pelo grupo do Prof. Gilles-Eric Seralini (Universidade de Caen, França). Fiquei impressionado com o que li. Apesar de que, se eu fosse o revisor, questionaria alguns pontos como a repetibilidade do protocolo: mais pelo número de animais utilizados do que por experimentos independentes - é 'impossível' repetir 3x um protocolo de 2 anos.
Me peguei divagando sobre outras questões a este respeito... Será que os venenos atuam no sistema imune? Será que a modificação genética no milho cria um veneno desconhecido, potencialmente carcinogênico? Será que tecnologias semelhantes, aplicadas em animais produtores de carnes, tem o mesmo potencial? Será que vacinas de DNA, que tem como princípio a incorporação de material genico codificador, pode incorrer nas mesmas barreiras?.... Será que esse paper é furado?!?!?
Na minha opinião, só o tempo (e a pesquisa) nos dirá...
Para quem quiser ler com mais detalhes:
Long term toxicity of a Roundup herbicide and a Roundup-tolerant genetically modified maize
- a University of Caen, Institute of Biology, CRIIGEN and Risk Pole, MRSH-CNRS, EA 2608, Esplanade de la Paix, Caen Cedex 14032, France
- b University of Verona, Department of Neurological, Neuropsychological, Morphological and Motor Sciences, Verona 37134, Italy
- c University of Caen, UR ABTE, EA 4651, Bd Maréchal Juin, Caen Cedex 14032, France











