A
calreticulina (CRT) é uma proteína multifuncional
encontrada principalmente no interior de organelas como o retículo endoplasmático. A CRT liga-se a determinados oligossacarideos comumente encontrados em proteínas
recém-sintetizadas e funciona como uma
chaperona molecular que pode desempenhar um papel no dobramento de proteínas ou na retenção e degradação de
proteínas deformadas. Além disso, a CRT participa no armazenamento de cálcio e funciona como uma molécula de sinalização intracelular dependente que pode regular a homeostase do cálcio.
A CRT é reconhecida como um marcador associado com uma melhor resposta de
tumores à quimioterapia.
Um artigo
publicado na Science por Senovilla L
e colegas chamou minha atenção, pois demonstra que o sistema imune controla ativamente
a carga cromossômica, o que teria um papel crucial no controle da carcinogênese.
Com isso em
mente, fui ver o que o artigo demonstra. Os autores inocularam células tumorais
em hospedeiros imunocompetentes ou com diferentes deficiências no sistema
imune. Alem de usar o camundongo rag-/-, os autores usaram ifn-g-/-, ifn-ar-/-,
e tratamentos com anti-CD4 ou anti-CD8. A carga cromossômica das células
tumorais está inversamente relacionada com a atividade do sistema imune.
Quando
analisadas as células de tumores de mama extraídos de 60 pacientes com
diferente resposta a quimioterapia, foi encontrada a mesma relação entre carga cromossômica,
indução de resposta de células T CD8, e indução de estresse do retículo
endoplásmico, com uma melhor resposta.
Isso
demonstra que o sistema imune controla de alguma forma a carga cromossômica em
diferentes tipos de células tumorais, o que está relacionado com o estresse do retículo
endoplásmico, e consequentemente com a expressão aumentada de CRT na membrana.
Fica a pergunta:
qual é o mecanismo que desencadeia esta resposta? Por acaso vem ai mais um
inflamassoma?









