Todos os membros dos receptores do
tipo Toll (TLR) e os membros NOD1 e NOD2 dos receptores do tipo NOD (NLR) são conhecidamente
capazes de ativar o fator de transcrição NF-kB, induzindo a
ativação de diversos genes inflamatórios. Enquanto isso, os membros dos NLR
capazes de formar as estruturas denominadas inflamassomas (NLRPs, NAIP, NLRC4)
exercem sua atividade inflamatória especialmente a partir da ativação da
protease caspase-1, responsável pela secreção de IL-1b, IL-18 e indução da morte celular
inflamatória denominada piroptose.
No entanto, um grupo da Universidade
de Lyon, na França, acabou de demonstrar que os inflamassomas também são
capazes de utilizar a caspase-1 para ativar genes alvos de NF-kB (Erener S et al. Inflammasome-Activated
Caspase 7 Cleaves PARP1 to Enhance the Expression of a Subset of NF-κB Target
Genes. Mol Cell. 2012). Interessante, a ativação desses genes depende da
enzima associada à cromatina PARP1 (Poly(ADP-ribose) polymerase-1 - também
chamada ARTD1), inicialmente descrita por seu envolvimento na apoptose.
Os autores demonstraram que, em
macrófagos estimulados por LPS, alguns genes alvos de NF-kB como il-6, csf2 e lif, mas não ip10, têm a sua expressão
reduzida na presença da forma não clivável de PARP-1 (denominada D214N).
Investigando os mecanismos moleculares envolvidos nesse achado, os autores encontraram
que a estimulação por LPS induz a ativação de caspase-1 dependente de NLRP3 e
ASC. A caspase-1 ativada cliva caspase-7 que é translocada para o núcleo e
recrutada para o sítio inicial de transcrição (TSS) de alguns genes alvos de
NF-kB.
Nesse sítio, caspase-7 cliva PARP1 (em D214). PARP-1 clivada é liberada da
cromatina, permitindo a sua descondensação e induzindo, assim, a expressão
gênica.
Em 2010, nós publicamos um artigo
demonstrando que a flagelina citosólica é capaz de induzir a ativação da iNOS de
maneira dependente de Naip5, NLRC4 e caspase-1, mas independente de MYD88, IL-1b e
IL-18. Desde então, estamos procurando entender como a caspase-1 estaria
envolvida na ativação da iNOS. Conseguimos verificar que a flagelina citosólica
ativa NF-kB e que
a inibição desse fator elimina a expressão da iNOS induzida pelo inflamassoma
NAIP5/NLRC4. No entanto, a questão de como a
caspase-1 poderia ativar NF-kB ainda continua. E agora, PARP1 pode ser a luz
no final do nosso túnel.
Portanto, aproveito aqui o espaço para convidar os leitores que entendam de PARP1 e tenham interesse em colaborar nessa empreitada, para nos ajudar a verificar se é esse o caminho…
Portanto, aproveito aqui o espaço para convidar os leitores que entendam de PARP1 e tenham interesse em colaborar nessa empreitada, para nos ajudar a verificar se é esse o caminho…



