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domingo, 7 de abril de 2013

Journal Club IBA: TCR-CD3: ITAMs Quantity Matters!




Os ITAMs (ImmunoreceptorTtyrosine-based Activation Motif) localizados nas cadeias CD3 associadas ao TCR são críticos para o processo de sinalização desencadeado após a interação entre os complexos TCR:CD3 e MHC:peptídeo (MHCp). A fosforilação de seus resíduos de tirosina gera sítios de ancoramento para tirosina-quinases, principalmente a ZAP-70, iniciando uma cascata de eventos que culminam na ativação das células T. Estes domínios estão amplamente distribuídos entre receptores de células hematopoiéticas, incluindo células T e B, macrófagos e células NK. Contudo, o complexo TCR:CD3 apresenta 10 ITAMs, enquanto os outros receptores não contém mais do que 3. Este grande número de ITAMs provavelmente exerce um importante papel em auxiliar as células T na sua magnífica tarefa de detectar quantidades mínimas de peptídeos estranhos associados ao MHC nas APCs.
Questões que surgem naturalmente a respeito dessa elevada multiplicidade de ITAMs nas células T referem-se à ativação de vias de sinalização específicas, redundância na ativação celular ou existência de efeitos aditivos. Holst e colaboradores (2008), utilizando camundongos retrogênicos que expressavam de 0 a 10 ITAMs funcionais nas cadeias CD3, demonstraram que existe uma relação linear entre o número de ITAMs funcionais e o potencial proliferativo das células T respondedoras, enquanto a capacidade de secretar citocinas como IL-2 e IFN-γ não foi afetada. Esta observação sugere que em algum ponto da sinalização desencadeada pela ativação do TCR, as vias que levam à proliferação celular e à produção de citocinas são dissociadas.
Para avaliar como as células T com baixos números de ITAMs (2 ou 4) mantêm a capacidade de produzir citocina e verificar quais são as vias que requerem alta multiplicidade de ITAMs, Vignali D.A.A. e colaboradores (2013) isolaram células T CD4+ contendo 2, 4 ou 10 ITAMs funcionais para observar essas diferenças.
Como já observado nesse modelo, células com baixa multiplicidade de ITAMs apresentam menor proliferação, o que foi acompanhado com menor expressão de c-Myc, uma proteína que confere sinais de sobrevivência e proliferação. A expressão de c-Myc é regulada por sinais mediados por membros da família de receptores Notch, entre outras vias. Células com baixa multiplicidade de ITAMs apresentam menor expressão de Hes, indicador downstream da ativação de Notch, além de menor quantidade de domínio intracelular ativo (transcriptionally active intracellular domain - NICD), um fragmento observado após ativação do TCR. A indução da expressão de c-Myc por tamoxifeno restaura a capacidade proliferativa das células T com baixa multiplicidade de ITAMs.
Para avaliar o papel de Notch em maiores detalhes, os genes responsáveis por codificar Notch e ADAM10, metaloproteinase responsável pela clivagem da subunidade extracelular de Notch, foram flanqueados com loxP e após transdução com retrovírus contendo Cre-recombinase, esses genes foram deletados. As células que não apresentam Notch ou Adam10 demonstram deficiência na capacidade proliferativa, porém a produção de citocinas não foi alterada. Células que apresentam Notch mutante, incapaz de reconhecer o ligante, apresentam menor expressão de c-Myc, demonstrando que indução de c-Myc mediado por Notch requer a ligação de Notch ao seu ligante.
Sabendo que Notch1 acumula no cSMAC (central supramolecular cluster), os autores avaliaram a formação da sinapse imunológica. Analise temporal da formação da sinapse imunológica mostram que o número de microclusters formados e a velocidade da migração de microclusters foram similares entre células T expressando diferentes quantidades de ITAMs. Porém as células que apresentam baixa multiplicidade de ITAM foram incapazes de contrair, um indicativo de sinapse madura, mesmo após 60 minuto. Esse resultados sugerem que a ausência da formação de cSMAC prejudica a ativação de Notch e expressão de c-Myc.
Um defeito na associação entre TCR e Vav1, proteína envolvida na reorganização do citoesqueleto, foi o responsável pela maturação incompleta da sinapse imunológica em células com poucos ITAMs. ZAP-70 apresenta maior afinidade por resíduos de tirosina fosforilados e requer dois resíduos para a ligação ao TCR, dessa forma essa quinase é capaz de deslocar Vav1 do complexo TCR. Como células com poucos ITAMs funcionais apresentam menor número de resíduos de tirosina, ZAP-70 se liga preferencialmente, o que impede a ligação de Vav1 ao TCR e consequente reorganização do citoesqueleto.
Para determinar quais vias garantem a produção de citocinas, a fosforilação de ZAP-70 e ERK foram analisadas. Tanto as células com alta multiplicidade de ITAM como as células com baixa multiplicidade de ITAMs apresentam similar fosforilação de ZAP-70 e ERK, o que explica por que a produção de citocinas não foi afetada em células com poucos ITAMs funcionais.
Esses resultados sugerem que as vias induzidas pelo TCR que culminam na produção de citocinas e proliferação são divergentes, o que permite ao complexo TCR-CD3 promover funções efetoras limitadas. O programa completo de diferenciação e função de células T pode ocorrer após estimulação ótima do TCR, como observado nas respostas de células com 2, 4 e 10 ITAM a agonistas forte e fraco. Isso habilita o complexo TCR, e talvez outros complexos de receptores de sinalização, a orquestrar uma série de eventos funcionais, fornecendo ao TCR o controle como “reostato” sob a qualidade de resposta efetora.
  
Post  de Mariana Benício e Thaís Bertolini (IBA- FMRP-USP)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Barral explica o Ciência sem Fronteiras

Colegas,

segue entrevista realizada no mês de março com o Prof. Manoel Barral Neto, sobre o Programa Ciência Sem Fronteiras (CsF).

Parte1:


Parte 2:






Abraços, Tiago.

__________________

Atualizando:
Agora com os links corretos para as duas partes.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Células de Langerhans finalmente mostram a sua cara?



 As células dendríticas (DC) são mediadoras importantes entre a resposta imune inata e adaptativa.  Até o momento, foram caracterizadas quatro tipos de células dendríticas: DC clássica ou convencional;  DC plasmocitóide; células de Langerhans (LC) e dendríticas derivadas de monócitos. Avanços com relação a caracterização de progenitores na medula óssea, aos fatores envolvidos na diferenciação dessas células, e ferramentas para a depleção de DC in vivo, têm contribuído bastante para entender a função das dendríticas em processos fisiológicos e patológicos.

Apesar de tantos avanços, pouco sabemos sobre a função das LC na pele. Isto muito provavelmente deve-se a uma rápida repopulação dessas células, ou ainda ao fato de a derme também conter grande numero de células dendríticas convencionais, o que pode atrapalhar a caracterização das funções especificas de cada tipo celular durante respostas imunes iniciadas na pele, como no caso de infecções.

As LC estão presentes na epiderme, em contato direto com os queratinócitos. Após a entrada do antígeno na pele, as LC são ativadas e migram para o linfonodo, onde vão mediar a extensão da resposta imune adaptativa que será gerada. Não esta claro, no entanto, se as LC promovem a ativação ou a tolerância de células T. Resultados conflitantes usando expressão transgênica de gene que codifica a toxina diftérica ou o receptor da toxina diftérica  sob o controle do promotor do gene da langerina, sugeriram que LC podem, respectivamente atenuar ou exacerbar hipersensibilidade de contato.   

Assim, dois recentes artigos podem ser promissores para entender tal questão. Tem sido caracterizado que a geração de LC é dependente da expressão do receptor Colony stimulating fator (Csf-1). O fator de crescimento Csf-1 esta envolvido na geração, diferenciação e sobrevivência de macrófagos e monócitos, mas não contribui para a geração de LC, visto que camundongos deficientes de Csf-1 apresentam população normal de LC na pele. Assim, um outro ligante que não Csf-1 deveria ser o responsável pelo efeito nestas células.

Então, ambos trabalhos elegantemente mostraram que IL-34 deve contribuir para a ativação de Csf-1R e para a manutenção de LC na epiderme de camundongos. Além disso, IL-34 também contribui para a formação de micróglia no sistema nervoso. A deficiência em IL-34 refletiu na redução do numero de LC e micróglia, mas não no numero de monócitos, macrófagos ou dendríticas. 

Além disso, a deficiência em LC resultou em uma diminuída hipersensibilidade do tipo tardio induzida por Candida albicans, suportando a idéia de que LC participam na ativação de células T, e tem a função  de promover, mas não tolerizar a resposta imune adaptativa. Resta então explorar se as LC comportam-se da mesma maneira frente a outros tipos de estímulos, como durante respostas alérgicas ou induzidas por vírus.


Aos amantes de DC como eu, espero que divirtam-se.
    

1- Re(de)fining the dendritic cell lineage, Nature Immunology 13,1145–1154 (2012)

2- IL-34 is a tissue-restricted ligand of CSF1R required for the development of Langerhans cells and microglia. Nature Immunology 13, 753-760 (2012).


3-Stroma-Derived Interleukin-34 Controls the Development and Maintenance of Langerhans Cells and the Maintenance of Microglia. Immunity 37(6) 1050 - 1060




  



    

Proteínas TIM e TAM atuam como receptores para entrada do vírus dengue na célula hospedeira


                     Interação entre as proteínas TIM e TAM com o vírus Dengue - Meertens et al., 2012
 
O vírus Dengue (DENV) é responsável por uma das doenças mais importantes causadas por arbovírus. Entretanto, as interações moleculares que medeiam a sua entrada na célula hospedeira ainda não estão completamente compreendidas. Recentemente, o grupo de pesquisa do Laboratório de Patologia e Virologia Moleculares do Hospital Saint-Louis de Paris, França, liderado pelo grupo do Dr. Amara, objetivando identificar proteínas plasmáticas que aumentam a infecção viral por DENV, determinou que as proteínas TIM e TAM, pertencentes a família que participa da remoção fagocítica de células apoptóticas, por meio de um mecanismo dependente de resíduos de fosfatidilserina (PtdSer), atuam como receptores para entrada do DENV na célula hospedeira.
 
Células pouco susceptíveis ao DENV são significativamente infectadas após expressão ectópica dos receptores TIM e TAM. Por outro lado, a infecção de células susceptíveis pelo vírus é inibida por anticorpos anti-TIM e anti-TAM e pelo Knockdown da expressão de TIM e TAM.
Os receptores TIM facilitam a entrada do DENV por interação direta com os resíduos de PtdSer associados aos vírions. Por outro lado, a infecção mediada por TAM está associada ao reconhecimento indireto do DENV no qual o ligante de TAM, Gas6, atua como uma proteína intermediária para interação entre o ligante e os resíduos de PtdSer presentes nos  vírions. Essas duas possibilidades de reconhecimento viral, via TIM e TAM, revelam como DENV utiliza esses receptores para burlar a via de eliminação de células apoptóticas, passando a utilizá-los como fatores para sua entrada na célula hospedeira. Inibidores desses receptores representam uma classe promissora de compostos anti-virais.
  

Referência
Meertens L, Carnec X, Lecoin MP, Ramdasi R, Guivel-Benhassine F, Lew E, Lemke G, Schwartz O, Amara A. The TIM and TAM families of phosphatidylserine receptors mediate dengue virus entry. Cell Host Microbe. 2012 Oct 18;12(4):544-57.
 



terça-feira, 2 de abril de 2013

O que falta no Portal Periódicos da CAPES?



Colegas,

hoje estou dedicando algumas linhas ao que julgo ser um post de utilidade pública.

O Portal Periódicos da CAPES (www.periodicos.capes.gov.br) é a maior portal online de base de dados do mundo todo, contendo mais de 30 mil periódicos nacionais e internacionais. Além dos journals, o Portal contém enciclopédias, acervos digitais de imagens, acesso ao conteúdo ISI (Web of Knowledge, Web of Science, Journal Citation Reports), dentre outras ferramentas preciosas. É inegável sua utilidade no nosso cotidiano, uma vez que facilita imensamente o trabalho de pesquisa bibliográfica, bem como a democratização das informações lá contidas. É também verdade que o acesso é vedado as instituições públicas de ensino, mas acredito que tal medida é justificada para proteger o investimento do MEC/CAPES de várias centenas de milhões de dólares por ano.  

Contudo, devo dizer que fico um pouco perplexo quanto a ausência de alguns journals da nossa área. Frequentemente, tenho que pedir aos colegas paulistas que me enviem alguns artigos que não consigo acesso por meio do Portal. Eles possuem tal acesso pois a Fapesp, suas Universidades ou seus cursos de pós-graduação pagam tais periódicos a parte. Como exemplo, publiquei um artigo em 2010 na Immunology and Cell Biology, uma revista do grupo Nature. Sempre que me solicitam o artigo, ou quando preciso rever os resultados, só conto com o PDF do Galley Proof (versão provisória, com erros). Há obviamente casos mais notórios, como o JI ou Infection and Immunity, os quais temos acesso só depois que as editoras liberam o conteúdo para o público em geral (6 meses a 1 ano)... como nossa área requer informações sempre muito novas, acredito que tal atraso no acesso as informações é muito ruim para a nossa comunidade.

Neste sentido, gostaria de propor que listemos as revistas que não possuímos acesso e que seriam importantes aos nossos grupos. São colaboradores aqui no blog o Coordenador e Vice-coordenador da área de Ciências Biológicas III da CAPES - João Santana e Roque Almeida - e me encarregarei de escrever um ofício representando a nossa opinião para eles, solicitando encaminhamento de tais aquisições.

Minhas sugestões:

- The Journal of Immunology 
- Infection and Immunity
- Immunology and Cell Biology
- Cell Host & Microbe

E as suas sugestões? Escreva aí nos comentários.... 
O deadline para sugestões vai até o próximo dia 10/04. 

Abraços, Tiago.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Carta pra Carol


No post passado eu mostrei cenas de um regabofe festejando o sucesso da nova geração aqui nas terras  de Nova Amsterdam. Ontem jantando lá em casa, enquanto eu enchia a boca falando que a nova Amsterdam aqui foi fundada por judeus que viveram um tempo no Recife, alguém perguntou: e porque não chamaram de Nova Recife? Isso é o que dá escutar no rádio “Pernambuco falando para o mundo” quando você é menino...

Eu comecei falando de amigos e do Recife porque nessa sexta feira agora eu vou ao Recife, a caminho de Curitiba, onde me chamaram pra falar no Simpósio Sul de Imunologia (mais no mês que vem). No Recife, além de ver meus pais,  vou encontrar Verônica Coelho, Lula Brigido e Fernando Pinto, meus amigos queridos da faculdade... Embora tenhamos nos encontrado individualmente ao longo do tempo, faz 30 anos que não nos encontramos todos ao mesmo tempo. Então já programamos uma visita à faculdade, ao Pedro II, e a outros locais onde no fim dos anos 70 desafiávamos o pouquíssimo juízo que tínhamos... Por isso bateu uma nostalgia assim da escola, da juventude, e eu resolvi procurar um negócio que escrevi sobre Bezerra Coutinho no meu computador.  A busca no  spotlight me trouxe de volta uma carta que tinha escrito dez anos atrás pra Carol Guedes Pereira, minha quase sobrinha... Dei de cara com o documento errado, que por acaso virou o documento mais que certo...

…….
Carol querida

Ontem, quando você me mandou sua e-mail, eu acordei escutando João Gilberto, que é uma paixão antiga. Na verdade acordei vendo o Bom dia Brasil onde se falava de João, do show dele no qual você estava.  Lembrei da última vez que o vi, aqui no Carnegie Hall.  E lembrei que ele tinha sido a minha primeira descoberta de uma extraordinária musicalidade brasileira. Lembrei também de que ali por volta de 73, 74, descobri uma conexão entre João Gilberto - João Cabral, nas construções, na arquitetura. E de que me convenci que eles eram extraterrestres, que habitavam o  mundo longínquo onde vive a arte, do qual eram seus enviados, ciganos.   Uma vez Bernhard Holland, o crítico de música clássica do NYT, disse que o equilíbrio de João Gilberto é extraordinário.... “utter simplicity achieved by means of unnoticed complication”...  Dá pra ver que a carterinha do Mr. Holland deve ser  a de número 4...

Dei aula esta semana. Antes da aula meu colega Jay Unkeless estava discutindo um paper com os alunos e eu descobri Cem anos de solidão embaixo da cadeira de um deles. Peguei o livro e li a primeira página, onde Garcia Marquez  fala do cigano Melquíades. Eu tinha planejado mostrar na minha aula vários vídeos de leucócitos movendo, de chemotaxis, de neutrófilo bulindo. Disse no intervalo, brincando, que ia ser cinema. Na hora deu um estalo e disse que alem do filme a gente ia  ler o livro...Peguei o livro e li o trecho que tinha acabado de ler... Nele, Melquíades sai fazendo miséria com imãs, tirando pregos das paredes, e trazendo de volta objetos há muito perdidos. No meio do assombro das pessoas ele diz: as coisas têm vida própria, tudo é questão de despertar a alma delas. Era uma introducao perfeita pro conceito de chemokinesis.

Passei o dia pensando nessas conexões, no acaso de ter descoberto no chão da sala de aula, um livro onde está escrito na primeira página o mote, a chave: a  arte e a ciência querem chegar à alma das coisas.  Pra que, não sei, talvez pra animar o mundo.  Saí da sala com pressa, não falei com ninguém. Não sei dizer o que eles pensaram. Meu prof de patologia, Bezerra Coutinho, falava de Gulliver, de Pantagruel, e de carneiro com menta nas suas aulas na UFPE.  Ele era o que se chama aqui de um polymath, o capeta. Sabia de tudo, de schistosoma a arquitetura.  Era uma figura muito interessante. Usava óculos verdes de tão grossos,  tinha um andar desengonçado e uma voz pra lá de cavernosa. Eu tinha certeza que ele estava se divertindo com aquilo tudo. Hoje eu me divirto pensando que estou bezerreando meus alunos, ensinando que  tudo vale a pena se o juízo passeia e o coração é bom.

um beijo

Sérgio

ps. o ímã de Garcia Marquez é ...utter simplicity achieved by means of unnoticed complication....

…..
Em tempo: Carol Guedes Pereira hoje trabalha na Rockefeller, depois de uma residência em Harvard. Além de médica e pesquisadora,  é escritora (o  livro dela aqui). Outra presença brilhante da nova geração de brasileiros em Nova Amsterdam

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