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BRASILEIRA DE IMUNOLOGIA
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sábado, 7 de maio de 2011

Oportunidades de fomento


Oportunidades Vigentes

 Prêmio Fernão Mendes Pinto 2011
A Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) é uma organização internacional constituída por membros titulares e associados (Universidades e Instituições de Ensino e Investigação de Nível Superior dos sete países de língua oficial portuguesa e de Macau) que tem como objeto promover a cooperação entre universidades e instituições de ensino e investigação de nível superior por via do incentivo ao intercâmbio de pesquisadores e estudantes, estimulando a reflexão sobre a função do ensino superior e o desenvolvimento de projetos conjuntos de investigação científica e tecnológica, bem como o intercâmbio generalizado de informação.Prêmio Fernão Mendes Pinto destina-se a premiar anualmente uma tese de mestrado ou doutoramento que contribua para a aproximação das comunidades de língua portuguesa, defendida durante o ano civil anterior.
Data Limite: As propostas deverão dar entrada na AULP até 30 de maio de 2011. Home Page: http://www.aulp.org/imprensa.php?id=344 

 Programa Universitário Casa da América Latina/Santander Totta - Prêmio Universitário
O Prêmio Científico Casa da América Latina/Santander Totta é uma iniciativa do Banco Santander Totta em parceria com a Casa da América Latina, cujo objetivo é contribuir para o desenvolvimento de uma cultura de excelência, estimulando e reconhecendo a formação de estudantes portugueses e latino-americanos em temas de qualquer natureza de interesse mútuo para Portugal e a América Latina. O Prêmio visa contemplar a melhor dissertação de doutoramento de aluno oriundo de Portugal ou de um país da América Latina que tenha concluído o 3º ciclo em uma Universidade Portuguesa ou Latino-Americana. O Prêmio contempla duas categorias:
1. Categoria de Ciências Sociais e Humanas; 
2. Categoria de Tecnologias e Ciências Naturais.
Data Limite: Até 31 de maio 2011. Home Page: http://www.casamericalatina.pt/gca/?id=79

Tropical Medicine Research Centers (P50)
The National Institutes of Health (NIH), a part of the U.S. Department of Health and Human Services, is the primary Federal agency for conducting and supporting medical research. Composed of 27 Institutes and Centers (ICs) the NIH provides leadership and financial support to researchers in every state and throughout the world.  This Funding Opportunity Announcement (FOA), issued by the National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), National Institutes of Health, encourages applications from institutions/ organizations that propose to conduct research on the causes, diagnosis, prevention, and treatment of tropical diseases in endemic areas, including creating and sustaining research capacity in-country. The scope of the research to be supported is limited to Neglected Tropical Diseases (NTDs) and their corresponding vectors. Research may be focused on a single pathogen or more than one pathogen causing NTDs. Multi-disciplinary research and/or study of multiple pathogens are encouraged.Research Program Projects and Centers Grant (P50): is intended to support any part of the full range of research and development from very basic to clinical; may involve ancillary supportive activities such as protracted patient care necessary to the primary research or R&D effort.

Data Limite:May 12, 2011, by 5:00 PM local time of applicant organization.

Summer School of Molecular Medicine 2011
The Interdisciplinary Center for Clinical Research of the University Hospital of Jena invites young scientists from all over the world to participate in the Summer School of Molecular Medicine. The Summer School will be held from August 29 till September 28th, 2011, in Jena, Germany, and will provide an excellent opportunity to get familiar with research topics of molecular medicine and modern laboratory techniques. In addition, social events will provide a setting to meet and to learn more about the cultural life in Jena and its environs.
Data Limite:Only complete applications which have arrived by May 31, 2011 can be considered for admission. Home Page:http://www.summerschoolmolmed.uni-jena.de/cms/index.php

Baxter BioScience Grants: Clinical and Non-Clinical Research Grant
The Baxter Healthcare Corporation is committed to improving the lives of patients with kidney disease. Renal Discoveries, the Baxter Extramural Grant Program (EGP), awards grants for innovation, exploration and application of research to advance the knowledge of renal insufficiency and its treatment. As part of Baxter's commitment to meeting the needs of a diverse patient population, it was created the Baxter BioScience Grants program. Focusing on the patient as a priority, the program is designed to support novel therapeutic discoveries. The Baxter BioScience Grants program offers three distinctive grant application types:
1. Clinical Research Grant: Grants that involve the use of therapeutics or medical devices in human study subjects; 
2. Non-Clinical Research Grant: Grants that involve non-human subjects (e.g., animal studies, bench-work); 
3. 
Education Grant.
Data Limite: Grant requests submitted to Baxter BioScience are reviewed on a Quarterly basis. An activity must not be scheduled within 10 weeks of the quarterly submission deadline date. The next submission deadlines are: Jun 30, 2011 and Sep 30, 2011. Home Page:http://www.baxterbiosciencegrants.com/apply_for_a_grant.html

TWAS Support for International Scientific Meetings
The Academy of Science for the Developing World (TWAS) has been supporting scientists and institutions in developing countries through a wide range of programmes including supporting scientific meetings organized in developing countries. With funds provided by the Italian government, TWAS encourages the organization of high level international and regional scientific activities in developing countries by offering financial assistance to the organizers of conferences, workshops, symposia and special meetings held in these countries.Grants are offered for meetings in the following fields of natural sciences: agricultural, biological, chemical, engineering, geological and medical sciences.
 Data Limite:
1 June: for meetings to be held during January-June of the following year; 
1 December: for meetings to be held during July-December of the following year.


EURIAS Fellowship Programme 2012/2013
The European Institutes for Advanced Study (EURIAS) Fellowship Programme is an international researcher mobility programme offering 10-month residencies in one of the 14 participating Institutes: Berlin, Bologna, Brussels, Bucharest, Budapest, Cambridge, Helsinki, Jerusalem, Lyons, Nantes, Paris, Uppsala, Vienna, Wassenaar. The Institutes for Advanced Study support the focused, self-directed work of outstanding researchers. The fellows benefit from the finest intellectual and research conditions and from the stimulating environment of a multi-disciplinary and international community of first-rate scholars. EURIAS Fellowships are mainly offered in the fields of the humanities and social sciences but may also be granted to scholars in natural and exact sciences, if their proposed research project does not require laboratory facilities. The diversity of the 14 participating IAS, which have agreed on a common selection procedure, offers a wide range of possible research contexts in Europe for worldwide scholars. Applicants select up to three IAS outside their country of nationality or residence as possible host institutions.
Data Limite: May 31st, 2011. Home Page:http://www.fapesb.ba.gov.br/?page_id=5074

Fomento e Infraestrutura em P&D
Coordenação de Pesquisas -Vice-Diretoria de Pesquisas e Desenvolvimento Tecnológico
Fiocruz Bahia

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Desvendando os segredos do adjuvante de vacinas Alum: mecanismos dependentes e independentes da ativação do inflamasoma NLRP3

Desde a primeira vacinação contra Varíola em 1789, se sabe que a eficiência das vacinas depende da presença de bons adjuvantes. A maior parte das vacinas modernas consiste de antígenos purificados em combinação com adjuvantes exógenos. A escolha do adjuvante irá influenciar fortemente o tipo de resposta imune adaptativa subseqüente a vacinação.

Um dos adjuvantes de vacina mais conhecido é o Alum (ou sais de Alumínio). Embora a descoberta de que o Alum é um potente e importante adjuvante de vacinas em 1926, os mecanismos envolvidos na resposta imunológica induzida pelo Alum ainda são questões de intenso debate e investigação nos dias de hoje.

A descoberta de que o inflamasoma NLPR3 detecta substâncias particuladas incluindo cristais de urato monossódico (MSU), asbestos, cristais de colesterol, sílica, bem como o Alum, sugeriu um mecanismo plausível para seus efeitos adjuvantes. A captação de substâncias particuladas leva a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) e pode induzir dano lisossomal. NLRP3 quando ativado recruta a molécula adaptadora ASC, a qual se liga a procaspase-1, ativando-a. Caspase-1 ativa cataliza a clivagem da pro-IL-1b na sua forma biologicamente ativa, a citocina IL-1b. Não há dúvidas sob importante papel do inflamasoma NLRP3 para a secreção da citocina pró-inflamatória IL-1b. Contudo, os resultados são controversos quando se trata do papel do NLRP3 na adjuvanticidade do Alum e na indução da imunidade do tipo 2.

Diversos estudos demonstraram que NLRP3, ASC e caspase-1 são essenciais para efeito adjuvante do Alum, enquanto outros estudos não observaram esse papel. Em artigo publicado na Nature em 2008, o grupo do Dr. Richard Flavell (Yale University School of Medicine) demonstrou que o adjuvante Alum ativa o inflamasoma NALP3, induz produção das citocinas pro-inflamatórias IL-1b e IL-18 por macrófagos em resposta ao Alum in vitro, requerendo sinalização via o inflamasoma NALP3 intacto. No mesmo ano, Franchi & Nunez (2008) demonstraram que o inflamasoma NLRP3 é crítico para a secreção de IL-1b induzida pelo Alum, mas é dispensável para a sua atividade adjuvante. E a controvérsia não para por aí. Há 2 semanas atrás a revista Immunity publicou no seu volume 34 alguns interessantes artigos sobre o papel controverso do inflamasoma NALP3 na atividade adjuvante do Alum. Kuroda e colaboradores (2011) conduziram um estudo que identificou que cristais de sílica e sais de Alumínio regulam a produção de prostaglandina em macrófagos de maneira independente da ativação do inflamasoma NALP3.

O trabalho de Kuroda et al. (2011) juntamente com o de Kool et al. (2011) forneceram evidências para um melhor entendimento sobre a imunidade induzida por substâncias particuladas. De acordo com esses autores, substâncias particuladas, como o Alum, não somente ativam o inflamasoma NLRP3 para induzir secreção de IL-1b, mas também estimula a imunidade inata de maneira independente de NLRP3.

Um modelo de sinalização mais atualizado foi então proposto. De acordo com o novo modelo, as substâncias particuladas como Alum e os cristais de urato monossódico (MSU) induzem dano lisossomal, processo que inicia duas vias de sinalização separadas. A primeira é ativação do inflamasoma NLRP3 em decorrência da liberação de catepsinas B no citoplasma, e produção da forma bioativa da IL-1b através da clivagem da pro-IL-1b pela atividade catalítica da caspase-1. A segunda é através da ativação de Syk, o qual ativa a fosfolipase A2 citosólica (cPLA2), provavelmente via a MAP-kinase p38, resultando na liberação de ácido aracdônico dos lipídeos de membrana. A ciclooxigenase-2 (COX-2) e a PGE sintase associada à membrana (mPGES-1) convertem então o ácido aracdônico em prostaglandina E2, de maneira independente da ativação do inflamasoma NALP3.


Fonte: Pelka & Latz. Getting closer to the dirty little secret. Immunity 2001

Ainda temos muito a entender sobre os precisos mecanismos moleculares envolvidos na atividade adjuvante do Alum. Novas descobertas a respeito da dualidade do papel do inflamasoma NALP3 na atividade adjuvante do Alum irão auxiliar no desenho de vacinas mais eficazes.

Aqui vão algumas dicas de ótimos artigos sobre o tema:

Eisenbarth SC, Colegio OR, O'Connor W, Sutterwala FS, Flavell RA.Crucial role for the Nalp3. Inflammasome in the immunostimulatory properties of aluminium adjuvants. Nature 2008 19;453:1122-6.

Franchi L, Núñez G. The Nlrp3 inflammasome is critical for aluminium hydroxide-mediated IL-1beta secretion but dispensable for adjuvant activity. Eur J Immunol. 2008 38(8):2085-9.

Kuroda E, Ishii KJ, Uematsu S, Ohata K, Coban C, Akira S, Aritake K, Urade Y, Morimoto Y. Silica crystals and aluminum salts regulate the production of prostagladin in macrophages via NALP3 inflammasome-independent mechanisms. Immunity. 2011 22;34(4):514-26.

Kool M, Pétrilli V, De Smedt T, Rolaz A, Hammad H, van Nimwegen M, Bergen IM, Castillo R, Lambrecht BN, Tschopp J. Cutting edge: alum adjuvant stimulates inflammatory dendritic cells through activation of the NALP3 inflammsome. J Immunol. 2008 15;181(6):3755-9.

Kool, M., Willart, M.A.M., van Nimwegen, M., Bergen, I., Pouliot, P., Virchow, J.C., Rogers, N., Osorio, F., Reis e Souza, C., Hammad, H., and Lambrecht, B.N. Immunity 2011 34: 527–540.

Pelka K, Latz E. Getting closer to the dirty little secret. Immunity. 2011 Apr 22;34(4):455-8.

Kool, M., Willart, M.A.M., van Nimwegen, M., Bergen, I., Pouliot, P., Virchow, J.C., Rogers, N., Osorio, F., Reis e Souza, C., Hammad, H., and Lambrecht, B.N. Immunity 2011 34: 527–540.

Pelka K, Latz E. Getting closer to the dirty little secret. Immunity. 2011 Apr 22;34(4):455-8.



quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dinâmica da produção de IgA na mucosa intestinal

A imunoglobulina A (IgA), anticorpo predominante no organismo de mamíferos, é produzida especialmente por células B localizadas na lâmina própria do intestino e têm papel fundamental na manutenção da homeostase da mucosa intestinal. Células dendríticas que apresentam antígenos de bactérias comensais da superfície de mucosa intestinal induzem a produção de IgA por células B através de mecanismos dependentes e/ou independentes de células T. Há muito se sabe que a produção de IgA é fortemente induzida pela colonização de bactérias comensais, entretanto a cinética e longevidade desta resposta, assim como as possíveis vias de indução da mesma, ainda não foram totalmente elucidadas. Visando conhecer melhor os mecanismos envolvidos na produção de IgA na mucosa intestinal, em 2010 Hapfelmeir et al desenvolveram um sistema de colonização microbiana reversível in vivo.


Para o desenvolvimento deste sistema os autores mutaram bactérias E. coli, que passaram a apresentar um defeito em sua parede de peptidoglicano responsável pela diminuição do tempo de vida das mesmas. Desta maneira, transcorridas 72 horas após a infecção com a bactéria mutada, os camundongos germ-free retornavam ao status germ-free. Desta forma, este modelo pôde separar a indução de IgA da contínua exposição às bactérias comensais. Os autores observaram que o repertório de IgA intestinal está em constante mudança sendo que a produção de IgA específica permanece mesmo após a eliminação da bactéria. Além disso, foi observado que, quanto maior a diversidade da colonização intestinal, menor é a quantidade de IgA específica para uma determinada espécie bacteriana. O desenvolvimento desse modelo de colonização reversível representa um passo importante no estudo das vias de indução da resposta de IgA, bem como dos mecanismos envolvidos na mesma.




Nesse mesmo sentido, o trabalho de Tezuka et al, publicado na Immunity em fevereiro, investigou a produção de IgA pelo mecanismo independente de participação de linfócitos T, e o papel de células dendríticas plasmocitóides nesse processo. Os autores demonstram que a produção de IgA nos linfonodos mesentéricos (LN-M) é predominantemente T independente (Ti); enquanto nas Placas de Peyer, a participação de linfócitos T é necessária. Estudos anteriores já demonstravam que células dendríticas participavam deste processo de indução de IgA T independente, com a participação de citocinas como TGF-β,IL-6 e IL-10, além de ácido retinóico, APRIL e BAFF.




Este trabalho demonstra que nos LN-M, a principal subpopulação de DCs indutoras de IgA são as DCs plasmocitóides (pDCs) e que, como demonstrado anteriormente, a troca de classe de isotipos depende de APRIL (“a proliferation inducing ligand”) e BAFF (“B-cell activating factor belonging to the tumor necrosis factor family”), mas é independente da ação de citocinas e ácido retinóico. Além disso, a indução via APRIL e BAFF depende do contato pDC-linfócito B, enquanto células dendríticas convencionais produzem essas moléculas solúveis, apresentando efeito parácrino sobre linfócitos B.




A indução de APRIL e BAFF de membrana nas pDCs ocorre via sinalização de IFNs do tipo 1 produzidos por células estromais dos LN-M a partir do reconhecimento de bactérias comensais presentes no intestino. Dessa forma, estas células estromais produzem continuamente baixas quantidades de IFNs tipo 1, ativando seletivamente as pDCs e “up-regulando” a expressão de APRIL e BAFF que, por sua vez, induzem a mudança de isotipo para IgA em linfócitos B. Este estudo elucida os mecanismos de indução de IgA na mucosa intestinal independente do reconhecimento de células T. Estes anticorpos policlonais produzidos via Ti são responsáveis pela manutenção da homeostase intestinal, impedindo a adesão de bactérias comensais e neutralizando toxinas presentes no intestino.

Post de Carolina C. Oliveira; Gilberto S. Santos Júnior; Jaqueline R Silva.

Referências:
HAPFELMEIER, S; LAWSON, M.A.E; SLACK, E; KIRUNDI, J.K; STOEL, M; HEIKENWALDER, M; CAHENZLI, J; VELYKOREDKO, Y; BALMER, M.L; ENDT, K; GEUKING, M.B; CURTISS, R; McCOY, K.D; MACPHERSON, A. Reversible microbial colonization of germ-free mice reveals the dynamics of IgA Immune Response. Science. V. 328, pp. 1705-1709, 2010.
TEZUKA, H; ABE, Y; ASANO, J; SATO, T; LIU, J; IWATA, M; OHTEKI, T. Proeminet role of plasmocytoid dendritic cells in mucosal T cell-independent IgA induction. Immunity. V. 34, pp. 247-257, 2011.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Michel Nussenzweig eleito membro da Academia Americana de Ciências


Notícia fresquinha - foi divulgada ontem a eleição do imunologista brasileiro (e meu orientador) Michel Nussenzweig para a prestigiosíssima Academia Americana de Ciências.

A academia foi fundada em 1863 por Abrham Lincoln como um órgao oficial para aconselhar o governo em assuntos de ciência e tecnologia. A eleição para a Academia é considerada uma das honrarias máximas na área da ciência nos Estados Unidos.

As contribuições do Michel para a imunologia são enormes: entre elas está a demonstração de que células dendríticas endocitam, processam e apresentam antígeno; o esclarecimento do papel do receptor de células B na exclusão alélica; e a demonstração da seleção negativa de células B em humanos.

Atualmente o enfoque do laboratório (diga-se de passagem, um dos mais produtivos e diversos de toda a imunologia) tem se dividido entre o desenvolvimento das células dendríticas, o estudo de anticorpos neutralizantes contra HIV, os mecanismos de ação da AID (a enzima que inicia a hipermutação somática e a mudança de isotipos, mas que também leva ao desenvolvimento de certos tipos de linfoma B) e a observação do sistema imune in vivo utilizando a microscopia two-photon.

Parabéns para o Michel, e que ele continue contribuindo para a imunologia da mesma maneira por muitos anos.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Frio, chocolate, vinho e... imunologia!

Venha nos visitar e aproveitar o aconchego da Serra Gaúcha, degustar uns vinhos e discutir seu assunto preferido no IV Simpósio Sul de Imunologia - acesse o programa em www.ivssi.blogspot.com



Fundação Gates seleciona projetos de pesquisa


A Fundação Bill & Melinda Gates está com inscrições abertas para o programa Grand Challenges Explorations (GCE), aberto a pesquisadores de todo o mundo que queiram desenvolver projetos para melhorar a qualidade de vida nos países em desenvolvimento.

Originalmente publicado na Agência FAPESP – 02/05/2011

Cada proposta selecionada receberá US$ 100 mil. As propostas serão recebidas até o dia 19 de maio.
As linhas de pesquisa incluídas nesta seleção são: “A erradicação da pólio”, “Nova geração de tecnologias de saneamento”, “Novas abordagens para curar a infecção pelo HIV”, “Soluções de baixo custo para uso do telefone celular para as condições de saúde global” e “Novas tecnologias para melhorar a saúde das mães e recém-nascidos”.
Iniciativa de US$ 100 milhões lançada em 2008, o Grand Challenge Explorations já foi concedido a cerca de 500 pesquisadores de mais de 40 países.
O programa de subvenção está aberto a qualquer pessoa de qualquer disciplina e de qualquer organização. A verba de US$ 100 mil é concedida duas vezes por ano. Os projetos aprovados têm ainda a oportunidade de receber um financiamento de até US$ 1 milhão.
Na nova seleção, anunciada na semana passada em Seattle, nos Estados Unidos, 88 cientistas de 25 países foram premiados, entre os quais um brasileiro, Antonio Ferreira Ávila, da Universidade Federal de Minas Gerais.
Com o projeto “Lego like Sanitation System: Pit Latrines Made of Biocomposites”, o pesquisador propõe desenvolver tijolos feitos de composto orgânico para substituir os de cimento na construção de fossas. A equipe de Ávila testará a eficácia e o grau de biodecomposição para definir a sustentabilidade da construção dessas fossas que irão se decompor uma vez que estiverem cheias. Isso permitirá um possível reaproveitamento da terra para fins de agricultura ou uso comunitário.
"Uma ideia ousada é tudo que precisamos para catalisar novas abordagens para a saúde global e o desenvolvimento. Apesar do progresso na saúde global e no desenvolvimento, temos uma carência de ideias criativas para descobrir e distribuir vacinas que salvam vidas, erradicar doenças ou retardar a propagação de doenças evitáveis", disse Tachi Yamada, presidente do Programa de Saúde Global da Fundação Bill & Melinda Gates.
Mais informações: www.grandchallenges.org 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cientistas te levam para andar de montanha-russa

Penso que é interessante sair da nossa área específica de conhecimento, de tempos em tempos, e dar uma espiada no que cientistas de outras áreas andam pesquisando. Tive a chance de fazer isso na última sexta-feira, 29 de abril, ao participar do evento Big Ideas for Busy People, que faz parte do Festival de Ciências de Cambridge. Escrevi aqui para o blog sobre a edição do ano passado do mesmo evento.

Ouvir dez cientistas falar sobre dez temas distintos, durante duas horas, tem quase o mesmo efeito de andar de montanha-russa, dizem os organizadores. A ideia é expor o público em geral, que lotou um espaço aberto na Universidade de Harvard, a algumas das maiores e mais ousadas ideias da ciência atual. Os adjetivos não são por minha conta.

Aí vai a lista dos palestrantes com brevíssimos destaques de suas falas-relâmpago:

Jack Szostak (Harvard)
The Origin of Life
Construir um sistema vivo simples, célula artificial, como maneira de estudar a origem da vida. Desafios: fazer com que as células se dividam e cresçam. O problema de fazer a membrana celular crescer e se dividir já foi resolvido.


Jack Szostak, laureado com o Prêmio Nobel de Medicina em 2009 pelos estudos dos telômeros e telomerase (junto com Carol W. Greider e Elizabeth H. Blackburn), falou no Big Ideas for Busy People.

Sanjoy Mahajan
Street-fighting Mathematics and Science
O ensino deveria ter como premissa de que há múltiplas maneiras de se resolver um problema (aqui). Mahajan é um ótimo nome para ir ao Brasil, se é que ele já não foi, discutir os desafios de se ensinar ciência (escrevi aqui sobre um curso que ele oferece para alunos de pós-graduação interessados em seguir carreira acadêmica e em dar aulas no nível superior).

Amy Smith (MIT)
How to Make a Million
Título provocativo. O milhão não se refere a dinheiro e sim a tecnologias desenvolvidas em vilas na África, facilitadas pelo pessoal do MIT, e concebidas pela população local. Creative Capacity Building, engajando a população no design de tecnologias. Em Pader, Uganda, as mulheres caminhavam 3,5km, oito vezes por dia, carregando água na cabeça. Junto com o grupo da Amy Smith, desenvolveram uma espécie de carrinho de mão e agora as mulheres fazem apenas uma viagem por dia. Smith foi aplaudida por vários minutos. Ela ressaltou que comunidades carentes precisam deixar de serem vistas como sem potenciais.

Donald Elliott Ingber (Harvard)
Human Organs-on-Chips: No More Animal Studies for Drug Development?
Modelo atual de desenvolvimento de drogas não funciona. Modelos animais serão um dia substituídos por chips? Pulmão humano em um chip (paper Science 2010); coração em um chip e agora gut-on-a-chip (para testar drogas). Ingber é do Wyss Institute: For Biologically Inspired Engineering (aqui).

Steven Pinker (Harvard)
A History of Violence
Violência mundial vem diminuindo ao longo da história da humanidade; declínio não eliminou violência (claro) e não tem garantia de continuar. Problema: Pinker baseia sua pesquisa em situações que podem ser quantificadas (guerras, por exemplo) e em dados disponíveis. Segundo ele, a diminuição da violência não é percebida pela população em geral pois a mídia trabalha em função de “if it bleeds it leads”. Polêmico. Fiquei com vontade de entender mais sobre o assunto.

Robert Desimone (MIT)
Shedding Light in the Brain
Optogenética, iluminando regiões específicas do cérebro. Tanto ciência básica (para entender os circuitos humanos) quanto aplicada (tratamento parecido com marca-passo, ativando regiões do cérebro com fins terapêuticos). Terapias para doenças neurológicas evoluindo da era química (tratamento com drogas) para a engenharia. Penso que Ed Boyden deveria ter proferido a palestra no lugar do Desimone (aqui).

Lisa Berkman (Harvard)
Health and Work: Work Redesign in a Time of Demographic Change
Pirâmide demográfica tradicional está se transformando em um retângulo. “O mundo vai retangularizar ou cogumelizar”. Momento único na história da humanidade: em breve haverá mais gente com mais de 65 anos de idade do que crianças abaixo de cinco anos. Dois motivos explicam a retangularização: aumento da expectativa de vida (nada de novo) E diminuição da fertilidade. Em breve teremos países estéreis.

Alan Guth (MIT)
One Universe or Many?
Uma das hipóteses levantadas pelos físicos é a de que vários big-bangs aconteceram em diferentes lugares, em diferentes momentos; múltiplos universos (multiversos), um em cima do outro.

Sara Seager (MIT)
Exoplanets and the Search for Habitable Worlds
A busca por planetas parecidos com a terra usando pequenos telescópios chamados CubeSats.

Colleen Cavanaugh (Harvard)
The Human Microbiome: We Are Not Alone
Projeto microbioma humano; dados de que carregamos 100 vezes mais genes microbianos do que humanos; bactérias como nossa impressão digital; transferência da microbiota como terapia. Para o pessoal que acompanha o SBlogI, nenhuma novidade.

domingo, 1 de maio de 2011

End the wasteful tyranny of reviewer experiments

Nosso colega Bernardo Franklin me chamou a atenção para este comentário publicado no Nature News.
Vale a pena a leitura: www.nature.com/news/2011/110427/full/472391a.html?WT.ec_id=NATURE-20110428

Festa Imunológica

Em uma grande festa, os linfócitos, citocinas, quimiocinas, receptores e mais algumas figuras da Imunologia que nem são lembradas muitas vezes, estavam reunidas para comemorar a diversidade imunológica. Em uma mesa da festa logo no centro do salão, os irmãos TLRs estavam reunidos: TLR2, TLR4 e TLR9. O TLR2 e o TLR9 morrem de inveja do primogênito TLR4 que já tem um casamento de longa data com o LPS, o qual hoje não estava na festa para não causar febre. Era notório que os TLRs estavam todos morrendo de ciúmes do triângulo amoroso na mesa do lado formado por Nod1, Nod2 e Rip2, que se consideram muito mais seletivos, já que só reconhecem o que está no citoplasma celular. O Nod1 já procurou uma via alternativa para não ter que dividir o Rip2 com o Nod2, esse último parece regulador. Enquanto essa briga acontecia em outra mesa, o macrófago só comia e esperava o prato principal e o neutrófilo contava vantagem por ser o primeiro que chega ao sítio de inflamação. Estava nessa festa também os componentes do inflamassoma. O NLRP3 encontrava-se super emocionado, o que é de se esperar, uma vez que o mesmo é tão sensível que sente ROS, efluxo de potássio e qualquer estresse celular. Enquanto esses eram os primeiros que chegavam à festa, esperavam-se ansiosamente os linfócitos, que precisam das integrinas para chegar.


Nossa que confusão, era Th17, Th1, Th2, T reguladora e Th9 todos brigando para decidir quem ia orquestrar a sinfonia principal daquele musical. Que música seria cantada? Quando a música era composta por TGF-β e IL-2, reguladora é quem orquestrava. No entanto, quando TGF unia-se a IL-6 e IL-1, a Th17 era quem comandava aquela festa. A célula reguladora brigava principalmente com Th17, a qual é conhecida por vilã em muitas doenças inflamatórias. Th17, por sua vez, se defendia dizendo que ela tem um papel importante em algumas infecções. Na ausência de IL-17 animais infectados por T. cruzi morrem drasticamente e produzem maiores quantidades de IFN-γ. Nessa festa contávamos também com a presença do cirurgião plástico IFN do tipo I que queria fazer Th2 tornar-se Th1. Th2 começou a fazer terapia desde que começou a dividir a IL-4 com Th9. Th9 está em plena felicidade desde 2010, quando pôde ter um fator de transcrição único conhecido como PU.1.


Inesperadamente, a música pára e tudo se transforma em silêncio. Aparece uma célula dendrítica linda com um vestido cheio de pontas. Ela anunciava o prato principal conhecido por Trypanosoma cruzi. TLR2, TLR4, TLR9 e Nod1 vibravam com esse saboroso parasito. IL-12 já se apresentava querendo que Th1 fosse o maestro, mas IL-6 também estava lá querendo IL-17. GITR fazia questão da presença da reguladora e IL-10 exigia a presença de Th2. Significa que teríamos Th1 e Th17 de um lado, enquanto Th2 e T reguladora estariam do outro. A resposta Imune é assim diversa. Não basta apenas inflamar, tem que regular. Não basta a Imunidade Inata reconhecer, é preciso chamar a adaptativa para responder. Muita coisa nessa complexidade e diversidade ainda precisa ser elucidada, obviamente ela vai ficar ainda mais complicada. Dessa maneira, mais festas surgirão e espero até lá contar com a presença de novos fatores de transcrição, novos receptores, novas vias de sinalização. A festa continua....

Post de Grace Kelly da Silva. FMRP - IBA.
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