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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Células T CD8 de Memória de Longa Duração apresentando Características de Células Naïve e Capacidade de se Auto-renovar Ex vivo estão Presentes Após Vacinação Antiamarílica


Figura: Células T CD8 específicas persistem por longo período, após vacinação antiamarílica 17D, apresentando uma população significativa com fenótipo de célula naïve. Para detectar células T CD8 específicas contra o virus amarílico. foram utilizados tetrâmeros HLA-A*02 capazes de identificar TCR específico para um epitopo altamente prevalente da vacina NS4b214−222 (A2/NS4b). A distribuição (%) entre os vacinados das subpopulações de células de memória ou com fenótipo de células naïve dentro das células T CD8 específicas para A2/NS4b está verticalmente apresentada, considerando anos após vacinação. CM=Central memory; EM=effector memory; EMRA=effector memory CD45RA+. Fonte: Fuertes et al., 2015, Sci Transl Med.

Memória imune persistente e eficaz é essencial para a proteção de longa duração em doenças infeccionas e resposta a tumores. A vacina antiamarílica é constituída por vírus atenuado que induz uma proteção de longa duração. Estudos recentes mostram que a resposta de células T CD8 é particularmente robusta, após imunização contra essa vacina. No entanto, existem poucos estudos sobre a resposta de células T CD8 de longa duração frente à imunização vacinal e eles frequentemente não ultrapassam cinco anos após imunização.

O grupo liderado pelo Dr. Daniel E. Speiser do Ludwig Cancer Center, University of Lausanne na Suíça, investigou esses aspectos em trabalho recentemente publicado na revista Science Translational Medicine. Foram avaliados 41 voluntários que receberam imunização antiamarílica 17D e que tinham uma variação entre 0,27 a 35 anos após vacinação. Os resultados mostraram que células T CD8 foram detectadas em quase todos os doadores (38/41) com frequências diminuídas ao longo do tempo pós-vacinação.

A princípio, células efetoras predominam na resposta inicial após imunização. Contudo, o estudo identificou uma população de células T CD8 específicas para o virus amarílico que apresentava um fenótipo de células naïve e que era mantida estavelmente por mais de 25 anos e capaz de se auto-renovar ex vivo. Análises utilizando o perfil de RNA mensageiro de marcadores celulares mostrou que essas células eram distintas das células naïve de doadores não vacinados e assemelhavam-se à subpopulação de células de memória com características de células pluripotentes denominadas Stem-cell-like memory subset (Tscm). Além disso, dentre todas as subpopulações diferenciadas, esse tipo celular tinha um perfil mais próximo ao apresentado por células naïve.

Os dados do estudo revelaram que células Tscm CD8 são eficientemente induzidas por uma vacina em humanos, persistem por décadas e preservam o fenótipo naïve. Esses dados suportam a vacinação antimarílica como um modelo mecanístico para o estudo de células T CD8 de memória de longa duração em humanos.

Referência
- Fuertes Marraco SA, Soneson C, Cagnon L, Gannon PO, Allard M, Abed Maillard S, Montandon N, Rufer N, Waldvogel S, Delorenzi M, Speiser DE. Long-lasting stem cell-like memory CD8+ T cells with a naïve-like profile upon yellow fever vaccination. Sci Transl Med. 2015 Apr 8;7(282):282ra48. doi:10.1126/scitranslmed.aaa3700.



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Quantificação de Linfócitos T CD8 de Memória revelam Regionalização da Imunovigilância

Figura: Novo modelo proposto para imunovigilância no hospedeiro – A maioria dos compartimentos, incluindo órgãos sólidos e espaços vasculares são patrulhados por populações residentes de linfócitos T CD8 que permanecem localizados dentro desses sítios. O número de células residentes é subestimado pelos ensaios imunológicos padrões e indica que a imunovigilância exercida pelos linfócitos T CD8 de memória é altamente regionalizada. Fonte: Steinert et al., 2015. Cell.

A imunização gera diversas subpopulações de linfócitos T de memória que diferem segundo suas propriedades migratórias, distribuição anatômica e, consequentemente, sua acessibilidade de investigação. Em edição recente da revista Cell, o grupo liderado pelo Dr. David Masopust do Department of Microbiology e Center for Immunology da University of Minnesota nos Estados Unidos demonstrou que ao contrário de dados previamente descritos, uma subpopulação de linfócitos T CD8 de memória considerada minoritária em tecidos periféricos, denominada de linfócitos T de memória residentes, foi dramaticamente subestimada até o momento. Dessa forma, os modelos atuais de imunidade protetora requerem revisão.

Memória de linfócitos T CD8 protege o hospedeiro contra patógenos celulares por meio da varredura de moléculas de superfície de suas células. Dessa forma, o ritmo de detecção da infecção depende do número de células de memória e de sua distribuição. Além disso, análises de subpopulações celulares dependem do isolamento celular de orgãos inteiros e sua interpretação é baseada na premissa de que esse isolamento é capaz de recuperar completamente os tipos celulares presentes.

As subpopulações celulares de memória são subdivididas em subpopulações de memória central, efetora e residente, que são definidas por meio de padrões de imunovigilância, mas que na prática, são identificadas por marcadores fenotípicos. Assim, os autores do trabalho testaram a validade dos modelos propostos de diferenciação de células T de memória e sua distribuição frente à infecção murina pelo vírus da coriomeningite linfocítica. Os dados foram analisados por citometria de fluxo e por microscopia de imunofluorescência quantitativa, a partir de uma população murina de linfócitos T CD8 de memória dos camundongos infectados.

Os resultados revelaram alguns achados principais: o isolamento de linfócitos não foi capaz de recuperar a maioria das células, sendo preferencialmente recuperadas certas subpopulações. Esse isolamento subestimou ainda o número de linfócitos T CD8 de memória em tecidos não linfoides, que juntamente com as células T CD8 de memória que circulam no sangue, superaram o número das células presentes nos órgãos linfoides; na ausência de inflamação, a imunovigilância realizada por células T CD8 de memória central e efetora em tecidos não linfoides foi mínima; células residentes foram a população majoritária nos órgãos não linfoides em comparação com as células recirculantes e as subpopulações de células de memória migraram para o sítio inflamatório de forma distinta daquela previamente hipotetizada pelos padrões de migração.

Os resultados do estudo propõem um modelo revisado de imunovigilância que destaca a existência de grande número de células T CD8 de memória sítio-localizadas. Populações diferentes de células T CD8 de memória patrulham nichos anatômicos distintos que formam uma rede imunológica integrada para proteger o hospedeiro de reinfecções. Além disso, cabe ressaltar, que a maioria do patrulhamento do hospedeiro é realizada por populações abundantes de células T CD8 de memória regionalizadas e que não recirculam. Ao invés disso, permanecem confinadas dentro de compartimentos anatômicos específicos.

Referências:
- Steinert EM, Schenkel JM, Fraser KA, Beura LK, Manlove LS, Igyártó BZ, Southern PJ, Masopust D. Quantifying Memory CD8 T Cells Reveals Regionalization of Immunosurveillance. Cell. 2015 May 7;161(4):737-49. doi:10.1016/j.cell.2015.03.031.


- Gerlach C, Loughhead SM, von Andrian UH. Figuring fact from fiction: unbiased polling of memory T cells. Cell. 2015 May 7;161(4):702-4. doi: 10.1016/j.cell.2015.04.038.
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