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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Nucleotidases/Adenosina e o estabelecimento da infecção por Leishmania sp.


Apesar dos inúmeros estudos realizados para desvendar os eventos imunológicos que ocorrem durante a leishmaniose visceral, a complexa interação entre parasita-hospedeiro dificulta a montagem deste intrigante quebra cabeça. Estudos sobre a regulação do sistema imune contra Leishmania sp. tem apontado um possível papel para as enzimas ectonucleotidases e o seu produto, adenosina. O aumento na concentração de adenosina extracelular inibe as funções efetoras das células do sistema imune do hospedeiro, via ativação de diferentes combinações de receptores purinégicos.
Uma revisão recente publicada por Palleta-Silva & Meyer-Fernandes [http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3189589/?tool=pmcentrez] esclarece que as ectonucleotidases são enzimas presentes na membrana dos parasitos com sítio ativo voltado para o meio extracelular, que catalisam a hidrólise de nucleotídeos de adenosina. Nucleotídeos extracelulares estão envolvidos em muitas funções fisiológicas, via sinalização purinérgica, que envolve uma família de receptores expressos concomitantemente em várias células do sistema imune como neutrófilos, macrófagos, células dendríticas e células T. A atividade dessas enzimas varia entre e as muitas espécies do gênero Leishmania sendo diretamente relacionada com a virulência e gravidade da doença. Um artigo publicado em 2011 [http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1286457908001202] ressalta que as características intrínsecas do parasita podem sim direcionar a forma clínica da leishmaniose. Neste artigo, os autores demonstraram que isolados de L. amazonensis obtidos de pacientes com leishmaniose visceral apresentam maior atividade ecto-ATPase do que isolados de pacientes com leishmaniose cutânea localizada e difusa.  Uma pesquisa com pacientes com LV revelou que estes apresentavam elevada concentração de adenosina apesar da diminuição de nucleotidases do hospedeiro [http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21729107]. Esses achados apontam as ecto-nucleotidases como importantes alvos terapêuticos contra leishmanias.

Rafael Paletta-Silva and Jos´e RobertoMeyer-Fernandes, 2011

Quais outras moléculas e mecanismos esse expert protozoário lança mão para sobreviver?! Que venham mais pesquisas!

Luana Seraphim, Fabricia Alvisi & Priscila Lima, Pós-Doutorandas

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Propriedades antiinflamatórias da saliva de flebotomíneos

Apesar de quase dois meses atrasado, gostaria de dedicar algumas linhas aqui no blog ao trabalho publicado pelo grupo do Prof. Fernando Q. Cunha (FMRP/USP - Ribeirão Preto, SP), no The Journal of Immunology. O referido artigo mereceu a capa do periódico (figura abaixo), não somente pelas belíssimas fotos obtidas pela Dra. Vanessa Carregaro, mas também pela importância dos seus achados.




Os autores observaram que extratos de glândulas salivares, ricas em adenosina e 5'AMP, eram capazes de reduzir a lesão articular em modelo de artrite induzida por colágeno. Eles demonstram, por meio de experimentos elegantes, que a regressão no escore da doença está relacionado a atuação direta destes nucleosídeos em células dendríticas, consequentemente inibindo a ativação de linfócitos com padrão Th17 de resposta, diretamente relacionados a indução da patologia.

A leitura do artigo completo vale a pena. Segue a referência completa:


Mais uma vez, parabéns a todos envolvidos!

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