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terça-feira, 8 de maio de 2012

Agora é a vez da IL-1alfa!

As citocinas IL-1a e IL-1b apresentam muitos pontos em comum: 1) são sintetizadas no citoplasma e secretadas por uma via não convencional, por um mecanismo citoplasmático independente do Complexo de Golgi e Retículo Endoplasmático; 2) são liberadas simultaneamente por diversos estímulos e 3) agem no mesmo receptor IL-1R1. Desta forma foi proposto que estas citocinas compartilhavam essencialmente as mesmas funções biológicas. Entretanto, nas diferenças entre elas residem questões intrigantes e que vêm despertando cada mais a atenção dos pesquisadores da área. A citocina IL-1b é produzida no citosol celular na forma de um precursor inativo e só se torna uma citocina madura após clivagem pela caspase-1 ativa no interior da estrutura dos inflamassomas. Neste contexto, a caspase-1 é a responsável não só pela clivagem, mas também pela liberação da citocina IL-1b ativa, por mecanismos ainda controversos, que parecem incluir a formação de poros na membrana plasmática. Em contrapartida, a IL-1a não é um substrato da caspase-1 e não necessita ser clivada para se ligar ao receptor IL-1R1 e exercer suas funções. Apesar disso, um possível envolvimento dos inflamassomas e caspase-1 na secreção de IL-1a havia sido sugerido pelo grupo do Flavell (1), porém os mecanismos envolvidos permaneciam desconhecidos.
            Com o objetivo de elucidar os desencadeadores e os mecanismos que levam à produção e secreção de IL-1a, o mais recente trabalho de Jurg Tschopp e col. investigou a produção desta citocina por uma ampla gama de ativadores dos inflamassomas. Eles observaram que ativadores de diferentes inflamassomas induzem simultaneamente liberação de IL-1a e IL-1b in vitro e in vivo. A IL-1a foi tão ou mais importante do que a IL-1b para induzir produção de IL-6 e recrutamento de neutrófilos durante modelo de peritonite induzida por cristais de urato (MSU), deixando claro um papel crucial da IL-1a como molécula efetora in vivo, em um contexto de ativação do inflamassoma NLRP3. Ainda, foi demonstrado que a liberação de IL-1a ocorre ativamente, uma vez que este fenômeno precede a morte celular induzida por estes estímulos.
            Apesar de ambas as formas clivada e não clivada da IL-1a apresentarem atividade biológica, a maioria dos ativadores de NLRP3 induziu a secreção da forma clivada, enquanto o ATP promoveu liberação somente da forma não clivada. Interessante, os autores demonstraram um requerimento diferencial para os componentes dos inflamassomas na secreção da citocina IL-1a. Para a maioria dos ativadores solúveis de NLRP3 investigados, dentre eles ATP e a toxina nigericina, a liberação de IL-1a foi depende de NLRP3, ASC e caspase-1. Ainda, a habilidade da caspase-1 em controlar a secreção de IL-1a, que não é seu substrato, ocorre de maneira independente da sua atividade de protease. Em contrapartida, algumas partículas ou cristais ativadores de NLRP3, como a sílica e o MSU induziram processamento e secreção de IL-1a de maneira independente do inflamassoma, porém, dependente de fagocitose, maturação lisossomal e da atividade das catepsinas lisossomais. Para esses estímulos que induzem IL-1a independente de caspase-1 parece haver o envolvimento de uma cisteíno protease não lisossomal e dependente de Ca++ intracelular da família das calpaínas, capaz de clivar a pro-IL-1a. De acordo com isso, os autores demonstraram que a simples abertura de canais de Ca++ por ionomicina, ativadores de canais de cálcio endógenos ou simplesmente uma condição celular hipotônica, foram suficientes para induzir clivagem e secreção de IL-1a independente dos inflamassomas.
            Desta forma, este trabalho contribuiu enormemente para o melhor entendimento da regulação da secreção da citocina IL-1a frente a diferentes estímulos, bem como o envolvimento dos inflamassomas neste processo, que até então era ainda bastante obscuro. Além disso, a demonstração do papel efetor da citocina IL-1a in vivo, em um contexto que durante muito tempo foi atribuído somente à citocina IL-1b, permitirá a abertura de novos caminhos na pesquisa de diversas patologias onde o receptor IL-1R1 tem papel, focando agora também neste outrora esquecido integrante da superfamília da IL-1.
Referencias Bibliográficas:
1. Sutterwala, F S, Ogura, Y, Szczepanik, M, Lara-Tejero, M, Lichtenberger, G S, Grant, E P, Bertin, J, Coyle, A J, Galan, J E, Askenase, P W & Flavell, R A 2006 Critical role for NALP3/CIAS1/Cryopyrin in innate and adaptive immunity through its regulation of caspase-1. Immunity 24 317-27.
Post de Silvia Lage
Doutoranda do Centro de Terapia Celular e Molecular – CTCMol
Universidade Federal de São Paulo

segunda-feira, 12 de março de 2012

Controle físico da produção de IL-1β


Em 2008, o grupo do Akira descreveu um mecanismo através do qual a autofagia (olha ela aí de novo) controlava a produção de IL-1β (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18849965). Embora os resultados deste artigo sejam bastante convincentes, recentemente o grupo do John Kehrl descreveu em um artigo na Nature Immunology um outro mecanismo através do qual a autofagia controlaria a produção da mesma citocina (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22286270). De acordo com Kehrl, esse controle é exercido de maneira física. Os autofagossomos formados pela ativação de AIM2 ou Nlrp3, de maneira independente de ASC, terminam por degradar os inflamasomas formados. Na verdade, essa é uma idéia que já rondava a cabeça de alguns pesquisadores nesta área. A grande novidade é que, de acordo com os autores, estes inflamasomas são ubiquitinados e recrutam p62. Esta proteína tem um domínio de ligação a Ub e também a LC3 e atuaria como uma ponte entre as duas principais vias de degradação dentro da célula: a autofagia e o proteasoma. Assim, os inflamasomas formados são ubiquitinados e terminam sendo degradados dentro de autofagosomos e assim a produção de IL-1β é controlada.

Grande abraço e até a próxima

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Capa da Immunity - Dez/2012

Colegas,


foi com grata satisfação que recebemos a notícia de que o grupo liderado pelo Dr. Alan Sher, com participação do nosso colaborador Bruno Bezerril, publicou um excelente manuscrito na edição deste mês da Immunity, com direito a capa da revista e tudo mais.

Parabéns a todos os envolvidos com o trabalho!


Link para o artigo: AQUI



"On the cover: Interleukin-1β (IL-1β) is known to important for protection during Mycobacterium tuberculosis infection. Mayer-Barber et al. (pages 1023–1034) show an additional critical protective role for IL-1α and identify two myeloid subsets as the source of these important inflammatory cytokines in the infected lung. On the cover is an artistic depiction of the heterogeneous nature of these two pulmonary DC-macrophage subsets, as well as interactions between antigen-presenting cells and T cells in the lungs of M. tuberculosis (brown)-infected mice. Each colored cell represents a functionally distinct subset of DCs or monocytes-macrophages and, in case of the smaller round cells, different CD4+ T helper cell subsets. The myeloid subsets are multifunctional and, in addition to IL-1α and IL-1β, produce a specific set of cytokines (represented by small, round particles), which in turn are regulated by interferons from infected cells and T lymphocytes. Cover art by Katrin Mayer-Barber."


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