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BRASILEIRA DE IMUNOLOGIA
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sábado, 21 de dezembro de 2013

É hora de fazer pedido...




E você? O que vai pedir para o Papai Noel? Muitos resultados e papers para ano que vem?

Feliz Natal!

Natália Ketelut – doutoranda FMRP/IBA

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Desejo a vocês uma boa noite de sono!

Caros colegas do SBlogI,

Li recentemente um artigo que gostaria de compartilhar com vocês neste final de ano. Principalmente para os que por algum motivo: deadlines ou até mesmo filhos, não tiveram a oportunidade de dormir o suficiente e estão esperando ansiosamente o recesso ou férias de final de ano.

Reference: Sleep drives metabolite clearance from the adult brain.Science. 2013 Oct 18;342(6156):373-7. doi: 10.1126/science.1241224. PMID: 24136970.

Pesquisando mais sobre o assunto achei um comentário sobre o estudo no NIH News para a sua apreciação (http://www.nih.gov/researchmatters/october2013/10282013clear.htm):

How Sleep Clears the Brain

A mouse study suggests that sleep helps restore the brain by flushing out toxins that build up during waking hours. The results point to a potential new role for sleep in health and disease.


Cerebrospinal fluid (blue) flows through the brain and clears out toxins through a series of channels that expand during sleep. Image courtesy of Maiken Nedergaard.

Scientists and philosophers have long wondered why people sleep and how it affects the brain. Sleep is important for storing memories. It also has a restorative function. Lack of sleep impairs reasoning, problem-solving, and attention to detail, among other effects. However, the mechanisms behind these sleep benefits have been unknown.
Dr. Maiken Nedergaard and her colleagues at the University of Rochester Medical Center recently discovered a system that drains waste products from the brain. Cerebrospinal fluid, a clear liquid surrounding the brain and spinal cord, moves through the brain along a series of channels that surround blood vessels. The system is managed by the brain’s glial cells, and so the researchers called it the glymphatic system.
The scientists also reported that the glymphatic system can help remove a toxic protein called beta-amyloid from brain tissue. Beta-amyloid is renowned for accumulating in the brains of patients with Alzheimer's disease. Other research has shown that brain levels of beta-amyloid decrease during sleep. In their new study, the team tested the idea that sleep might affect beta-amyloid clearance by regulating the glymphatic system. The work was funded by NIH’s National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS).
The researchers first injected dye into the cerebrospinal fluid of mice and monitored electrical brain activity as they tracked the dye flow through the animals’ brains. As reported in the October 18, 2013, edition ofScience, the dye barely flowed when the mice were awake. In contrast, when the mice were unconscious—asleep or anesthetized—it flowed rapidly.
Changes in the way fluid moves through the brain between conscious and unconscious states may reflect differences in the space available for movement. To test the idea, the team used a method that measures the volume of the space outside brain cells. They found that this “extracellular” volume increased by 60% in the brain’s cortex when the mice were asleep or anesthetized.
The researchers next injected mice with labeled beta-amyloid and measured how long it lasted in their brains when they were asleep and awake. Beta-amyloid disappeared twice as quickly in the brains of mice that were asleep.
Glial cells control flow through the glymphatic system by shrinking and swelling. The hormone noradrenaline, which increases alertness, is known to cause cells to swell. The researchers thus tested whether the hormone might affect the glymphatic system. Treating mice with drugs that block noradrenaline induced a sleep-like state and increased brain fluid flow and extracellular brain volume. This result suggests a molecular connection between the sleep-wake cycle and the brain’s cleaning system.
The study raises the possibility that certain neurological disorders might be prevented or treated by manipulating the glymphatic system. “These findings have significant implications for treating ‘dirty brain’ diseases like Alzheimer’s,” Nedergaard says. “Understanding precisely how and when the brain activates the glymphatic system and clears waste is a critical first step in efforts to potentially modulate this system and make it work more efficiently.”

RELATED LINKS:
New Brain Cleaning System Discovered:
http://www.nih.gov/researchmatters/september2012/09172012brain.htm
The Benefits of Slumber:
http://newsinhealth.nih.gov/issue/apr2013/feature1
Alzheimer's Disease May Stem from Protein Clearance Problem: 
http://www.nih.gov/researchmatters/december2010/ 12202010alzdisease.htm
Sleep and Memory in the Aging Brain:
http://www.nih.gov/researchmatters/february2013/02112013sleep.htm
Naps Can Help Preschool Children Learn:
http://www.nih.gov/researchmatters/september2013/09302013naps.htm


Gostaria de terminar com um trecho do livro de François Jacob, O rato, a mosca e o homem: “Em pesquisa básica, se não há de início uma boa dose de incerteza sobre os resultados de um experimento, não há  possibilidade  de que se trate de um assunto  interessante. Em geral, parte-se de dados algo ambíguos e incompletos. O problema consiste  em encontrar  relações entre fragmentos de informações aparentemente independentes.”

Boas Festas!


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O que acontece quando um biólogo conversa com um estatístico


http://www.youtube.com/watch?v=Hz1fyhVOjr4

Eosinófilos salvando seu fígado nas festinhas de fim de ano

Queridos amigos

O fim de ano se aproxima e frequentes são aquelas festinhas de confraternização (você certamente vai participar de uma hoje ou amanhã!!) onde se exagera na cerveja, no vinho, na tequila, na vodka e no whisky. E o coitado do fígado vai aguentando, aguentando, aguentando.. até que ..... 

Sim, tudo bem, mas o que o eosinófilo tem a ver com tudo isso?

Segundo artigo publicado no PNAS por Sharon Goh e colaboradores (Eosinophils secrete IL-4 to facilitate liver regeneration, PNAS, 110, 9914, 2013)  http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23716700 
eosinófilos são células importantes na estimulação da regeneração hepática.

Logo, se você exagerar nas comemorações de fim de ano, saiba que os eosinófilos serão sempre células amigas com quem você pode sempre contar ... mesmo na manguaça !!!! 

Eosinófilos ... agora também ajudando o seu fígado!

Um Feliz Natal e um produtivo 2014 para todos nós 

Josi

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Impacto e Ousadia

Ciência de 'Alto Impacto'  (http://img.terra.com.br)
Andou rolando pela rede um texto do Herton Escobar a respeito de uma conferência da Marcia McNutt, editora-chefe da Science, no Fórum de Mundial de Ciência que aconteceu no Rio de Janeiro no final de novembro. Nessa entrevista ela dizia que 'A ciência brasileira precisa ser mais corajosa e mais ousada se quiser crescer em relevância no cenário internacional'. 


Ouvi muita gente discutindo se ela estava certa, errada, se a Ciência no Brasil é ousada (de um modo geral), ou não, blá blá blá. Também houve muita gente discutindo porque não se consegue publicar (de um modo geral) em revistas de alto impacto no Brasil. Uns culpam o sistema. Outros culpam a panelinha. Outros dizem que a culpa é dos editores. Há quem acredite que isso é parte de uma conspiração que prenuncia a chegada dos alienígenas ao poder.

Eu acho que o problema é que a pergunta está um pouco distorcida. Já perdi as contas de quantas pessoas me perguntaram isso. Minha resposta é sempre a mesma: para se publicar em revistas de alto impacto (que por sinal não tem nada a ver, na minha opinião, com o chamado fator de impacto), é preciso fazer Ciência que tenha impacto. Então, deveria-se perguntar qual o impacto da Ciência produzida no Brasil. 

Uma pergunta leva à outra e a próxima seria o que é Ciência que tem impacto. Novamente, e essa opinião é pessoal, Ciência que tem impacto é aquela que é capaz de mover (sacudir) uma determinada área, seja mudando a maneira pela qual as pessoas pensam sobre um determinado problema, seja oferecendo um jeito novo de gerar informação relevante. Pra poder fazer esse tipo de Ciência, a gente tem que ter um certo 'mindset'. Primeiro, a pessoa tem de saber o que está acontecendo de interessante em Ciência (em geral). Segundo, a pessoa tem de saber perguntar perguntas interessantes. Nesse sentido, eu acho que um bom cientista tem de ser um bom leitor, no sentido Borgiano da expressão. Se a pessoa não lê, como vai saber o que é interessante, o que já foi feito, o que é repetição, o que é variação de um mesmo tema? Terceiro, a pessoa precisa colaborar. Encontrar gente com o mesmo 'mindset' mas com diferente expertise. Estamos em 2013, quase 2014. Não dá prá viver na redoma da imunologia, num universo cheio de micróbios, neurônios, epitélios, câncer, 'name your favorite non-immunological cell'... Quarto, a pessoa precisa de dinheiro. Não tem jeito. Se o dinheiro é pouco, o jeito é usá-lo do melhor jeito possível e colaborar. E por último, tem de saber transmitir a mensagem e ser insistente. 

Uma das minhas maiores decepções é ver que a Ciência no Brasil não decola, embora tenha tudo para decolar. Tem gente boa, capaz, inteligente, uma massa crítica crescente, tem espaço, tem sol e tem praia. Claro, tem problemas, tem corrupção, tem um sistema pré-histórico de avaliação científica, não tem uma indústria que dê suporte local ao crescimento científico... Mas mesmo assim, acho que é importante não adotar uma atitude passiva. Olhar para modelos de outros países emergentes na Ciência, mas também desenvolver uma política realista, baseada em fatos, que se adeque à realidade nacional. Para isso é inevitável perguntar (e responder) a questão inicial: 'qual é o impacto da Ciência brasileira?' E se você não estiver satisfeito com a resposta, perguntar o que fazer para mudar.

domingo, 15 de dezembro de 2013

A descoberta de um novo DAMP



Na edição de novembro da Nature Medicine, Qiang e colaboradores mostraram uma nova função para a proteína ligante de RNA, CIRP. Foi demonstrado que através da direta ligação em TLR4, CIRP pode induzir a inflamação que ocorre durante o choque hemorrágico e sepse, ou seja, acaba de ser descrito um novo DAMP.
Cold-inducible RNA binding protein” (CIRP) é uma proteína constitutivamente expressa que tem seus níveis aumentados após situações de estresse como média hipotermia e exposição à radiação ultravioleta. O aumento da expressão de CIRP é responsável, por exemplo, pela diminuição do ciclo celular que ocorre nas células durante a exposição a baixas temperaturas, sendo então uma molécula de resposta ao estresse.
O grupo de Qiang mostrou que choque hemorrágico e sepse também são capazes de aumentar a expressão e secreção de CIRP por macrófagos em pacientes e em modelo animal. O papel dessa proteína em induzir uma resposta inflamatória foi demonstrado pelo aumento da produção de TNF-a e HMGB1 por macrófagos RAW264.7 após o tratamento com recombinante de CIRP.
In vivo, o bloqueio de CIRP com anticorpo específico ou o uso do animal nocaute desta proteína atenua os efeitos pró-inflamatórios causados pelo choque hemorrágico ou sepse, aumentando significativamente a sobrevida dos animais.
Desvendando a via pela qual CIRP medeia seus efeitos pró-inflamatórios, macrófagos de camundongos deficientes de TLR2, RAGE respondiam normalmente aos efeitos de CIRP, porém animais TLR4-/- não apresentaram aumentadas concentrações de TNF-a, IL-6 e HMGB1 após estímulo com o recombinante de CIRP. Ao final, foi demonstrado que um resíduo próximo à região C-terminal de CIRP atua como um ligante do dímero TLR4 e MD2, induzindo então seus efeitos pró-inflamatórios.
Poderíamos considerar CIRP um novo alvo terapêutico para supressão da resposta inflamatória? Já conhecemos muito bem as vias de sinalização e função de TLRs e aparentemente uma terapia bloqueando diretamente sua ativação poderia prejudicar outros componentes imunológicos. Deste modo, a busca por DAMPs que possam ser bloqueados parece ser muito interessante.

Post de Maria Claudia Silva (doutoranda) e Gustavo Quirino (mestrando) IBA-FMRP.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Ensino de Ciência: O Projeto Imunologia nas Escolas de São Paulo e as ações de 2013


       Os resultados do último exame do PISA (Programme for International Student Assessment) mostraram que o Brasil ainda ocupa posições aquém das desejadas e adequadas em leitura, matemática e ciências entre os alunos da educação básica. Esses resultados dramáticos não deixam duvidas: é imperativo que o Brasil invista, com mais dedicação, em ensino de ciência para nossos jovens estudantes. Neste sentido, o Instituto de Investigação em Imunologia com o Projeto Imunologia nas Escolas tem contribuído para trilhar esse caminho ao investir em educação científica.
O Projeto Imunologia nas Escolas de São Paulo, pioneiro no Brasil, é uma ação educacional em ciência, da plataforma de ensino e interação com a sociedade – sob coordenação geral da Dra. Verônica Coelho - do Instituto de Investigação em Imunologia – iii-INCT. O projeto, financiado pela CNPQ, é coordenado pelo Prof. Jorge Kalil e vice-coordenado pela Dra. Aldina Barral. As atividades do Projeto vêm sendo desenvolvidas na escola estadual Romeu de Moraes, no bairro da Lapa desde 2010, e já contemplou aproximadamente 350 alunos do ensino básico. Em 2013 fechamos o ano com algumas inovações e comemorações:

1. Programa para Professores: Em parceria com a Diretoria de Ensino Centro/Oeste de São Paulo, conseguimos implantar um curso de formação de professores de escolas da rede pública. O programa teve como foco a construção do conhecimento e a discussão de estratégias didáticas visando uma aprendizagem significativa para os estudantes. Organizado e ministrado pelo Prof. Paulo Cunha – coordenador pedagógico do Projeto – e Prof. Daniel Manzoni de Almeida, o evento teve a participação de 12 professores de diversas disciplinas e foi composto por 7 encontros na própria diretoria de ensino e 1 encontro com a visita dos professores ao Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (InCor).

2. Programa para as Famílias: Essa ação aconteceu em Outubro/2013, no dia dos Pais na referida Escola. Os alunos do projeto escolheram 3 temas desenvolvidos durante o ano para apresentar aos seus pais: Alergia, HIV/AIDS e Vacinas. O principal objetivo foi incentivar a participação dos alunos na disseminação do conhecimento científico para a sociedade geral. Este evento foi muito bem recebido pelos alunos e deverá ser incluído na programação do próximo ano.

3. Exposição de cartazes e palestra sobre Câncer: Organizamos a exposição “Câncer: conhecer para prevenir” em parceria com a plataforma de difusão e educação, coordenada pela Dra. Dirce Maria Carraro,  do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Oncogenômica do Hospital A.C. Camargo. Após 1 semana, a jornalista e mestre em oncologia Cristiane Gonçalves apresentou uma palestra sobre o tema exposto, possibilitando uma discussão ampliada com os alunos.

4. Prêmios recebidos pelos alunos do Programa de Pré-Iniciação Cientifica: Desde o início do Projeto, alunos da escola Romeu de Moraes tiveram a oportunidade de frequentar laboratórios da USP, desenvolvendo um projeto e contando com ajuda de uma bolsa de Iniciação Científica concedida pelo CNPq. Com esse programa tivemos várias premiações. Contabilizando o total, já foram 13 prêmios nacionais e internacionais desde o início do programa em 2010. 
5. Expansão do Projeto Imunologia nas Escolas pelo país: Convidados pela FioCruz da Bahia, em Novembro/2013 visitamos o Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz e a escola parceira para compartilhar nossa experiência e contribuir para implantação do projeto em Salvador, prevista para 2014. Este projeto será coordenado pela Dra. Theolis Bessa, Dra. Claudia Brodskyn, Dr. João Paulo do Carmo, Dra. Aldina Barral e Dr. Manoel Barral. Recentemente estivemos também no campus da Universidade Federal do Mato Grosso, na cidade de Sinop. Neste local, o projeto contará com a coordenação da Profa. Lindsey Castoldi Coimbra e sua equipe de jovens estudantes, encabeçada por Lucinéia Albiero e Eduardo Figueredo Nery.
           É importante ressaltar que a participação de jovens cientistas no Projeto Imunologia nas Escolas tem sido um importante agente motivacional para os alunos do ensino básico. Por outro lado, notamos que a experiência de transmitir um conhecimento científico de forma acessível à população e a oportunidade de rever a evolução histórica destes conhecimentos, tem se mostrado muito importante na formação destes jovens cientistas. Por este motivo o Projeto Imunologia nas Escolas tem como meta este ano iniciar uma disciplina de pós-graduação onde esta experiência seja disponibilizada aos alunos de pós-graduação em Imunologia.
        As atividades do projeto no ano de 2013 se encerraram na última quarta-feira, 4/12/13, com a visita dos alunos do 1o ano da Escola Romeu de Moraes ao Laboratório de Imunologia do InCor – sede do iii-INCT. Como em todo os anos, nessa visita os alunos tiveram a oportunidade de conversar e entender a rotina dos cientistas num laboratório de Imunologia.
No ano de 2014, o Projeto Imunologia nas Escolas de São Paulo estará a todo vapor trazendo boas novidades e melhorando o que já foi construído. Certamente nossos novos parceiros pelo Brasil poderão nos ajudar muito nesta caminhada.

Post de Daniel Manzoni de Almeida 
Coordenador Executivo do Projeto Imunologia nas Escolas
Instituto de Investigação em Imunologia


& Equipe do Projeto Imunologia nas Escolas do iii-INCT: 
Verônica Coelho – coordenadora geral
Silvia Sampaio – coordenadora científica
Sandra Moraes – coordenadora científica
Paulo Cunha – coordenador pedagógico
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