domingo, 10 de fevereiro de 2013

Ciência para leigos


A ideia deste post surgiu de um comentário do prof. Tiago Mineo (post), onde ele fala sobre a necessidade de sabermos “traduzir nossos resultados para o público em geral”; e também de uma disciplina que participei que foi ministrada pela professora Dra. Geciane Silveira Porto da Faculdade de Economia e Administração aqui da USP-RP, denominada Administração de Pesquisa e Desenvolvimento na Empresa (recomendo!). Nessa disciplina, aprendi um pouco sobre essa parceria cada vez mais necessária entre Empresa e Universidade. Duas coisas meio óbvias, mas que me chamaram muito a atenção como um aluno da Faculdade de Medicina cursando uma disciplina da Faculdade de Economia e Administração foram: 1) a dificuldade para consolidar essa parceria Empresa x Universidade não é somente burocrática. A comunicação às vezes atrapalha também. O linguajar científico e o linguajar dos administradores nem sempre se mistura de forma “aprazível”. 2) Não há uma uniformidade nas fontes de busca de conhecimento. Por exemplo, as empresas voltadas para outras áreas do conhecimento como, por exemplo, engenharia mecânica, robótica, entre outras, geralmente utilizam como fonte de busca de conhecimento principalmente os bancos de patentes, como o United States Patent and Trademark Office (USPTO) e no Brasil, Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Já na nossa área, é um pouco diferente. Normalmente visamos mais uma publicação do que uma patente e foi justamente isso que tentei demonstrar no meu projetinho final da disciplina. Resolvi focar no diabetes, que é minha área de atuação no mestrado. De fato, quando fui pesquisar, descobri que o número de publicações em diabetes no ano de 2012, por exemplo, foi aproximadamente 60 vezes maior do que o número de patentes depositadas. Isto reforça a noção de que pelo menos na nossa área, diferentemente de outras, visamos mais uma publicação do que o “mercado”.

Portanto, fica claro que são várias as fontes de conhecimento para as mais diversas áreas do conhecimento. Além disso, é fundamental sabermos transmitir esses conhecimentos para pessoas leigas na área, ainda mais nessa era da multidisciplinaridade. Para isso, acredito que podemos aprender (e muito) dessa “didática” com reportagens que encontramos por aí em revistas para o “público em geral”.  Às vezes, minha mãe me pergunta com o que eu trabalho e eu penso: “como vou explicar que uma determinada linhagem de camundongo é mais resistente ao diabetes auto-imune sem entrar em imunologia? Th17? Treg? Antes disso, como explicar o que é uma linhagem de camundongo?” Foi aí que me deparei com algumas matérias das revistas VEJA e Isto É que dão um show em matéria de “traduzir nossos resultados para o público em geral” e gostaria de compartilhar com vocês. Foram duas reportagens sobre Vitamina D (uma na Isto É e outra na versão impressa da VEJA em janeiro deste ano) e outra sensacional que saiu na VEJA sobre um tema bastante (!!!) discutido aqui na pós no nosso Journal Club: Microbiota. E o mais interessante: em um texto de 780 palavras e duas figuras explicativas, não aparece uma vez sequer a palavra microbiota! Em uma única figura, com um esquema bastante interessante, eles conseguem explicar de maneira simples e de fácil entendimento como todo o processo de disbiose (alteração da composição da microbiota) pode levar à obesidade. Para concluir este post, tentei fazer o “caminho inverso” dessa reportagem da VEJA sobre microbiota: refiz o esquema da matéria, só que dessa vez citando alguns dos trabalhos que ajudaram a consolidar tal conhecimento científico. Em outras palavras, fui do leigo ao científico (figura abaixo). Além disso, sugiro aqui também a leitura de uma revisão publicada na Nature bem interessante que saiu em setembro de 2012 sobre o tema, cujo autor é o pesquisador Bäckhed que aparece com a cara estampada na reportagem.






Leitura sugerida (desta vez não serão papers!):



Referências

Post por Frederico Ribeiro – Mestrando FMRP-USP

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