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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Saindo da primeira classe: linfócitos T CD8+ reconhecem epítopos restritos a MHC II


Um grupo do Vaccine and Gene Therapy Institute and Oregon National Primate Research Center publicou na última sexta-feira um trabalho na Science descrevendo a indução de linfócitos T CD8+ que reconhecem epítopos não canônicos de SIV restritos a MHC classe II. A façanha foi alcançada utilizando citomegalovírus (CMV) recombinante expressando gag para imunização de macacos Rhesus.  Os animais apresentaram resposta de linfócitos T CD8+ incapazes de reconhecer os epítopos imunodominantes e subdominantes clássicos que são normalmente induzidos quando outros vetores como DNA, adenovírus, vaccínia ou o próprio SIV são utilizados. No entanto, a resposta induzida por CMV foi muito mais ampla. Utilizando peptídeos truncados, células expressando alelos de MHC classe II, bem como anticorpos para bloqueio de MHC classe I e classe II o grupo demonstrou que em torno de 60% dos epítopos de gag reconhecidos pelos linfócitos T CD8induzidos pelo CMV eram restritos a MHC classe II e altamente promíscuos. Notavelmente, estes linfócitos foram capazes de reconhecer células infectadas com SIV.  A incapacidade de induzir resposta contra os epítopos canônicos foi correlacionada com a expressão do gene Rh189 de CMV. Além disso, o vetor utilizado no protocolo de imunização era deletado de Rh157.5, Rh157.4 e Rh 157.6 e a ausência destes genes foi correlacionada com a capacidade de indução de resposta contra os epítopos não canônicos restritos a MHC classe II.  Conceitualmente, o trabalho sugere a possibilidade de manipulação de vetores para indução de respostas mais amplas e promíscuas por vacinas recombinantes. Resta saber como, exatamente, estes genes interferem com o processamento e apresentação de antígenos para linfócitos T CD8+.



Para quem quiser ler o trabalho, segue o link


Boa semana!

Jonatan Ersching
USP/Unifesp - São Paulo

domingo, 26 de maio de 2013

Journal club IBA: Succinato é um sinal inflamatório: a influência do metabolismo na imunologia






        Tannahill e colaboradores publicaram em março desse ano na nature um artigo que faz com que os imunologistas abram os olhos para tentar relacionar o metabolismo celular com a resposta desencadeada pelo LPS. Não é novidade que a ativação do TLR-4 em células apresentadoras de antígeno (APCs), faz com que ela não só produza citocinas pró-inflamatórias, mas também passe a utilizar principalmente a glicólise como fonte de energia, diminuindo drasticamente o consumo de oxigênio, mesmo que este esteja disponível no meio. De uma maneia muito interessante o trabalho mostra a importância de produtos do metabolismo celular, como o succinato, na resposta a lipopolissarídeos (LPS) e a produção de IL-1beta.
             Há alguns anos foi demonstrado que após ativação por LPS, macrófagos apresentam aumento de uma proteína importante para que a glicólise ocorra, o Fator 1alpha induzido por hipóxia (HIF-1alpha) (Blouin, C.C et al., 2004). E já se sabia também que tal proteína era essencial para produção de citocinas pró-inflamatórias após a indução de sepse por LPS (Peyssonnaux, C. et al., 2007). Porém, essa via, bastante incomum para os imunologistas, envolve mais proteínas do que a ativação de TLR levando a expressão de HIF-1alpha e o aumento da produção de IL-1beta.
       A grande “sacada” do trabalho foi a descoberta de que a ativação por LPS em macrófagos provoca aumento do succinato por duas vias alternativas, a entrada e a degradação da glutamina e do neurotransmissor GABA na mitocôndria. O succinato em excesso faz com que HIF-1alpha seja superexpressa por inibição da proteína prolil hidroxilase (PHD), responsável pela sua degradação, e assim o HIF-1alpha atua como fator de transcrição não só para enzimas responsáveis pela glicólise, mas também da citocina IL-1beta. Um trabalho bastante interessante que fez com que muitos imunologistas precisassem retirar o livro de bioquímica do armário.

Post de Maria Cláudia da Silva e Marcel Trevisani (FMRP-IBA)

sábado, 25 de maio de 2013

Seminário para Autores – “Como publicar um artigo nos periódicos Cell Press”





       
          A Editora Elsevier e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) promoveram, no dia 16 de maio de 2013, o seminário para autores “Como publicar um artigo nos periódicos Cell Press”, com o editor científico do periódico Immunity (Cell Press), Dr. Bruce Koppelman.
           Durante o seminário, foram apresentados os títulos, dados e fatos históricos do Cell Press; diferentes métricas para avaliação dos periódicos; os vários aspectos do processo de publicação; dicas e procedimentos para que um artigo seja aceito no periódico; e ética de publicação para autores.                      
         No total, mais de 120 estudantes de pós-graduação e pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto participaram do Seminário. O Prof. João Santana da Silva, professor da FMRP-USP, ressaltou “O seminário foi excelente. Todos os colegas com quem discuti tiveram a mesma opinião. Os estudantes de pós-graduação aproveitaram muito, ficaram empolgados e perguntaram sobre a possibilidade de outros eventos similares. A nossa Faculdade está aberta para possíveis futuros eventos em associação com a Elsevier”.
            Para visualizar a apresentação realizada durante o seminário: 

Post de Ana Luisa Maia (Gerente de Marketing Elsevier).

Aloha!!



Acabo de chegar do congresso da Sociedade Americana de Imunologistas, realizado em Honolulu, HI. Estou completamente maravilhada. O congresso, as palestras, o lugar... Foi uma combinação e tanto. O congresso era gigantesco e impecavelmente organizado. Nada de explorar só um tema! Tinha de tudo, agradava a todos os gostos. O que mais me apeteceu foram as palestras de diferenciação de linfócitos T CD4+. Sobre isso tivemos WE Paul, NIH; JJ Oshea, NIH; KM Ansel, Uni of Califórnia; MK Leivins, Canadá; S Sakaguchi, Japão. Uma verdadeira overdose!! Parece que estão todos convencidos que os linfócitos não se diferenciam para uma situação "terminalmente diferenciada", salve, salve Tiago Medina (http://blogdasbi.blogspot.com.br/2012/09/o-circo-dos-horrores-da-imunologia.html), e que fatores epigenéticos e a expressão de miRNAs estão intimamente relacionados com a plasticidade. Oshea defendeu que as regras não são mais aplicadas na diferenciação das células, que algumas são reguladoras, mas não expressam Foxp3, outras expressam Tbet e Rorγt e não sabemos quem elas são... Uma salada só. Ele discutiu a flexibilidade da expressão desses "Master Regulators", e mostrou que animais deficientes em Bach2 (molécula cujo polimorfismo está ligado à ocorrência de doença celíaca, IBD, e diabetes) desenvolvem autoimunidade letal, pois não há geração de células Tregs, logo, Bach2 é crítico para geração de Tregs, mas também inibe a diferenciação de Th1, Th2 e Th17.
É isso aí, uma amostra grátis pra vocês!

Aloha and mahalo!!!

Post de Manuela Sales Nascimento (IBA-FMRP-USP).
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