BLOG DA SOCIEDADE
BRASILEIRA DE IMUNOLOGIA
Acompanhe-nos:

Translate

sábado, 13 de abril de 2013

Vida de Empreguete



 


              Resolvi trazer para o Blog um assunto que há muito tempo é pauta entre as nossas conversas antes, durante ou após experimentos, na hora do café, almoço ou jantar, na mesa de bares… em qualquer lugar por aí. Acho que aqui é um lugar legal de discutir os direitos, ou melhor, a falta de direitos do pós-graduando, porque gente de todos os escalões tem acesso ao blog: os próprios estudantes, os professores, chefes de agências de fomento, etc. Antes de tudo deixo claro que essa é a minha opinião, certa ou errada, mas ainda é a minha opinião.
         Tenho visto incessantemente na mídia a respeito da nova lei dos direitos dos empregados domésticos. Bom pra eles (as), que moram num país que decidiu defender a sua classe. Faxineiras, babás, motoristas e cuidadores de idosos, que já tinham carteira assinada e direito a décimo terceiro salário, agora também ganham por hora extra trabalhada após 8 h de expediente, adicional noturno, 2 horas para almoço, férias… Se você que está lendo acha que eu sou contra isso, você está me entendendo errado. Acho até que a lei demorou demais para chegar e valer. Sou super a favor dos direitos dos empregados domésticos e queria aproveitar para fazer um paralelo com a carreira que estou tentando construir.
            Eu fiz 4 anos de faculdade de Ciências Biológicas. Tudo bem que não está entre os cursos mais bem vistos por aí, mas ainda assim é um curso superior. Dei aula no ensino fundamental e médio, e defendi TCC para me formar. Emendei 2 anos de mestrado a agora estou no meio do doutorado já sofrendo com o dia pós-defesa, o título de ‘Dr. desempregado’ e os anos de pós-doc que não contarão para minha aposentadoria. Pois bem, quando me formei na faculdade me tornei Bióloga, mas o termo ‘estudante’ nunca me abandonou. Não sei se por consequência disso nunca tive e também nunca discuti sobre ‘direitos’ com ninguém superior a mim, como por exemplo, meu orientador, a quem chamo de ‘chefe’.  Acho legal que os empregados domésticos tenham seus direitos garantidos, sabe!? Acho massa pra caramba!! Mas e eu? Que dei um duro danado, estudei, hoje trabalho com material contaminado e infectado, de manhã de tarde e de noite, às vezes (incontáveis vezes, na verdade) viro noites fazendo experimento, ou escrevendo/corrigindo manuscritos, lendo papers, dando pareceres, escrevendo/corrigindo projetos, fazendo prestações de contas, não recebo hora extra e/ou adicional noturno, não recebo insalubridade, não recebo 13º salário, fico vivendo uma ilusão do aumento que a presidenta prometeu dar no meu salário que chamam por aí de ‘bolsa’, na minha declaração de matrícula tem escrito “OS ALUNOS DESSA ENTIDADE NÃO POSSUEM DIREITO A FÉRIAS”, eu trabalho sábado, domingo e feriados quando precisa (e normalmente precisa), tiro dinheiro do bolso para participar de congressos, não tenho FGTS, e também não tenho direito de fazer greve por melhorias das condições de trabalho, ou seria de estudo?… e por aí vai, a lista é grande. Talvez você esteja pensando ‘eu já passei por isso, e no meu tempo a bolsa era menor ainda’. Tá, beleza, e você se orgulha disso? O quilo do tomate também não era tão caro na sua época de mestrado, era? O que sinto é um menosprezo geral da nação àqueles que querem ser pesquisadores/cientistas no Brasil. Francamente. Ai vem um Ciência sem Fronteira exportando gente para fora do país, com um monte de propaganda no horário nobre para eleitor nenhum botar defeito. ‘Estamos internacionalizando a ciência do país’. Sério? Não é o que parece.
            Se não for pedir demais, exponham a opinião de vocês nos comentários. O que vocês acham do paralelo que tracei e da situação da nossa classe no Brasil?

Bom trabalho.

Manuela Sales – IBA – FMRP - USP

sexta-feira, 12 de abril de 2013

É possível montar tecidos artificiais com gotículas de água?

Fonte do vídeo: 
Science Friday

Trabalho original:
A Tissue-Like Printed Material

Science 5 April 2013: 
Vol. 340 no. 6128 pp. 48-52 
DOI: 10.1126/science.1229495


Living cells communicate and cooperate to produce the emergent properties of tissues. Synthetic mimics of cells, such as liposomes, are typically incapable of cooperation and therefore cannot readily display sophisticated collective behavior. We printed tens of thousands of picoliter aqueous droplets that become joined by single lipid bilayers to form a cohesive material with cooperating compartments. Three-dimensional structures can be built with heterologous droplets in software-defined arrangements. The droplet networks can be functionalized with membrane proteins; for example, to allow rapid electrical communication along a specific path. The networks can also be programmed by osmolarity gradients to fold into otherwise unattainable designed structures. Printed droplet networks might be interfaced with tissues, used as tissue engineering substrates, or developed as mimics of living tissue.


 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Apollo 13


Um dos meus filmes favoritos se chama Apolo 13 – acho que todo mundo viu, contando a história da missão espacial que era pra ser rotineira e acabou virando mundialmente acompanhada pois vários problemas acabaram colocando a vida dos astronautas em risco. Bom, parece um drama, mas a minha seqüência  favorita do filme, na qual eu sempre penso, é aquela em que os níveis de CO2 da nave ficam críticos, pois os filtros  de ar não haviam sido programados para os 3 astronautas ficarem respirando ali dentro o tempo inteiro – já que eles não iam afinal conseguir pousar na lua, e iam demorar mais pra voltar. Enfim. O comando terrestre decide que alguém tem de propor uma solução de modo que os astronautas consigam construir um filtro novo dentro da nave, no espaço. Para isso, reúnem os engenheiros na base e dão pra eles os materiais que existem na nave e dizem: façam um filtro com isso. E tem que funcionar, senão eles morrem.  Os engenheiros resolvem os problemas, usando fita isolante para que tubos redondos encaixem em filtros quadrados, etc. E depois de testar, eles descrevem, passo a passo, para os astronautas, pelo rádio, como eles tem de fazer o filtro. 

Isso aconteceu de verdade, o filtro funcionou, e pra mim é uma das histórias mais bonitas pra se usar como metáfora de como tem de ser a ciência que a gente produz. Quando estudamos um problema, e propomos uma solução, seja ela envolvendo ou não engenharia, não importa – ela tem de ser reproduzível em qualquer laboratório do mundo – até numa nave espacial orbitando a terra.

Nesta semana saiu na Nature um comentário de um menino chamado Jonathan Russel aqui que não conheço, mas assino embaixo do que ele falou.  Ele propõe que para todos os grandes grants que sejam aprovados no NIH, seja aprovada uma verba em separado, para pagar um teste independente de reproducibilidade. Independente de publicação – a verba gasta pelo NIH deveria ter garantia de ser reproduzível. O contribuinte não deveria pagar por ciência que só um laboratório consegue fazer, e ninguém mais.

Ele prossegue listando todas os prováveis argumentos que as pessoas levantariam para dizer que isso não funcionaria. Seria caro. Não seria prático. Quem faria os testes? E pro fim: a ciência se auto corrige. Sim, se auto corrige, mas isso leva anos, as vezes décadas. O atraso que algo de impacto, mas que não será reproduzível, causa, é enorme, e muito, muito danoso.

Essa é uma discussão fundamental. Seja aqui, nos EUA, no Japão, ou na Nigéria – se funciona, funciona. Se não funciona, mesmo se saiu na Science, it is bad science. Nós temos de falar sobre isso,  ensinar nossos alunos sobre isso, e pensar que as perguntas que fazemos e respondemos agora vão ajudar a responder  as perguntas do futuro – talvez numa missão espacial em Júpiter, talvez numa epidemia na Nova Zelândia. Mas apenas se o que você demonstrou puder ser reproduzido.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Uma boa noite de sono: Ciclos sono-vigília afetam a forma como nossos corpos lutam contra doenças.



Post de João Paulo do Carmo 

Highlights:
1. O relógio circadiano molecular modula a expressão e função de TLR9.
2. Há variações in vivo diárias da capacidade de resposta a ODN de CpG (ligante de TLR9).
3. A hora do dia determina a gravidade da doença num modelo de sepse dependente de TLR9.
4. O tempo de imunização determina a resposta de TLR9 à vacina “adjuvantada” com ligante.

Resumo
Os ritmos circadianos se referem a processos biológicos que oscilam em um período de cerca de 24 h. Estes ritmos são sustentados por um relógio molecular e proporcionam uma matriz temporal que assegura a coordenação dos processos homeostáticos com a periodicidade dos desafios ambientais. Aqui, os autores demonstram que o relógio circadiano molecular controla a expressão e a função de TLR9. Em um modelo de vacinação utilizando ligante de TLR9 como adjuvante, camundongos imunizados no momento da responsividade ao TLR9 aumentada, apresentaram semanas mais tarde uma resposta imune adaptativa melhorada. Em um modelo de sepse murina dependente de TLR9, verificou-se que a gravidade da doença foi dependente do tempo de indução de sepse, coincidindo com as alterações diárias na expressão e função de TLR9. Estas descobertas revelam um link molecular direto entre os sistemas circadiano e imune inato, com implicações importantes para a imunoprofilaxia e imunoterapia.
As pessoas muitas vezes se sentem cansadas ​​quando ficam doentes e os pesquisadores acreditam que as citocinas que ajudam a combater a infecção podem induzir sonolência. Se a ativação do sistema imune pode afetar o sono, pode ser verdade que o inverso - ciclos de sono - afetariam o sistema imune? Erol Fikrig e colegas da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale isolaram alguns dos atores moleculares, tanto do ciclo circadiano quanto do sistema imune inato e mostraram que a resistência de algumas respostas imunes foi efetivamente afetada pela hora do dia.
Primeiro eles viram que, camundongos sem o gene funcional Per2, que ajuda a controlar o relógio circadiano mestre no cérebro, tiveram seu relógio alterado, juntamente com a expressão de TLR9, que faz parte da resposta imune inata e detecta a presença de DNA bacteriano ou viral no citoplasma das células infectadas. Silver & Arjona rastrearam a expressão de TLR9 e viram-na mudar ao longo de um ciclo de 24 horas. Amostras de tecidos de baço, bem como APCs, como macrófagos e linfócitos B, expressaram os mais altos níveis de TLR9 durante o ponto mais ativo do dia, o que no caso do camundongo é à noite. Assim, segundo os autores, há uma série de ritmos TLR9 particulares no nível tecidual.
Em seguida, os investigadores aprofundaram-se no nível do DNA. Eles seguiram a atividade de duas proteínas circadianas, que se ligam entre si para formar um fator de transcrição que liga genes regulados pelo ciclo circadiano. Descobriram que este fator de transcrição circadiano se liga à região do gene do promotor TLR9 e ativa a sua expressão, o que sugere que a expressão de TLR9 é regulada a um certo grau por ritmos circadianos e oferece uma explicação para a abundância molecular ciclicamente flutuante de TLR9 na célula.
Para levar seus experimentos ainda mais adiante, a equipe testou se estes níveis de expressão de flutuação podem realmente ter um impacto sobre as funções imunes normais. Eles vacinaram ratos em diferentes momentos durante seus ciclos de luz-dia e testaram como a vacina protegeu os ratos. Embora TLR9 seja parte do sistema imune inato, que se pensava menos importante na geração de imunidade de longo prazo do que o sistema adaptativo, pesquisa recente sugere que a ativação do sistema inato é essencial para o desenvolvimento pleno da imunidade adaptativa induzida pela vacina. De fato, o grupo de Fikrig mostrou que os camundongos imunizados durante o seu tempo de maior atividade, quando a quantidade de TLR9 atingiu o pico, tiveram reações imunes mais fortes aos fragmentos bacterianos sintéticos de DNA.
Muitos pesquisadores circadianos estão tentando demonstrar as aplicações do mundo real do seu trabalho, diz o biólogo circadiano Bert Maier, do Charité University Medicine, em Berlim. O trabalho do grupo Fikriget, diz ele, "é muito inspirador." Creio que o grupo do Dr Mena-Barreto (ICB-USP) e seus discípulos também concorda.

Fonte:
A.C. Silver, A. Arjona, W. E. Walker, E. Fikriget. “The circadian clock controls Toll-like receptor 9-mediated innate and adaptive immunity,” Immunity, 36:251-61, 2012. 16/2/2012.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Transplante de timo trata crianças com imunodeficiência severa

Fonte: Agência FAPESP

09/04/2013
Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Para tratar uma forma rara e grave de imunodeficiência primária, pesquisadores do Centro Médico da Universidade Duke, nos Estados Unidos, estão realizando experimentalmente o transplante de timo – pequeno órgão em forma de borboleta localizado perto do coração.
Os detalhes da técnica e resultados das primeiras cirurgias foram apresentados durante a 2ª Escola São Paulo de Ciência Avançada em Imunodeficiências Primárias (ESPCA-PID), realizada entre os dias 3 e 8 de março com apoio da FAPESP).

Segundo a pediatra Mary Louise Markert, que coordena a equipe médica responsável pelo transplante na Duke University, o procedimento é indicado para os casos mais severos de uma doença genética conhecida como síndrome de DiGeorge, nos quais o bebê nasce sem o timo.

“O timo funciona como uma escola, onde um tipo muito importante de célula de defesa – o linfócito T – amadurece e aprende a proteger o corpo contra os patógenos. Na forma completa da síndrome de DiGeorge não há linfócitos T na corrente sanguínea do paciente, o que significa que ele está completamente vulnerável a infecções”, explicou Markert à Agência FAPESP.

Também é no timo que as células T aprendem a diferenciar os antígenos do próprio organismo e a não atacá-los. Em alguns pacientes com uma forma atípica da síndrome de DiGeorge, as células T até estão presentes no sangue, mas sem terem passado pelo treinamento no timo. Por conta disso, passam a atacar o próprio corpo causando inflamações terríveis na pele e em outros órgãos.

“Por meio de um teste sanguíneo é possível verificar se há células T circulantes e se elas expressam a proteína CD45RA – um indicador de que aquele linfócito passou pelo amadurecimento no timo. Em um bebê saudável, 70% das células T devem expressar esse marcador. Quando o exame indica 0% ou 1%, há algo muito errado com o timo, então é sinal de que aquele bebê pode se beneficiar com o transplante”, disse Markert.

A equipe nos Estados Unidos já realizou o procedimento em 64 crianças com a forma completa de DiGeorge e em outros dois portadores de uma mutação no gene Foxn1 – caracterizada pela ausência de timo e de cabelo.

“Quando um cirurgião cardíaco opera um bebê com cardiopatia congênita, precisa muitas vezes remover uma parte do timo, pois esse órgão fica bem na frente do coração e é muito grande em recém-nascidos. Em vez de descartar o tecido no lixo, eles o colocam em um copo esterilizado e me informam. Claro que isso é feito com o consentimento da família”, contou Markert.

O material doado passa então por uma bateria de exames para descartar qualquer tipo de contaminação. Em seguida, as células são cultivadas em laboratório e cortadas em fatias bem finas.

“Após duas ou três semanas, essas fatias são implantadas no músculo da coxa da criança receptora. É como plantar tulipas: o cirurgião abre um espaço entre as células musculares, coloca o tecido e tampa”, contou.

As células do timo passam a crescer na perna e os glóbulos brancos imaturos produzidos na medula óssea começam a se dirigir ao local para receber o treinamento, contou a médica. “Quando você tem a escola, os estudantes vêm. Quando tudo dá certo, quatro meses após o transplante as células T maduras já podem ser detectadas na corrente sanguínea”, disse a cientista.

Entre os pacientes operados pela equipe de Markert, sobreviveram 45 portadores da síndrome DiGeorge e os dois portadores da mutação Foxn1 operados. O tempo de sobrevida pós-transplante varia entre 2 meses e 19 anos, com média de 7,2 anos.

“Eles têm uma vida semelhante à das crianças que possuem a forma não completa da síndrome de DiGeorge, ou seja, que possuem um timo pequeno e não precisam de transplante. Eles conseguem frequentar a escola e não necessitam de imunossupressores”, contou Markert.

Ela ressalta, porém, que a síndrome de DiGeorge pode comprometer outros órgãos, como a glândula paratireoide e o coração, e esses problemas não são resolvidos com o transplante de timo.

“Durante o desenvolvimento embrionário, o timo, a paratireoide e o coração ficam todos localizados no pescoço do feto. Depois, o timo e o coração descem para o tórax e a paratireoide permanece no pescoço. Em portadores de DiGeorge alguma coisa dá errado durante a gestação e esses órgãos são afetados”, explicou Markert.

Rastreamento de recém-nascidos
Os portadores da síndrome também podem apresentar malformações faciais, renais e de vias aéreas, além de problemas neurológicos e distúrbios de linguagem e audição. Estima-se que a doença afete 1 em cada 4 mil crianças nascidas vidas. Os casos mais graves, caracterizados pela ausência completa de timo, afetam 1 em cada 200 mil bebês.

“Possivelmente o problema é mais frequente do que imaginamos. Saberemos melhor sua abrangência com os resultados dos programas de rastreamento neonatal”, disse a médica.

Alguns estados norte-americanos realizam, desde 2008, o rastreamento de recém-nascidos para a detecção de imunodeficiências primárias graves caracterizadas pela ausência de células T no sangue. O Brasil possui um projeto-piloto em São Paulo e deve começar outro no Estado de Minas Gerais no segundo semestre de 2013. Leia mais em http://agencia.fapesp.br/16932.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Avaliação dos pesquisadores do CNPq na área de Imunologia

No período de 1 a 5 de abril de 2013 o CNPq realizou uma análise comparativa de todos os pesquisadores bolsistas de produtividade da área de Imunologia.

Nos dois primeiros dias houve reuniões preparatórias com apresentações de diversos representantes do governo que expressaram o espírito das futuras avaliações do CNPq.

Durante estas apresentações houve ampla possibilidade para que todos os 400 assessores dos CA pudessem expressar livremente seus pontos de vistas. Estes foram anotados e serão objetos de estudo para possível implementação pelo CNPq.

Um resumo destas reuniões pode ser encontrado no link abaixo:

http://www.cnpq.br/web/guest/noticiasviews/-/journal_content/56_INSTANCE_a6MO/10157/955147

A avaliação do CA de Imunologia obedeceu às normas estabelecidas e publicadas pelo CNPq na sua página oficial. A produtividade de um total de 155 pesquisadores foi analisada. Os membros do CA procuraram garantir que os critérios de qualidade da produção científica de cada pesquisador fosse o fator determinante dessa avaliação tentando inclusive acompanhar as discussões e diretrizes mencionadas na reunião preparatória a essa avaliação realizada nos dias 1 e 2 de abril.

Neste sentido, priorizamos a qualidade da produção do pesquisador como autor principal dos seus trabalhos nos últimos cinco anos levando ainda em consideração os demais critérios de avaliação utilizados pelo CA para bolsas de pesquisador tais como formação de recursos humanos, linhas de pesquisa estabelecidas, etc.

Essa avaliação permitiu concluir que 14 pesquisadores poderiam se localizar em faixa superior de classificação. Esta lista de pesquisadores foi encaminhada ao CNPq.

Infelizmente não pudemos indicar mais nenhum pesquisador para a Faixa PQ1A, pois a nossa cota já está completa. Entretanto, é importante ressaltar que em muitos casos os pesquisadores PQ1B apresentam uma produtividade compatível com os pesquisadores PQ1A. Desta forma consideramos que o status PQ1B em geral pode ser considerado como semelhante ao PQ1A.   

O CNPq de posse desta lista tentará conseguir recursos para que os pesquisadores possam ser de fato promovidos.

Atenciosamente,

CA de Imunologia do CNPq

A Alexander Von-Humboldt Foundation na minha vida.




Aproveito a oportunidade para relatar para outros jovens e experientes cientistas sobre as maravilhas que a Fundação Alexander Von-Humboldt (AvH) fez por pela minha vida acadêmica e pessoal.

No final deste mes de Abril eu completo os 24 meses da minha bolsa Georg Forster Research Fellowship for Postdoctoral Researchers, oferecida pela AvH. Foi um período excepcional na minha vida, tanto pessoal quanto profissional.

Atualmente estou no Instituto de Imunidade Inata da Universidade de Bonn.
Universidade de Bonn

Confesso que se você me perguntasse há 2 anos atrás sobre onde fazer um post-doc, eu dificilmente indicaria a Alemanha. Não só porque não conhecia quase nada da ciência feita aqui, como também pensava no desafio da língua, no clima e em vários outros empecilhos. O alemão é de fato uma língua difícil de aprender. Em outra oportunidade posso escrever sobre como foi a decisão de vir para a Alemanha, mas posso dizer agora que foi uma excelente escolha.

Uma vez que decidi vir para a Alemanha para um post-doc, apliquei, a pedido de meu chefe aqui, para uma das bolsas da AvH. Processo que hoje pode ser feito pela Capes através da nova parceria Capes-AvH.

No meu caso, levou cerca de 6 meses para obter uma resposta. No entanto, uma vez aprovada a sua aplicação, você se torna um Humboldiano e passa a fazer parte de uma família muito especial. As bolsas da AvH são bastante prestigiadas e um número significativo de cientistas laureados com o prêmio Nobel são Humboldianos. No mês passado, um Humboldiano se tornou o novo  secretario de energia no gabinete do presidente Barak Obama. Ernest Moniz foi o segundo Humboldiano a ser nomeado para um cargo no gabinete do presidente.

Desde o anúncio de que eu havia sido selecionado, a AvH fez de tudo para que minha vinda e estada na Alemanha se tornasse o mais agradável possível. Eu nunca fui tão bem tratado em toda a minha vida.

Além de uma bolsa de 48 meses, passagens aéreas para o Humboldiano e a família e um auxílio instalação para os primeiros meses da mudança, os benefícios adicionais incluem:

-       Re-entry grant – Finalizado o período da bolsa e a volta do Humboldiano ao seu país de origem, este pode aplicar para um re-entry grant que inclui um ano de bolsa em seu país para ajudar a se estabelecer e iniciar seu grupo de pesquisa.
-      Language Fellowships – A AvH paga para o humboldiano e esposa 4 meses de curso intensivo de alemão no Goethe Institut, uma das mais prestigiadas escolas de alemão;

-       Mobility Allowance – O humboldiano tem direito a um mobility allowance – incluído no valor da bolsa -  para atender a congressos, reuniões, trabalho de campo, visitas a bibliotecas, etc.


-      Marital allowance – No caso da esposa acompanhar o humboldiano para a Alemanha por um período superior a 3 meses (sem interrupção) este pode aplicar para o Marital Allowance e ter um aumento em sua bolsa.

-   Subsidity for host – O orientador que recebe o humboldiano em seu laboratório recebe auxilio mensal para despesas com o projeto, etc.

-       Study Tour: A AvH paga para o Humboldiano e a esposa uma viagem pelas principais cidades da Alemanha para que o humboldiano e sua família conheçam os aspectos culturais, econômicos e políticos do país onde vão morar pelos próximos anos. E você ainda tem a oportunidade de ir a balés, shows e eventos que estiverem em cartaz enquanto você está na cidade. Como se isso não bastasse, através da AvH você tem acesso a áreas especiais em museus e atrações turísticas restritas ao público em geral. Um exemplo foi conhecermos o parlamento em Berlin por dentro. Normalmente os turistas só podem conhecer a cúpula e vê-lo de fora.

-       Annual Meeting - A AvH promove um Annual Meeting onde reúne todos os humboldianos das diferentes áreas do conhecimento em Berlin onde eles tem a chance de interagir, criar e fortalecer colaborações e ainda conhecer o Chanceler ou o presidente da Alemanha.



-       Wine Tastings, concerts, etc. Ainda na tentativa de promover a interação entre humboldianos de diferentes áreas do conhecimento, a AvH promove vários eventos sociais como concertos, passeios de barco pelos rios da região, degustação de vinho em castelos medievais, etc.

-       Once a Humboldian aways a Humboldian – A fundação carrega este lema e trata seus membros como uma grande família. Após o retorno do humboldiano ao seu país de origem, este pode ainda aplicar para auxílios diversos que incluem: grants para projetos, grants para organização de eventos, encontros, workshops, entre outros. Além disso, uma vez estabelecida colaborações duradouras com o seu host na Alemanha o humboldiano pode aplicar para viagens para passar um a dois meses no país nos anos que se seguem. Tudo isso para fortalecer os laços e incentivar a carreira do humboldiano.

Aqui na Alemanha eu vivenciei e aprendi importantes lições que gostaria muito que meu país aplicasse. Mesmo diante da crise na Europa, a Alemanha intensificou os investimentos em pesquisa por saber que este setor da economia não pode fraquejar. O governo alemão oferece por exemplo os Clusters of Excellence - com grants que chegam a 40 milhões de euros para as Universidades montarem grupos de pesquisa de excelencia.

Outro ponto que me chamou atenção é que o país não mede esforços para recrutar grandes nomes da ciência (alemães e de outras nacionalidades) para as suas universidades e não só se preocupa em oferecer salários atrativos, mas com o bem estar geral das famílias dos pesquisadores.

A entrevista de Hannes Leitgeb, um matemático renomado que mesmo após receber propostas da Stanford na Califórnia e Groningen na Holanda, escolheu Munique como sua moradia e local de trabalho retrata bem este cenário. http://www.humboldt-foundation.de/web/kosmos-cover-story-98-2.html

Isso se deve ao fato das universidades alemãs terem compreendido duas regras muito simples:

1) Um profissional só irá trabalhar e produzir bem se estiver feliz no local onde trabalha e vive. Nesse ponto, a família tem grande peso nas decisões de onde o pesquisador vai se estabelecer.

2) A atração de grandes nomes da ciência para a universidade resulta no crescimento desta como um todo, pois atrás destes nomes outros jovens e talentosos cientistas virão.

Os mesmos motivos levaram ao meu chefe o Dr. Eicke Latz se estabelecer aqui após ter seu laboratório na University of Massachusetts Medical School nos EUA.

Para completar, os programas como o Humboldt Professorships financiados pelo Ministério da Educação e os Research Awards oferecidos pela AvH constituem uma adição significativa ao financiamento básico das universidades alemãs.

A decisão de onde fazer um post-doc ou onde se estabelecer é algo muito delicado na vida de um pesquisador e envolve, é claro, questões familiares. Quem entende isso sai na frente. Uma universidade e um país que querem ganhar reputação internacional baseada em pesquisa de primeira classe deve oferecer condições de trabalho comparáveis aos níveis internacionais e flexibilidade no uso do orçamento para recrutar cientistas eminentes. Sonho que um dia nosso país irá se espelhar nestes princípios e fazer de tudo para não só recrutar, mas cuidar dos nossos  talentosos cérebros expatriados.

Enfim, se você é um jovem cientista procurando um local para fazer seu doutorado, ou post-doc, bem como um cientista já experiente procurando uma posição de professor, um sabático, etc, eu recomendo a Alemanha. Programas como os oferecidos pela AvH, o DAAD e outras agências de fomento oferecem bolsas e grants para cientistas em diferentes estágios da vida acadêmica.

Foi pra mim a uma excelente decisão.

©SBI Sociedade Brasileira de Imunologia. Desenvolvido por: