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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Apoio ao Projeto de Lei 4411/2012 “Ciência & Pesquisa: Importações sem Fronteiras”


Caros colegas,

Está em tramitação na Câmara dos Deputados, agora na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF), o Projeto de Lei no. 4411/2012, de autoria do Deputado Romário, o ex-jogador de futebol, que "propõe a eliminação da burocracia de importação de mercadorias destinadas à  pesquisa científica e tecnológica através da criação, pelo CNPq, de um cadastro nacional de pesquisadores que teriam liberação imediata das mercadorias a eles destinadas". 

Eu consultei a nossa diretoria, depois de ter sido procurado pelo colega Walter Colli, e apoiamos de forma unânime essa iniciativa. Desta forma, solicito a todos que assinem individualmente o abaixo assinado, que já havia sido criado na internet e disponível através do link (aqui)

É simples e rápido, basta preencher nome, email, país e CEP. 

Adicionalmente, a SBG e a SBBq juntamente com alguns cientistas propuseram um debate na Câmara Municipal de São Paulo, que irá acontecer no dia 10 de dezembro próximo às 14h.

Muito obrigado pela atenção.
Um grande abraço,

Jacob Palis
Presidente
Academia Brasileira de Ciências

OPORTUNIDADES CONCURSOS

Hoje eu vou divulgar alguns concursos cujos editais estão abertos:

UNIFESP - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO:


   565/2012 - 566/2012 - Docente Anatomia/Histologia/Fisiologia - Inscrições até 30/11/2012 às 16:00 horas
   565/2012 - 569/2012 - Docente Microbio/Imuno/Parasitologia - Inscrições até 30/11/2012 às 16:00 horas
   565/2012 - 567/2012 - Docente Ecologia - Inscrições até 30/11/2012 às 16:00 horas
   565/2012 - 568/2012 - Docente Genética, Biotecnologia - Inscrições até 30/11/2012 às 16:00 horas
   565/2012 - 571/2012 - Docente Zoologia Geral E Evolução - Inscrições até 30/11/2012 às 16:00 horas
   603/2012 - 608/2012 - Docente Saúde E Meio Ambiente - Inscrições até 07/12/2012 às 16:00 horas
   584/2012 - 585/2012 - Docente Controle E Otimizaçã Processos - Inscrições até 30/11/2012 às 16:00 horas
   603/2012 - 619/2012 - Docente Farmacotécnia E Tec Farmacêut - Inscrições até 07/12/2012 às 16:00 horas
   603/2012 - 605/2012 - Docente Ecossistemas - Inscrições até 07/12/2012 às 16:00 horas
   603/2012 - 613/2012 - Docente Farmacot Homeop Gest Emp Farm - Inscrições até 07/12/2012 às 16:00 horas
   603/2012 - 618/2012 - Docente Química Farmac E Farmacognosia - Inscrições até 07/12/2012 às 16:00 horas
   603/2012 - 610/2012 - Docente Controle De Qualidade - Inscrições até 07/12/2012 às 16:00 horas
   603/2012 - 612/2012 - Docente Farmacobotânica Efarmacognosia - Inscrições até 07/12/2012 às 16:00 horas
    565/2012 - 570/2012 - Docente Prat Ens Biol Est Sup Biologia - Inscrições até 30/11/2012 às 16:00 horas
   .518/2012 - 519/2012 - Docente Patologia - Inscrições até 21/01/2013 às 16:00 horas

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE (UENF)
Até o dia 26/11/2012 estarão abertas as inscrições de concurso para preenchimento de duas vagas na área de Fisiologia e Bioquímica de Micro-organismos.
 Os candidatos devem ter título de doutor e a taxa de inscrição é de R$ 120,00. A prova constará de etapa de avaliação dos títulos, prova escrita, defesa de memorial e prova didática teórica ou prática.

Universidade Estadual da Zona Oeste, Rio de Janeiro

Até o dia 29/11 estarão abertas inscrições para concurso nas áreas de Bioquímica, Química Geral e Inorgânica, Química Farmacêutica, Tecnologia de Alimentos, Saúde Pública, Análises Clínicas, Bioestatística, Microbiologia e Imunologia Clínica, Farmacotécnica, Síntese Orgânica, Farmacognosia, Cosmetologia e Dentologia Farmacêutica.
 A taxa de inscrição é de R$ 200,00 e o valor da remuneração é de R$ 5.497,00




quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Epigenética na capa da Immunity




On the cover: T cell subpopulations are defined by specific phenotypic markers (such as CD molecules), functions (such as secreted cytokines), or expression of specific transcription factors. Ohkura et al. (785–799) propose a definition of Treg cells on the basis of specific intracellular information, i.e., epigenetic pattern and transcription-factor expression. The cover image depicts the concept that important factors defining Treg cell lineage are not appearance (drawing of the image) but internal pattern of epigenetics and transcription factors (painting pattern). Art by Naganari Ohkura.
(link para revista aqui)



quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sobre o curso "Biologia do Parasitismo" (MBL/FAPESP/USP)


Por Natália Tavares

MBL FAPESP USP Joint Courses
“Unique 5 days long courses for advanced graduate students, postdocs, and
independent investigators…”

E, de fato, o é.

Entre os dias 4 a 9 de novembro, estivemos num pedaço de paraíso imersos na
Biologia do Parasitismo, cercados pela singela lista de referências bibliográficas:

Alan Sher, National Institutes of Health, USA
Boris Striepen, University of Georgia, USA
David Sacks, National Institutes of Health, USA
Phil Scott, University of Pennsylvannia, USA
Regina d'Imperio Lima, University of Sao Paulo, Brazil
Judith Allen, University of Edinburgh, Scotland
Mauricio Rodrigues, Federal University of Sao Paulo, Brazil
Jessica Kissinger, University of Georgia, USA

Paulo Pimenta, FIOCRUZ, Brazil
Norma Andrews, University of Maryland, USA
Kirk Deitch, Weill Cornell Medical College, USA
Lucille Floeter-Winter, University of Sao Paulo, Brazil
Carsten Wrenger, University of Sao Paulo, Brazil
Selma Jeronimo, Federal University of Rio Grande do Norte, Brazil
John Boothroyd, Stanford University, USA
Rodrigo Correa-Oliveira, FIOCRUZ, Brazil
Jayne Raper, New York University, USA
Dan Colley, University of Georgia, USA
Celia Garcia, University of São Paulo, Brazil
Mario Alberto Cardoso, University of Rio de Janeiro, Brazil

O curso todo foi muito bem estruturado e trouxe experts das mais diversas
áreas do parasitismo. Entre palestras sobre toxoplasmose, leishmaniose, malária
e helmintíases, não faltaram oficinas sobre escrita científica, administração
de laboratório/projetos, journal clubs e as “chalk talks”, onde os estudantes
apresentaram seus projetos/dados utilizando apenas papel e caneta!

Logo no primeiro dia, John Boothroyd ministrou “Management Matters” com
excelentes dicas e fatos sobre a importância das relações interpessoais dentro no
laboratório. Sem esquecer, claro, o tema “como evitar/administrar conflitos” que,
segundo ele, são resolvidos pelo esclarecimento das expectativas de cada um.

No segundo dia as “chalk talks” nos consumiram! Mas, confesso: foi um
excelente exercício. Ter que apresentar parte dos resultados do meu doutorado
sem poder usufruir de nenhuma ferramenta de mídia? Recomendo a todos.

Os dias sempre eram encerrados com os journal clubs. Os papers foram
previamente selecionados pelos pesquisadores e as discussões entre pessoas
com bagagens tão distintas foi muito enriquecedor.

No total, estudantes de 18 países estiveram presentes e a possibilidade de
interagir, conhecer seus projetos e poder discutir com os maiores nomes da
ciência foi, de fato, uma oportunidade única. E, ao que tudo indica, em 2013 tem
mais.

Um novo tipo de célula T supressora regula outras células T competindo por ligantes self-MHC subliminares

 
Devido à imprevisibilidade dos contatos antigênicos futuros, é crucial para o sistema imune manter um repertório variado de linfócitos T, apesar da idade e das repetidas expansões clonais provocadas por infecções. Como o repertório contrai após uma expansão é um processo ainda mal compreendido. Por exemplo, se a restauração dos números de células T fosse regulada apenas por competição por fatores de sobrevivência e/ou crescimento, deveríamos esperar uma perda gradual de clones de células T “bystander”, e uma redução progressiva do repertório em função do tempo, o que não acontece. Além disso, a importância da presença de clones não relacionados para o destino de um clone é grande. Em modelos experimentais, os clones autorreativos só se comportam de forma agressiva, quando estão em ambiente linfopênico, mas os mecanismos regulatórios exercidos por outros clones não estão totalmente esclarecidos.

Um trabalho recente de Singh e colaboradores identificou um novo tipo de célula T supressora para células T CD4, que recapitula a seleção positiva no timo, e ajuda a preservar a variabilidade clonal através de competição entre clones não relacionados de células T (Singh, NJ, Bando, JK, e Schwartz, RH. 2012. Subsets of nonclonal neighboring CD4+ T cells specifically regulate the frequency of individual antigen-reactive T cells. Immunity 37; 735-746).

Singh e colaboradores estabeleceram um modelo em que células T CD4 transgênicas 5C.C7, específicas para o citocromo c de pombo eram transferidas para animais transgênicos que expressavam o citocromo c mas, como esperado, só causavam autoimunidade em recipientes linfopênicos. A mistura do clone 5C.C7 com células T policlonais normais inibia o aparecimento de autoimunidade. Como identificar a célula T normal que interferia com o clone ? Os autores então dividiram o “pool” de linfócitos T normais em subpopulações de 100 células, e mostraram que alguns destes pools, mas não outros, deletavam as células 5C.C7autoimunes. Importante, a atividade deletadora não tinha qualquer relação com a expressão de marcadores de células Treg. Um pool que fosse supressor para o clone 5C.C7, no entanto, não deletava a atividade de um clone específico para outro antígeno. Além disso, o pool não tinha especificidade para citocromo, mas era capaz de deletar o clone 5C.C7 também em interações singênicas, na ausência do antígeno exógeno.

Como resultado de muito esforço, Singh et al. sequenciaram os TCRs do pool celular deletador. A partir de um TCR identificado, criaram um camundongo transgênico expressando o TCR capaz de deletar o clone 5C.C7 em culturas, indicando que este novo TCR clonado era responsável pela atividade deletadora do pool. A co-transferência in vivo para animais linfopênicos mostrou que este novo clone de célula T CD4 era um potente supressor da atividade autoimune do clone 5C.C7.        

Um trabalho anterior havia identificado um peptídeo endógeno, expresso em diferentes tecidos, inclusive no timo, e que era capaz de mediar a seleção positiva do TCR expresso pelo clone 5C.C7 (Ebert PJ et al., 2009, Nat. Immunol. 10; 1162-1169). Singh e colaboradores mostraram que a nova célula T supressora, assim como o clone 5C.C7, reconhecia exatamente este mesmo peptídeo endógeno. Os autores denominaram o peptídeo de ligante subliminar, porque não levou a respostas flagrantes, mas sim a sinais de sobrevivência. Quando o clone 5C.C7 e o novo clone deletador eram misturados, eles competiram diretamente por este peptídeo, até que as células deletadoras ganharam. Os autores propuseram que o pool periférico de linfócitos T pode ser subdividido em “colônias” discretas, contendo clones não relacionados, que têm em comum a reação cruzada por um peptídeo endógeno complexado a MHC, que é um ligante subliminar que permite liberação de sinais de sobrevivência (Figura 1). Desta forma, a regulação da contração clonal ocorre dentro de uma determinada colônia, e não se alastra por todo o repertório. Esta fragmentação da atividade regulatória pode ser um mecanismo crucial para manter a estabilidade e a variabilidade do repertório ao longo do tempo. Uma questão interessante é se as APCs deste sistema seriam células dendríticas e macrófagos, ou se seriam células epiteliais, como ocorre no timo. Este trabalho mostra a importância da autorreatividade intrínseca dos TCRs e revela a existência de um potente mecanismo de regulação periférica: uma célula T supressora independente de células Treg, baseada em competição por um ligante antigênico do próprio hospedeiro. Estudos futuros deverão avaliar a relevância deste mecanismo regulatório em situações de inflamação e autoimunidade.

 

 

Figura 1. A figura mostra o repertório de células T subdividido por diferentes colônias. Uma colônia contem múltiplos clones, que reconhecem diferentes antígenos exógenos, mas estes clones fazem reação cruzada com um ligante subliminar, que fornece sinais de sobrevivência. O clone deletador de cada colônia é aquele que possui a maior afinidade pelo ligante subliminar; é este que vai determinar a contração de um clone competidor após uma expansão clonal provocada por uma infecção (representado interagindo com o ligante subliminar).

(figura retirada do comentário editorial de: Walker, LSK, Immunity 37; 598-600, 2012)

 

Post de George A. DosReis

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Anemia e infecção: A batalha pelo Ferro

Há certo tempo, o metabolismo do Ferro teve um destaque na imunologia, especialmente pela relação entre a Heme Oxygenase (HO-1) e a atividade das células T reguladoras. A HO-1 cataliza a clivagem oxidativa do grupo heme para gerar Ferro livre, monóxido de carbono (CO) e biliverdina. O CO tem um forte efeito regulador da imunidade celular [1], como foi comentado aqui no Blog da SBI no recente post do professor Barral [2].

É amplamente estabelecido que o Ferro é um micronutriente imprescindível para a sobrevivência de microrganismos patogênicos no interior do hospedeiro. Menos conhecidos, porém, permanecem os mecanismos moleculares responsáveis pela interação entre o sistema imune e o sistema de transporte/estoque de Ferro. Boa parte das respostas a esses interrogantes estão sendo geradas graças a estudos sobre a anemia induzida por malária, apesar de ser este um fenômeno comumente  observado em diferentes infeções [3,4], 

Devido às propriedades oxido-redutivas que seus estados de valência lhe conferem, o Ferro participa em inúmeras enzimas presentes na maioria dos sistemas de transporte de oxigênio em todas as formas de vida, e constitui um ponto central na interminável batalha evolucionária entre microrganismos patogênicos e hospedeiros por recursos nutricionais.

Como estratégia geral contra os micróbios (e também para proteger os tecidos do dano oxidativo), os mamíferos evoluíram complexos e eficientes sistemas de retenção direcionados a diminuir o Ferro acessível aos invasores. Nos seres humanos, as proteínas predominantes com estas funções são a transferrina, a lactoferrina, e a ferritina para o Ferro; a haptoglobina para a hemoglobina; e a hemopexina para o heme. Desta forma, quando agentes patogênicos pretendem habitar o trato respiratório, intestinal e gênito-urinário, eles encontram um ambiente com deficiência de Ferro na superfície das mucosas, já que o oligoelemento é quelado pela lactoferrina, uma glicoproteína extracelular do sistema imune inato. Além disso, a lactoferrina está presente em grandes quantidades no leite materno e outros fluidos, ajudando a proteger os epitélios. Ainda, esta proteína é produzida por neutrófilos no local da infecção.

Por outro lado, vários patógenos protozoários desenvolveram mecanismos para obter o Ferro a partir da lactoferrina. Por exemplo, Trichomonas fetus, Trichomonas vaginalis, Toxoplasma gondii e Entamoeba histolytica expressam proteínas de ligação á lactoferrina e usam estas como fontes de Ferro para seu crescimento in vitro. Promastigotas de Leishmania spp também usam uma redutase de superfície capaz de reconhecer e reduzir o Ferro da forma férrica para a forma ferrosa. Assim, diversas estratégias têm sido desenvolvidas por microrganismos patogênicos para ganhar acesso ao Ferro a partir da lactoferrina do hospedeiro e assim sobreviver em ambientes hostis [5, 6].

A Hepcidina (também conhecida como LEAP-1, por liver-expressed antimicrobial peptide) é o principal mecanismo de regulação do Ferro plasmático em mamíferos. Drake-smith e Prentice  publicaram uma revisão na Science [7sobre a importância deste peptídeo durante um processo infeccioso, explicando como ele está envolvido na retenção do Ferro, no intuito de evitar que se converta em um fator de crescimento para patógenos microbianos, reduzindo sua replicação, e como as bactérias intracelulares são capazes de impedir esta resposta do hospedeiro. 

IL-6, IL-22 e IFN tipo I induzem Hepcidina através de STAT3, principalmente em hepatócitos, mas também em outras células, como macrófagos  A Hepcidina se encontra elevada na malária aguda e contrário ao esperado, não guarda relação direta com os níveis de hemoglobina, mas sim com os níveis de IL-10 e IL-6, e com a carga parasitária [8]. Assim, a hepcidina deveria ser determinada rotineiramente neste tipo de pacientes, e há necessidade de testes diagnósticos de baixo custo para este propósito [9]. Por outro lado, diversos trabalhos destacam os perigos potenciais da suplementação de ferro na anemia induzida por enfermidades infecciosas, especialmente a malária, em que uma sobrecarga de Ferro pode anular os efeitos protetores da hepcidina.

Tem então um cenário interessante para repensar o conceito atual de anemia, especialmente durante infecções, e aprofundar no estudo das interações entre metabolismo de Ferro e o controle da resposta imune, lembrando que às vezes, tolerar uma infeção é uma forma de se defender, de acordo com o conceito recentemente introduzido por David S Schneider  [10, 11]. Além disso, o estudo da Hepcidina em outras infeções que não acometem diretamente as hemácias, poderá trazer novos conceitos e mecanismos da resposta imune para controlar o crescimento do patógeno e a intensidade da resposta inflamatória.



segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Inibição da autofagia por patógenos intracelulares


Post de Graziele Manin,
Mestranda, Programa de Pós-Graduação em Imunologia Básica e Aplicada da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP).

A autofagia é definida genericamente como um processo que controla a quantidade e a qualidade da biomassa intracelular de células eucarióticas através da autodigestão de componentes citoplasmáticos (Deretic and Levine, 2009). Recentemente, tem sido demonstrado que as células eucarióticas também utilizam a via da autofagia como defesa contra patógenos intracelulares, levando a degradação destes em lisossomos.

No artigo publicado na Sciencexpress em outubro de 2012 (aqui), o grupo de Craig R. Roy mostrou que a bactéria Legionella pneumophila também é capaz de inibir a autofagia em macrófagos, o que favoreceria sua multiplicação e sua sobrevivência no hospedeiro, diferentemente do que se acreditava até o momento. Anteriormente, em artigo publicado na Cell Microbiology em 2005, Amer e Swanson haviam mostrado que macrófagos eram capazes de ativar a maquinaria celular autofágica como resposta imediata a infecção por L. pneumophila (Amer and Swanson, 2005).

No artigo da Sciencexpress, os cientistas mostram que o processo de inibição da autofagia por L. pneumophila é dependente do sistema de secreção do tipo IV da bactéria (Dot/Icm), responsável pela secreção de proteínas efetoras bacterianas no citoplasma da célula hospedeira, e que a bactéria interfere em etapa inicial e fundamental do processo de autofagia de forma irreversível . Mais especificamente, foi demonstrado que a proteína efetora RavZ,  secretada pelo sistema Dot/Icm, inibe a autofagia por funcionar como uma cisteína protease que tem a capacidade de desconjugar a proteína Atg8 de lipídeos presentes na membrana do autofagossomo, gerando produtos proteicos que não possuem a glicina na porção C-terminal  que é necessária para a reconjugação da Atg8 por Atg7 e Atg3.
Este artigo elegantemente evidencia um importante modelo de subversão da resposta do hospedeiro durante a infecção que pode contribuir com o estudo da imunidade inata.

Vale a pena conferir!

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