BLOG DA SOCIEDADE
BRASILEIRA DE IMUNOLOGIA
Acompanhe-nos:

Translate

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Novidades sobre importações para pesquisa científica



Uberlândia -
Caros, muito oportuno o post de ontem do Dr. Sérgio Lira. Concordo quando diz que temos dificuldade na importação e ausência completa de produtores destes animais no nosso país.

Quanto a importação de insumos para a pesquisa científica, temos novidades.

Encaminho abaixo texto escrito pelo Dr. Stephens Rehen da UFRJ em seu blog (29/11/10), sobre o assunto. Ele relata reunião em Brasília que participou juntamente com membros do CNPq, Receita Federal, Anvisa, dentre outros... e que gerou medidas que serão implementadas a curto e médio prazo.

Acredito que a leitura vale a pena, uma vez que a movimentação de seu grupo de pesquisa pode trazer benefícios para todos nós! Acredito que a imunologia brasileira também deveria participar destas discussões em Brasília.


Fonte: Blog do Stevens Rehen

"Volto ao blog para relatar detalhes do encontro que participei em Brasília e que foi motivado pela divulgação do levantamento sobre as dificuldades de importação de material científico no Brasil, realizado em outubro de 2010 pelo Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LaNCE) do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ.

Após ler sobre nossa pesquisa, o Secretário da Receita Federal do Brasil (RFB), Dr. Otacílio Dantas Cartaxo, convidou-nos para uma reunião sobre despacho aduaneiro para importação de equipamentos, reagentes e outros insumos para pesquisas científicas, realizada no dia 25 de novembro de 2010, às 10 horas, no Edifício Sede do Ministério da Fazenda.

Participaram diretores da ANVISA (Dr. José Agenor Álvares da Silva e Sra. Roberta Meneses M. de Amorim), FeSBE (Dr. Giles Alexandre Rae), CNPq (Dr. Glaucius Oliva e Dra. Nívia Wanzeller), SBPC (Dr. Lauro Morhy), Ministério da Saúde (Dr. Reinaldo Guimarães e Dra. Leonor Maria Pacheco), representantes do LaNCE, Sr. Leonardo Kastrup, Dr. Daniel Furtado e eu próprio, e da RFB, incluindo os Drs. Otacílio Dantas Cartaxo, Dr. Fausto Vieira Coutinho e Dr. Juraci Garcia Ferreira.

Agradeço à Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) pelo apoio financeiro que permitiu a viagem de três representantes do LaNCE-UFRJ à Esplanada dos Ministérios.

O encontro teve início com a apresentação dos resultados desse nosso levantamento, estudos de caso e propostas para melhoria do processo, respectivamente por mim, Leonardo e Daniel.

Nossa pesquisa revelou que 76% dos cientistas já perderam material científico retido na alfândega, 99% resolveram mudar os rumos de suas pesquisas em virtude das dificuldades para importar os reagentes necessários enquanto 92% têm de esperar no mínimo 1 mês pela chegada dos reagentes.

Encerramos nossa apresentação com 3 propostas que poderiam agilizar, sem a necessidade de mudanças na legislação, o processo de importação de material científico no Brasil:

1) treinamento dos fiscais aduaneiros sobre as especificidades dos diferentes materiais científicos (a partir por exemplo de palestras organizadas pelo CNPq, ABC, FeSBE, SBNeC, CAPES ou SBPC);

2) criação de instalações especiais para cadeia de refrigerados, congelados e manuseio de animais de experimentação nos terminais de carga das capitais;

3) agilização do processo de importação de material científico a partir da implementação de despacho aduaneiro expresso (Linha Azul) para pesquisadores cadastrados junto ao CNPq.

Em seguida, o Dr. Juraci Garcia Ferreira, Auditor-Fiscal da RFB, apresentou em detalhes as mudanças recentes promovidas pela Receita Federal do Brasil com o intuito de agilizar os processos de importação de material destinado à pesquisa científica e tecnológica.

As principais alterações relatadas são:

1) criação do decreto 7315/2010 que altera o decreto 6759/2009 e dispensa a necessidade de certidão negativa de tributos federais para autarquias e fundações;

2) elaboração do projeto SISAM 2010/2011 que visa aperfeiçoar o processo de parametrização das mercadorias;

3) divulgação de Guia Orientativo (2008/2009) para importação de insumos para Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários;

4) elaboração da Instrução Normativa RFB 1.073 de 01 de outubro de 2010, que dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação e despacho aduaneiro de importação e de exportação de remessas expressas.

O Dr. José Agenor Álvares da Silva, Diretor da ANVISA, apresentou então números que contradiziam em parte a pesquisa realizada pelo LaNCE-UFRJ.

Álvares da Silva afirmou, com base em informações obtidas de um diretor da FAPESP, que em São Paulo há pelo menos 6 meses não haveria problemas de importação de material científico e que o tempo para liberação de cargas destinadas à pesquisa científica e tecnológica naquele estado seria de, no máximo, 24 horas.

Relatou ainda que, após tomar conhecimento do nosso levantamento, criou uma nova Orientação de Serviços, com instruções sobre procedimentos para o despacho de material científico, já divulgada a todos os fiscais da ANVISA.

Os Drs. Glaucius Oliva e Nívia Wanzeller mencionaram entretanto, que o processo de inspeção da ANVISA para materiais científicos importados por pesquisadores do CNPq, na maioria dos estados brasileiros, continuava superior ao descrito pelo Diretor da ANVISA.

Representantes da ANVISA e RFB sugeriram que os principais problemas no processo de importação de material científico são conseqüência do desconhecimento dos próprios pesquisadores e seus despachantes sobre os procedimentos adequados para o preenchimento das documentações requeridas.

Eu não diria que são esses os principais problemas, mas certamente explicam parte dos atrasos relatados em nossa pesquisa.

Nesse momento, o Dr. Juraci Garcia Ferreira da Receita Federal do Brasil questionou o porquê dos pesquisadores não utilizarem a DSI (Declaração Simplificada de Importação) para importações inferiores a US$ 10.000,00, procedimento que não necessita do cadastramento do pesquisador junto ao SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior) e desburocratiza o processo.

Leonardo Kastrup, do LaNCE-UFRJ, respondeu que importações científicas realizadas utilizando-se a DSI são automaticamente conduzidas para o canal vermelho, ou seja, com inspeção física e documental das mercadorias, o que torna o processo lento, oneroso e cim maior permanência das mercadorias nos terminais. Este fato não era de conhecimento da RFB e será averiguado.

O Dr. Reinaldo Guimarães, secretário do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, salientou que é crucial o treinamento de todos os envolvidos no processo de importação de material científico.

Ao final do encontro, o Dr. Fausto Vieira Coutinho listou os principais assuntos discutidos, buscando identificar responsabilidades para cada um dos presentes.

1) Cientistas-importadores e despachantes precisarão ser treinados, evitando-se assim o preenchimento incorreto de documentações necessárias à importação de material científico.

ANVISA e RFB irão divulgar amplamente manuais com instruções sobre o preenchimento desses documentos.

O CNPq propôs a criação de um tutorial online para auxiliar os pesquisadores.

O LaNCE-UFRJ já criou um canal em sua página na internet para tirar dúvidas de cientistas sobre procedimentos para importação. Para saber mais clique aqui.

2) A ANVISA irá averiguar possibilidades de reduzir o período de inspeção de material científico importado;

3) A RFB irá discutir internamente a possibilidade de criar espaços aduaneiros capazes de receber adequadamente, e de forma exclusiva, mercadorias destinadas à pesquisa científica e tecnológica, incluindo material perecível, células e animais;

4) A RFB se comprometeu a revisar a aplicação de multa e do canal vermelho a material científico importado;

5) A RFB irá elaborar proposta sobre especificação e demanda para canal de remessa expressa através do Sistema Único Informatizado para material científico.


Cabe registrar a disposição de todos os presentes em eliminar os entraves burocráticos que interferem no processo de importação de equipamentos e reagentes essenciais ao progresso científico brasileiro, com destaque para o Dr. Otacílio Dantas Cartaxo e sua equipe."

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Amanhã de manhã

Nunca vi um camundongo até vir pros Estados Unidos. Antes disso trabalhei com ratos e timbus (fica pra proxima). Há 26 anos atras, quando comecei a trabalhar com camundongos, existiam 17 papers na literatura descrevendo camundongos transgenicos. Hoje existem 126.348+. Introduzir gens em camundongos, modifica-los, virou rotina, e e’ inconcebivel pensar na biologia contemporanea sem pensar nessas ferramentas. O termo transgenico é usado para definir animais geneticamente modificados em laboratorio (embora sejamos todos transgenicos gracas a nossa convivencia com virus, tambem assunto pra outra conversa). Quando comecei a trabalhar nessa area, a maneira mais facil de gerar um transgenico era inserir um transgen (uma construcao constando de um promotor que controlasse a expressao do transgen em algum tecido, e o gen de interesse) em ovos fertilizados de camundongo por microinjecao. Uma vez que esse transgen se incorporasse no genoma do embrio (o que acontece com frequencia inferior a 10% dos ovos injetados) ele poderia ser transmitido a prole. Assim comecamos a entender a funcao biologica de varios gens, a nivel de organismo. Esse avanco foi seguido por outro, mais espetacular ainda. No fim dos anos 80, com o advento das celulas tronco embrionarias e da descoberta do processo de recombinacao homologa em eucariotas, a tecnologia avancou muito dando origem aos knockouts e knockins, que hoje vem substituindo os metodos classicos de microinjecao….Por permitir a manipulacao na expressao de gens em animais (hoje possivel em varias especies) essa tecnologia teve aceitacao imediata por biologos em todo mundo. Abra qualquer revista que os tais dos transgenicos e knock-outs estao lá…E cada vez mais sofisticados….Bicho nos quais se pode deletar (ou expressar) gens em grupos especificos de celulas, em qualquer momento da vida, sao comuns hoje em dia…Contudo, o uso desses animais por cientistas brasileiros ainda é infrequente… Entao, a pergunta e’: porque estamos tao atras no uso de camundongos geneticamente modificados?
Existem duas respostas obvias…A primeira é que temos problemas historicos em importar bichos. Um troco lamentavel, pre-historico…Vou contar aqui uma pequena estoria. Um dia. minha amiga querida Veronica Coelho me pediu uns camundongos verdes que eu tinha feito. Muito bem, Claudia, a minha lab manager, teve que ir ao Consulado brasileiro aqui em Nova Iorque 3 vezes para que Dona Lurdinha resolvesse. Depois, outro pepino pra resolver como mandar. Carimbo disso, carimbo daquilo…. dona Lurdinha adora um carimbo…Afinal os bichos chegaram. Mas duas semanas depois alguem me ligou pedindo que eu voltasse ao Consulado para conseguir um outro papel, um outro carimbo. Convenhamos, ninguem tem tempo pra resolver isso… e’ um troco revoltante ter que obedecer tanta tolice. O papelorio e’ tal que ja escutei estorias de bichos presos na alfandega, de bichos morrendo no caminho. Isso tem que acabar de uma vez por todas. Hoje a nossa comunidade cientifica tem muito mais acesso e voz e nada justifica que nao tenhamos resolvido isso. Sei que muita gente ja tentou, mas o que acho e’ que temos que fazer um movimento de massa, nada de guerra de guerrilha… E isso nao e’ tudo…Qual fim tem os bichos que importamos a preco de sangue? Nao temos repositorios, e muitas vezes eles se perdem….Gostaria muito que alguem me corrigisse, e me dissesse que estou errado e que o processo de importacao mudou radicalmente nos ultimos anos.
A segunda é que ainda não temos uma cultura de fazer bicho. Temos uma imunologia muito boa, mas ainda nao incorporamos genetica no nosso dia-a-dia. Por que? Porque nao dominamos completamente a tecnologia. Em alguns casos porque nao temos promotores ou gens clonados para expressar em tecidos especificos. Em outros, por falta de empenho institucional, ou porque tenhamos receio que um grupo estrangeiro ja esteja fazendo um experimento semelhante e que o esforco (e custo) pra fazer os bichos seja extraordinario, e por fim, que nao talvez nao sejamos competitivos a nivel internacional …
Mas por que nao mudar essa situacao? Hoje se clona muito facilmente qualquer gen ou promotor por PCR. A infra-estrutura para fazer knockouts e knock-ins, que era cara 25 anos atras, hoje é bastante accessivel e qualquer bom lab fazendo cultivo celular e biologia molecular pode fazer modificacoes em celulas tronco embrionarias. O resto (por celulas em blastocistos ou fazer agregacoes com morulas e transferi-las para uma recipiente) nao e’ tao dificil assim, alguem pode ser treinado para fazer em algumas semanas. E aqui vai uma proposta: porque nao criar um centro de excelencia em genetica de camundongos, para prestar servicos pros laboratorios brasileiros (nao so de imunologia) e ser repositorio (criopreservados) de linhagens de uso comum? Esse tipo de iniciativa custaria uma fracao do que se investiu no sequenciamento de patogenos de plantas, e poderia contribuir para disseminacao da tecnologia para muitos labs no Brasil.
Entao pessoal, esse e’ o desafio….Pensem como animais transgenicos podem ajudar a resolver o problema no qual voces estao trabalhando. Amanhã de manhã batam na porta do seus orientadores, digam que querem fazer um bicho, e os convecam a ajuda-los. Garanto que se voces quiserem, e se empenharem, voces vao conseguir. Outra coisa: se precisarem de mim, é so dizer; estou as ordens.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ciência Brasileira em Foco na Science

Os avanços, problemas e desigualdades da Ciência Brasileira estão em destaque em matéria publicada na Science dessa semana (News Focus Science 3 Dez).

O artigo traz um panorama atual da situação da ciência no Brasil enfatizando a expansão dos investimentos em ciência e tecnologia que tem se traduzido em um importante aumento no número de publicações indexadas e formação de doutores.

Como bem sabemos nem tudo são flores, e desta forma temas que já foram discutidos aqui no SBlogI como as questões relativas ao baixo impacto em termos de citações das publicações brasileiras e a baixa taxa de inovação, refletido pelo baixíssimo número de patentes internacionais depositadas e o distanciamento da ciência com o setor industrial são questões prementes. Problemas ainda não resolvidos em relação a demora e dificuldade de importação de reagentes e equipamentos científicos são questões abordadas. Além dos problemas estruturais que temos em relação à grande desigualdade regional e a baixa qualidade da educação básica e do ensino técnico.

Muitas dessas questões começam a ser encaradas seriamente e algumas das iniciativas correntes no sentido de atacar os problemas são também discutidas. Para resolvermos estes problemas é necessário investimentos de forma contínua e crescente ao longo dos anos, aliados a planejamento e avaliação; não há atalhos para uma política séria em C&T.

Sem dúvida avançamos muito nessa última década, mas temos ainda um longo caminho a trilhar. Vale a leitura e a reflexão.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Tolerância imunológica e intrigante

Matéria publicada pela Agência FAPESP
"6/12/2010
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Em 1997, o gene AIRE (“regulador autoimune”, em inglês) foi identificado como responsável pela suscetibilidade a uma rara doença. Desde então, novos estudos têm revelado evidências de que o gene está profundamente envolvido com um mecanismo fundamental para as doenças autoimunes em geral: a tolerância imunológica.
De acordo com uma das principais especialistas no assunto em todo o mundo, Diane Mathis, da Escola de Medicina da Universidade Harvard (Estados Unidos), a descoberta mais recente sobre o gene AIRE é intrigante: o gene é expresso ao longo de toda a vida, mas só causa a doença caso não seja expresso logo após o nascimento.
“Fizemos uma linhagem especial de camundongos nos quais podemos ‘ligar’ e ‘desligar’ o gene. Descobrimos, para nossa grande surpresa, que o AIRE precisa ser expresso apenas por um curto período de tempo após o nascimento – se isso não ocorrer, o animal pode ter doenças autoimunes. Mas se o gene é ‘desligado’ mais tarde, não faz diferença alguma”, disse à Agência FAPESP.
A descoberta foi feita em 2009 e os especialistas ainda estão tentando conhecer a diferença entre a expressão precoce e a expressão tardia do gene.
“Isso foi muito surpreendente e queremos descobrir por que o gene continua sendo expresso ao longo da vida, sem no entanto influenciar no aparecimento das doenças autoimunes. Estudar esse mecanismo será fundamental para compreender de fato a função do AIRE – que, por sua vez, poderá ensinar muito sobre mecanismos importantíssimos de tolerância imunológica”, explicou.
Diane esteve em São Paulo na semana passada, quando participou da São Paulo Advanced School on Primary Immunodeficiencies: Unraveling Human Immuno-Physiology, que reuniu, no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, 77 estudantes brasileiros e estrangeiros envolvidos com pesquisas relacionadas às imunodeficiências primárias."

Veja a matéria completa (aqui).

domingo, 5 de dezembro de 2010

Novos testes do baú do Nelson


Muita gente acertou que o Prof. Momtchilo Russo aparecia na foto do post 

Concurso História da SBINinguem solicitou emissão do certificado.

Novo teste de conhecimento de personagens da imunologia brasileira.
Identifique os professores que aparecem nas fotos acima e abaixo.


sábado, 4 de dezembro de 2010

Oportunidades de fomento


Leaders International Health Program Edmundo Granda Ugalde 2011
The Leaders International Health Program Edmundo Granda Ugalde 2011 encompasses nine months, launching in March in the participant's country under the guidance of the Program Coordination and the PAHO/WHO Country Office. During this initial phase, participants engage in different activities, discussions and visits related to the principal health and development challenges facing the country and the region as well as the main actors involved in the same, and begin to define a project to be developed later in-country in coordination with PAHO/WHO, government and other authorities.

Participants subsequently attend a two-week intensive training in international health in a country of the region, after which they return to their countries where they can continue to function in their normal employment capacity on a part-time basis if needed, while devoting a minimum of 50% of their working hours to the Program. They engage in a program of work and learning opportunities involving PAHO/WHO and other relevant local actors in international health, including country-based offices of the United Nations and other multilateral and bilateral agencies, sub-regional entities, non-governmental organizations and academic institutions
Data Limite: The applications should be submitted to the PAHO/WHO Brazil Office until 16 December 2010Home Page: http://new.paho.org/hq/index.php?option=com_content&task=view&id=2633&Itemid=3489

NIH Clinical Trial Planning Grant Program (R34)
This Funding Opportunity Announcement (FOA) invites applications under the NIH Clinical Trial Planning Grant Program (R34), the purpose of which is to provide support for the development of a Phase III clinical trial. This includes the establishment of the research team, the development of tools for data management and oversight of the research, the definition of recruitment strategies, and the finalization of the protocol and other essential elements of the study included in a manual of operations/procedures (MOP). The Clinical Trial Planning Grant is not designed for the collection of preliminary data or the conduct of pilot studies to support the rationale for a clinical trial. 
Data Limite: New Applications Submission Date(s): Feb 16, June 16, and Oct 16; AIDS and AIDS-Related Applications: Jan 7, May 7 and Sept 7. Expiration Date: May 8, 2012.

Pasteur - Paris University International Doctoral Program
The Pasteur - Paris University Doctoral Program offers cutting edge training in a large variety of topics covering Molecular and Cellular Biology, Genetics, Immunology, Microbiology, Genomics, Bioinformatics, Structural Biology, Enzymology and Metabolism, Biological Chemistry, Virology, Parasitology, Medical Mycology, Epidemiology, Infectiology, Imaging, Neurosciences, Developmental Biology and Systems Biology.

Students will conduct their research in one of the 120 laboratories of the Institut Pasteur. They will be immersed in an exciting, dynamic and interactive research environment that includes access to a large variety of core facilities with state-of-the art equipment. 

Students will extend their knowledge by attending specialized courses and will benefit from a vast seminar program that attracts major speakers from all over the world. At the end of their studies, students will defend their PhD according to European guidelines.
Data Limite: The deadline is December 15th.


BBSRC International Scientific Interchange Scheme (ISIS)
The Biotechnology and Biological Sciences Research Council (BBSRC) is the UK’s principal funder of basic and strategic biological research. To deliver its mission, BBSRC supports research and research training in universities and research centres throughout the UK, including BBSRC -sponsored institutes; and promotes knowledge transfer from research to applications in business, industry and policy, and public engagement in the biosciences.
BBSRC's International Scientific Interchange Scheme (ISIS) provides support to help scientists add an international dimension to their BBSRC funded research by making and establishing new contacts with international counterparts.
Data Limite: There is no deadline for applications to ISIS; however it is required a minimum of six weeks to process applications. Home Page: http://www.bbsrc.ac.uk/science/international/isis.html

Embryonic Stem Cells as a Model System for Embryonic Development - Latin American Course and Workshop 2011 (3rd Edition)
The British Consulate General in São Paulo, in partnership with the MRC Centre for Regenerative and the Institute for Stem Cell Research at Edinburgh University, the Wellcome Trust Center for Stem Cell Research at Cambridge University and the Autonomous University of Mexico promotes the 3rd Latin America Course and Workshop embrionic Stem Cells as a Model System for Embryonic Development.

"Embryonic Stem (ES) Cells as a Model System for Embryonic Development" is an evolving program based around an intense educational course with both practical training and lectures from key experts in the field. The 2011 version of the course will be held in Cuernavaca, Mexico, with outreach activities and symposium taking place in Mexico City (27th February to 17th March). The program aims to gather the experts on Stem Cell research and the application of Stem Cell research to basic developmental biology with scientists from throughout 
Latin America.
Data Limite: Closing date for applications is 15th December. Home Page http://www.escellslatinamerica.org/index.php?p=conteudo&id=3


Fomento e Infraestrutura em P&D
Coordenação de Pesquisas -Vice-Diretoria de Pesquisas e Desenvolvimento Tecnológico
Fiocruz Bahia

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Seminários de Imunologia Online


Pessoal, para quem não sabe, o NIH disponibiliza no site os seminários do Immunology Interest Group-IIG, dentre outros. Podemos ter acesso ao “Today's Events”, que acontecem na quarta-feira a tarde, e ainda aos “Past Events”.

Para um ótimo começo, recomendo que vocês assistam o seminário da Dra. Dragana Jankovic: Induction and Regulation of T Helper Effector Responses in Parasitic Infection. Dra. Dragana é uma excelente cientista que tem aplicado seu talento e esforços no entendimento de como as funções efetoras, principalmente reguladoras, acontecem durante infecções parasitarias. De fato, seu trabalho reflete sua fascinação com a importante e sofisticada habilidade dos parasitos induzirem diferentes tipos de respostas imunes, e serem capazes de modificar esta resposta em beneficio próprio, prevenindo o desenvolvimento de respostas protetoras e manipulando respostas regulatórias para o estabelecimento de infecções crônicas.

Nas suas abordagens, Dragana utiliza principalmente Toxoplasma gondii e Schistossoma mansoni– parasitos capazes de fortemente polarizar, respectivamente, respostas de células T do tipo 1 e 2. Nestes modelos experimentais, a pesquisadora descreveu conceitos imunológicos fundamentas, como por exemplo: i) a capacidade de se gerar robusta resposta de células Th2 sem a necessidade de sinalização através do receptor de IL-4; ii) que células T produtoras de IL-10 podem ser geradas de células Th1 (T-bet+Foxp3-IFNgama+), como parte da resposta efetora a patógenos intracelulares; ii) Omega-1, um componente solúvel de ovos do S. mansoni, é o principal responsável pela indução de atividade Th2 no parasito, e tem a habilidade de limitar a interação de células T CD4 com células dendríticas, diminuindo portanto a intensidade da ativação destas últimas.

Aqui está o link para os seminários do IIG: http://videocast.nih.gov/

Abraço e divirtam-se!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ROS mitocondrial e ativação do inflamassoma de NLRP3

Em um trabalho que será publicado este mês na revista Nature o grupo do Tschopp demonstra o papel do estresse oxidativo mitocondrial na ativação do inflamassoma dependente de NLRP3 (Zhou ET AL. doi:10.1038/nature09663). Ao longo dos últimos anos se demonstrou que estímulos variados e em princípio não relacionados são capazes de ativar o inflamassoma de NLRP3, incluindo infecção e alterações metabólicas. Há uma grande controvérsia sobre os mecanismos envolvidos nessa ativação. Alguns grupos, incluindo o do Tschopp, demonstraram um papel essencial de espécies reativas de oxigênio (ROS) produzidas por NADPH oxidases neste fenômeno, o que não foi plenamente confirmado utilizando-se macrófagos deficientes de NOX1, NOX2 e NOX4. De fato, um estudo recentemente publicado na revista Blood sugere que pacientes com Doença Granulomatosa Crônica (deficientes de NOX2) surpreendentemente apresentam maior ativação de NLRP3, Caspase1 e geração de IL-1b (Meissner ET AL., Blood. 2010;116:1570–1573). O papel de ROS mitocondrial na ativação de NLRP3 pode conciliar alguns desses achados da literatura. Neste trabalho os autores observaram que a inibição dos complexos I e III mitocondriais, que gera grandes quantidades de ROS pela mitocôndria, provocou a ativação do inflamassoma de NLRP3. A inibição da autofagia mitocondrial (mitofagia), que resulta na presença prolongada de mitocôndrias danificadas e geradoras de mais ROS, levou a ativação espontânea deste inflamassoma. Durante a ativação do inflamassioma de NLRP3, tanto NLRP3 quanto a molécula adaptadora ASC colocalizaram na mitocôndria. Finalmente a inibição ou deficiência dos canais iônicos mitocôndrias VDAC inibiram a ativação do inflamassoma de NLRP3 mas não de AIM2 ou IPAF. Este estudo adiciona a literatura achados demonstrando o papel da disfunção mitocondrial com geração de ROS em doenças inflamatórias. Os dados deste trabalho sugerem ainda uma associação entre apoptose e inflamação tendo a mitocôndria como ponto de convergência.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Foxp3 dançando conforme a música

As células T reguladoras (Treg) desempenham importante papel na tolerância e homeostase imunológica. Um dos mais bem caracterizados marcadores das células Treg é o fator de transcrição Foxp3, o qual controla o desenvolvimento e função dessas células. O Foxp3 interage com o fator de transcrição NFAT impedindo a interação NFAT-AP-1. Uma falha nesta interação interrompe o aumento da expressão de CTLA4 e CD25, dessa maneira NFAT é considerado um regulador positivo da função das Treg (Wu et al., 2006). No entanto, pouco se conhece a respeito de proteínas que regulam negativamente a função dessas células.

Recentemente um elegante trabalho de Liu et al mostra que PIAS restringe a diferenciação de células T reguladoras naturais em um mecanismo dependente de repressão epigenética. A proteína PIAS ("protein inhibitor of the activated signal") é fosforilada e se liga à cromatina quando ocorre a ativação da cascata de sinalização mediada pelo TCR. No trabalho de Liu et al, eles observaram um aumento de CD4+Foxp3+ Treg naturais no baço e timo dos camundongos deficientes para PIAS. Além disso, camundongos PIAS-/- são mais susceptíveis ao desenvolvimento da encefalite autoimune experimental (EAE), apresentam quantidades reduzidas de IFN-γ e IL-17 e grande produção de TGF-β. Em ensaio de imunoprecipitação de cromatina foi observado que PIAS liga-se ao promotor do Foxp3 e nos camundongos PIAS-/- ocorreu uma drástica diminuição da metilação do DNA nas regiões genômicas que controlam e direcionam a expressão gênica do Foxp3. Isso foi importante para a maior acessibilidade à cromatina da região promotora do Foxp3 em células deficientes para PIAS. Dessa maneira, os animais PIAS-/- apresentam maiores quantidades de NFAT e Treg.

Então se pode sugerir que, de acordo com o estado conformacional da região promotora de alguns genes, podemos ter uma repressão ou ativação de funções celulares. São os genes dançando conforme a música. Será que um dia teremos um total controle da regulação gênica?

Post de Grace Kelly da Silva. Laboratório de Imunoparasitologia. FMRP-USP.

Referências

- Liu, et al., Science. 521-525. (2010). The Ligase PIAS1 Restricts NaturalRegulatory T Cell Differentiation by Epigenetic Repression

- Y. Wu et al., Cell 126, 375 (2006). NFAT Binding and Regulation of T Cell Activation by the Cytoplasmatic Scaffolding Homer Proteins

O Ataque dos Mosquitos Trangênicos













Ilha Grande Cayman


Cientistas vêm debatendo há décadas a possibilidade de liberar mosquitos transgênicos estéreis no meio ambiente como medida de contenção de vetores de doenças como dengue, febre amarela e malaria. Essa proposta é semelhante à técnica do inseto estéril (em que insetos machos são esterilizados por radiação), que vem sendo usada com bastante sucesso para controlar pragas como a mosca varejeira aqui nos EUA. Mas dado o receio de grande parte da população quanto à liberação de organismos geneticamente modificados (OGMs) no meio ambiente, a opinião da maioria dos cientistas da área é a de que qualquer proposta de uso dessa técnica deve ser precedida de extensos estudos de impacto ambiental e debates com a população.


Mas parece que nem todo mundo na ciência é tão cauteloso – veio à tona recentemente a notícia de que uma companhia inglesa de biotecnologia, a Oxitec, liberou no ano passado uma grande quantidade de mosquitos Aedes aegypti transgênicos na ilha Grande Cayman, no Caribe. Esses mosquitos carregam um transgene que é letal na fase larval do mosquito, mas somente na ausência de tetraciclina. Portanto, larvas criadas no laboratório na presença do antibiótico sobrevivem, mas os descendentes dos machos liberados no ambiente, não.


E parece que o primeiro teste foi bastante positivo – a liberação de uma grande quantidade de machos na cidade de East End (10 machos transgênicos para cada macho “endógeno”) foi capaz de reduzir a população de mosquitos no local em cerca de 80%.


Mas apesar do sucesso desse primeiro teste, a notícia parece não estar sendo bem recebida pela comunidade científica que trabalha na área. A grande crítica é que a divulgação em massa do “experimento” só foi feita mais de um ano depois do início dos testes (apesar de que a empresa garante que a população da ilha sabia). Segundo alguns cientistas, esse sigilo todo pode afetar a confiança da população nos OGMs, que já é bastante precária. Já outros cientistas acreditam que o efeito será justamente o contrário, ou seja, que o sucesso do estudo poderá ajudar a superar o medo dos trasngênicos que afeta grande parte da população.


E vc leitor, o que acha? Será que foi uma boa idéia?


Para saber mais:

http://www.sciencemag.org/content/330/6007/1030.citation

©SBI Sociedade Brasileira de Imunologia. Desenvolvido por: