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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sobremesa, vitaminas e sistema imune

Uberlândia (Parabéns aos estudantes pelo seu dia!) - Recentemente, estava navegando na internet e me deparei com uma deliciosa receita de sobremesa, com bananas grelhadas e calda de limão. Contudo, o que mais me chamou a atenção foi o texto relacionado a receita – esta sobremesa seria benéfica ao sistema imune, principalmente por conter a vitamina B5.

Fiquei intrigado pelo tema e resolvi procurar algumas informações relacionadas. Resumidamente, encontrei em minha breve busca que a vitamina B5 (ácido pantotênico) é essencial para a formação da Coenzima A que, conjugado a um grupo acetil (Acetil-CoA), tem a propriedade de aumentar os níveis intracelulares de glutationa, que por sua vez protege as células do estresse oxidativo. Também vincula-se a coenzima A a produção de anticorpos.

Essa leitura me deixou a impressão que os imunologistas de países em desenvolvimento deveriam investir mais em estudos relacionados a nutrição e imunidade. Trata-se de uma forma eficaz e acessível de manutenção da sanidade populacional e prevenção de doenças, sendo facilmente revertido para a população por meio de programas educacionais.

E você, caro blogueiro, qual a sua opinião?

PS.: A receita segue abaixo, para aqueles que ficaram curiosos.


Bananas Grelhadas com Calda de Limão
- 115 g de açúcar cristal
- as raspas e o suco de 2 limões
- 100 ml de água
- 4 bananas cortadas em
fatias grossas

Preparo: Coloque metade do açúcar numa panela com água, o suco de limão e as raspas. Deixe ferver, diminua o fogo e apure por 10 minutos, até que encorpe. Disponha as bananas sobre papel-alumínio, polvilhe-as com o resto do açúcar e grelhe, virando-as de vez em quando, até dourarem e ficarem tenras. Cubra com a calda e sirva. Rende 2 porções.

Fontes:

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Levantamento inicial e incompleto dos camundongos existentes no Brasil

Caros amigos,

Todos que algum dia fizemos uma importação de camundongos sabemos das dificuldades hercúleas de vencer a burocracia. Acredito que seja fundamental termos o conhecimento dos animais já existentes nos biotérios de nossas instituições e no futuro termos um banco de embriões. Aqui vai uma primeira lista de camundongos existentes na USP-SP, UFRJ e FIOCRUZ-RJ. Assim que eu tiver mais informações incluirei nesta lista. Conto com a participação de todos para completarmos este levantamento.

Linhagens na USP

1. Balb/c
2. C57Bl/6
3. A/Sn (I. Butantã/Biotério Central)
4. A/J
5. CBA/J
6. C3H/HeJ
7. C3H/HePas
8. DBA/2 (Biotério-Depto.de Parasitologia/ICB)
9. NZW
10. NZB(Dr. Osvaldo Santana/I. Butantã)
11. B10.A
12. 129/J
13. Balb.xid (Unifesp /CEDEME)
14. Balb/c nude
15. C57Bl/6 nude
16. B10RIII
17. 129SvWT
18. Balb/c IL – 4 KO
19. Balb/c DO11 KO
20. C57Bl/6 IL – 4 KO
21. C57Bl/6 IL – 10 KO
22. C57Bl/6 IL – 12 KO
23. C57Bl/6 INFG KO
24. C57Bl/6 INOS KO
25. C57Bl/6 CD4 KO
26. C57Bl/6 CD8 KO
27. C57Bl/6 CD28 KO
28. Balb/c scid
29. C57Bl/6 scid
30. B6IL10IL12 (duplo KO)
31. B6IL12INFg (duplo KO)
32. 129SvPKR KO
33. 129SvABR KO
34. 129Sv IRF KO
35. 129 Sv GR KO
36. C57Bl/6 IFNg-r
37. C567Bl/6 CD14 KO
38. C57Bl/10 ScCr KO
39. C57Bl/6 TLR2 KO
40. C57Bl/6 MYD88 KO
41. C57Bl/6 CD1
42. RAG1 -/-
43. XPC (Microbiologia/ICB/USP/Prof.Menck)
44. XPA (Microbiologia/ICB/USP/Prof.Menck)
45. TLR-4
46. 129SvE
47. APO E
48. ALOX 5
49. mg Δ neolox P (Profa. Lygia Pereira-IB/USP)
50. FVB-GFP (Profa. Mariz Vainzof-IB/USP)


Linhagens na UFRJ
1. Balb/c
2. C57Bl/6
3. 129/Sv
4. Mif KO Balb/c
5. Mif KO C57Bl/6
6. Tlr2 KO C57Bl/6
7. Tlr4 KO C57Bl/6
8. IFN RI 129/Sv
9. CCCR2 KO C57Bl/6
10. CCR4 KO C57Bl/6
11. 5LO KO 129/Sv


Linhagens na FIOCRUZ-RJ
1. NIH
2. Swiss Webster
3. BALB/cAn
4. BALB/c An -BM
5. BP2
6. CBA
7. C3H/He
8. C3H/HeJ
9. C57BL/6
10. C57BL/10
11. DBA/1
12. DBA/2
13. NOD
14. 129S2/SvPas
15. 129S6/SvEv
16. NZB
17. NZW
18. SJL
19. B6D2F1
20. WBB6F1/J-KitWKitW-v
21. NZBWF1/J
22. B6.129
23. CWE
24. B6.SJL-Ptprca
25. B6.129-Pfp
26. B6.129P2-Ccr5
27. B6.129P2-Tnfrs1a
28. B6.129 - Cd28
29. B6.129 - P2 -Ccl3
30. B6.129 P2 Il10
31. B6.129P2-Nos2
32. B6.129 S1 -Il12b
33. B6.129 - Cd8a
34. B6.129S2-Lgals 3
35. B6.129S7 -Ifng
36. B6.129S7 -Prpn
37. BALB/c - Lgals 3
38. BALB/c - II4
39. 129S2/SvPas-Alox5
40. 129S6/SvEvTac-Was
41. B6.129S5-Ccr4
42. B6.129S6-Cd1
43. B6.129S6-Cd11d
44. B6.129P2-Ccr2
45. B6.129P2-Tlr6
46. B6.129S7-Rag1
47. BALB/c-Anx1
48. BALB/c-Was
49. C.129P2(B6)-Ptafr
50. C.129S4(B6)-Mif
51. C.Cg-Gata1
52. NOD.129S7(B6)-Rag1
53. C.Cg-Tg(DO11.10)10Dlo
54. BALB/c CrSlc -TgN (TNPIgE) 1602 Rin
55. B6.129 -Prpn-TgN(Prpn)a 20 Cwe
56. C57BL/6-TgN(APRIL)3919Mh
57. C57BL/6-TgN(CAG-EGFP)C14-Y01-FM131Osb
58. C57BL/10ScSn-Dmdmdx/J
59. C.B-17-PrkdcScid
60. C.Cg-Foxn1nu

sábado, 7 de agosto de 2010

Camundongos Transgênicos Produzidos no Brasil?

Desde maio algumas noticias vêem sendo veiculadas sobre a implementação de uma “fabrica de camundongos transgênicos” no Brasil. O link abaixo traz algumas questões sobre como funcionará este laboratório nacional e de que forma grupos de pesquisa no Brasil poderiam encomendar a produção de camundongos nocaute de seu interesse sem a necessidade e a demora dos tramites de importação/exportação. Difícil de acreditar? Segundo a matéria ainda estão sendo discutidos os desdobramentos políticos necessários e os entraves jurídicos que estão retardando a realização desse projeto. Porém uma verba significativa foi pré aprovada e entusiasmo por parte dos coordenadores do projeto é o que não falta. Será que dá para acreditar ou parece promessa de campanha em ano eleitoral?

http://cosmo.uol.com.br/institucionais/cenario_xxi/mostra_noticia.php?url=\noticias\2010\05\14\53377.php

Por Jonilson Berlink Lima, Doutorando, FMRP/USP.

Prêmio no Congresso da SBI em Porto Alegre

Durante o XXXV Congresso da SBI (Porto Alegre, 3 a 6 de novembro de 2010) serão concedidas duas modalidades de prêmio:

Prêmio Beckton Dickinson para projetos de imunologia
Pela primeira vez em um congresso da SBI a BD estará premiando três projetos de pesquisa que utilizem citometria de fluxo com 20 mil reais... + Mais

Prêmio Thereza Liberman Kipnis oferecido pela LFB
A LFB é uma empresa francesa que tradicionalmente apóia e premia trabalhos de imunologia terapêutica, com cunho translacional. Neste XXXV congresso da SBI a LFB está oferecendo um prêmio de 10 mil reais... + Mais

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Uma vez asmático, sempre asmático


Estima-se que a asma acomete entre 20% a 30% de nós brasileiros, sendo a terceira causa de hospitalização, com cerca de 370 mil internações ao ano, segundo o SUS.

Estudos em modelos experimentais e em humanos tem descrito genes associados com doenças atópicas, como por exemplo TIM1 (T cell, immunoglobulin, mucin receptor molecule 1). Este gene codifica uma proteína de membrana que é expressa por células T quando estas são ativadas. Conseqüentemente, estas células, linfócitos Th2, promovem um tipo de processo inflamatório que é a base patológica da asma. Sonar e colaboradores então (doi: 10.1172/JCI39543) desenvolveram anticorpos anti-TIM1, com a finalidade de bloquear a ligação das células T que o expressa com células dendríticas. Com este bloqueio, utilizando camundongo SCID humanizados, os pesquisadores conseguiram com sucesso diminuir a inflamação e consequentemente a hiper-reatividade das vias aéreas destes animais. O efeito do tratamento protetor e terapêutico, como demonstrado pela pesquisa, é decorrente do bloqueio da interação entre células dendríticas e linfócitos Th2, diminuindo substancialmente a proliferação e produção de citocinas por estas.

Como TIM1 apresenta vários sítios de ligação, e anticorpos podem ser desenvolvidos para cada um deles, seria ideal que o bloqueio de um deles conferisse regulação do sistema imune de maneira a não comprometer suas demais funções. Quem sabe futuramente bombinhas de TIM1 não estejam disponíveis comercialmente. Eu particularmente adoro esta família de proteínas!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Th9/IL-9: dúvidas ou esclarecimentos?




Desde a descoberta da IL-9, alguns aspectos sobre a sua função e sobre as células que a produzem vêm sendo esclarecidos, porém, junto com os esclarecimentos, também surgem muitas questões e quanto mais subtipos celulares produtores de IL-9 são descobertos, mais difícil de compreender o papel desta citocina nas respostas imunológicas.
A IL-9 foi originalmente descrita como uma citocina derivada de células do tipo Th2, estando envolvida na inflamação alérgica e na resposta a helmintos. Contudo, embora muitos trabalhos mostrem sua participação na patologia e inflamação “Th2-like”, tem se tornado cada vez mais evidente que sua regulação e sua biologia são diferentes das outras citocinas Th2, como IL-4, IL-5 e IL-13.
Dados mais recentes mostram que células T produtoras de IL-9 são distintas da linhagem Th2 convencional, sendo Th9 um nome cogitado para tais células. Um trabalho do grupo de Stockinger (Nature Immunology, 2008, 9; 1341) mostrou que TGF-β, uma citocina que influencia o destino no desenvolvimento de Th17 e Treg, também é crucial na reprogramação de Th2 para o fenótipo Th9, e a deficiência na resposta ao TGF-β compromete a imunidade contra helmintos e elimina a produção de IL-9. Assim, na presença de IL-4, a célula TCD4+ se diferencia em célula Th2, enquanto na presença de TGF-β e IL-4, esta célula se diferencia em Th9.
Além disso, recentemente foi demonstrado que a IL-9 é regulada por mecanismos diferentes daqueles que regulam IL-4, IL-13 e IL-5 (Nature Immunology, 2010, 11; 250). Foi demonstrado que IL-4 estimula as células Th9, assim como as Th2, a expressarem IL-17RB, o receptor da IL-25, e que o tratamento de células Th9 com esta citocina aumenta ainda mais a produção de IL-9. A deficiência de IL-25 resulta em uma redução de IL-9 e atenua as respostas alérgicas, estabelecendo assim, uma função para a IL-25 como reguladora da expressão de IL-9.
Assim, a descrição de uma população de células T secretoras de IL-9 adicionou mais complexidade ao entendimento dos diferentes fenótipos de células T CD4+ efetoras. Um fator que impedia esta população de ser chamada de “linhagem” era a ausência de um fator de transcrição específico. Porém, um trabalho recente publicado na Nature Immunology (Nature Immunology, 2010, 11; 527) identificou o PU.1 como o fator de transcrição que induz o fenótipo Th9 tanto por previnir a produção de citocinas do tipo Th2 como por induzir a produção de IL-9.
Agora nos parece que a expressão e a função da IL-9 estão um pouco mais esclarecidas, certo?
Na verdade parece que em se tratando de diferenciação de subtipos de células T CD4+, nada é tão simples. Já foi demonstrado que células Th17 produzem grandes quantidades de IL-9 e que esta atua tanto nas células Th17 como nas Treg (PNAS, 2009, 106; 12885). Na presença de TGF-β, a IL-9 diferencia células T CD4+ naives em células Th17 e, de forma estranha, IL-9 também atua aumentando a função supressora das Treg in vitro e in vivo, o que sugere que a biologia da IL-9 é muito mais complexa do que se pensa.
Além disso, algumas questões fundamentais ainda permanecem sem resposta: qual a função da IL-9 na inflamação alérgica? A importância das Th2 em tal resposta já é bem estabelecida, mas a presença de TGF-β no microambiente pulmonar “expulsaria” as atividades da IL-4, IL-5 e IL-13 e “convidaria” a IL-9 a participar do processo? Quais as consequências da troca de subtipo celular na resolução ou progressão da inflamação no pulmão? Será que as células Th9 são realmente um subtipo celular distinto ou simplesmente um passo final na diferenciação de células Th2?


Renata Sesti Costa (Pós- Doutoranda)
Pós-Graduação em Imunologia Básica e Aplicada – FMRP, USP.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

HIV na África do Sul


Medicina tradicional no Mai-Mai Market


JOHANNESBURGO – de férias na África do Sul, fui no famoso Mai-Mai Market, um mercado de curandeiros no centro da cidade. Conversando com uma curandeira local, com o corpo inteiro pintado de cor de terra, descobri que lá eles “curam de tudo, menos HIV”.

O que me fez pensar que nunca é demais lembrar algumas estatísticas sobre o estado do HIV na África do sul, o país com o maior número de infectados:

- Apesar de relativamente rico (especialmente se comparado com os países vizinhos), a África do Sul tem uma das maiores prevalências de HIV no mundo - 16.9% da população de 15 a 49 anos (chegando a quase 30% da população entre 30 e 34 anos)

- Estima-se que 5.7 milhões de Sul-Africanos eram HIV-positivas em 2009, e que 250 mil morreram de AIDS em 2008.

- 30.2% das mulheres testadas em clínicas de atenção pré-natal são HIV-positivas, e 70 mil crianças nascem com HIV todos os anos.

- Apesar de ter o maior programa de acesso a antirretrovirais do mundo, apenas 28% da população que necessita de tratamento o recebe. Isso se deve em parte ao chamado “HIV denialism”, a crença de que o HIV não é a causa da AIDS, muito comum inclusive entre os políticos daqui. A situação em termos de tratamento é ainda pior nos vizinhos mais pobres da África do Sul, mostrando o quanto seria importante desenvolvermos uma vacina efetiva.

Como imunologistas, acho essencial que nao esqueçamos tais estatísticas, e que lembremos que, apesar de estarmos em uma posição privilegiada em se tratando de estudar a infecção pelo HIV, na prática a imunologia tem contribuido relativamente pouco para encontrar soluções para esse mal.

Ou seja, mãos à obra que o desafio é imenso.


(As estatísticas acima, além de muitas outras, estão disponíveis no site http://www.avert.org/aidssouthafrica.htm)

Prêmios no Congresso da SBI


Durante o XXXV Congresso da SBI (Porto Alegre, 3 a 6 de novembro de 2010) serão concedidas duas modalidades de prêmio:

Prêmio Beckton Dickinson para projetos de imunologia
Pela primeira vez em um congresso da SBI a BD estará premiando três projetos de pesquisa que utilizem citometria de fluxo com 20 mil reais... + Mais

Prêmio Thereza Liberman Kipnis oferecido pela LFB
A LFB é uma empresa francesa que tradicionalmente apóia e premia trabalhos de imunologia terapêutica, com cunho translacional. Neste XXXV congresso da SBI a LFB está oferecendo um prêmio de 10 mil reais... + Mais

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Frontiers in Cellular and Infection Microbiology





Será lançado em breve Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, um novo fórum para publicação de resultados referentes a estudos com interação patógeno-hospedeiro. Enfocado em investigações com cunho molecular, bioquímico, celular e/ou imunológico, a nova publicação é parte da Frontiers, que recentemente vem crescendo norteada pelos princípios de ciência “de pesquisadores para pesquisadores”.

Eu sou bastante favorável a idéia: é questionável que tenhamos que pagar “page charges” e entregar o “copyright” dos nossos artigos --que no Brasil é geralmente fundeado por dinheiro público-- para editoras, que não fazem parte de sociedades cientificas, e que posteriormente restringem o acesso dos artigos ao leitor.

Nesse sentido, o princípio de “author pay / open access”, que garante o acesso universal dos artigos, vem se mostrando um modelo funcional e eficiente. Basta ver os impressionantes índices de impacto de revistas como as da PLoS. Inclusive a PLoS ONE, que foi bastante criticada pelas grandes editoras.

De acordo com o critério de avaliação da Fronties, um artigo somente pode ser rejeitado em caso de: 1) baixa qualidade de estilo/redação; 2) problemas conceituais na metodologia e objetivos experimentais; 3) falha em critérios éticos como experimentação com animais, etc.

Com isso, periódicos como esse possibilitam a publicação de qualquer artigo com qualidade e originalidade cientifica. Os mais conservadores diriam: “- ora, assim fica fácil e qualquer um poderia publicar”. Sim, e o artigo não será julgado por “onde ele foi publicado”, mas sim pelo impacto dele na comunidade: número de citações, número de acessos e comentários que os leitores deixam no site.
Conforme a proposta: "de pesquisadores para pesquisadores". Concordam?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Cientista busca “vacina” contra estresse

Quando vi a chamada para uma reportagem sobre uma vacina contra estresse, na capa da edição deste mês da revista Wired, não resisti e fui logo ver de quem o jornalista estava falando. Logo pensei: vacina contra estresse?

Vacina não, mas tratamento vaccinelike, sim. Usando terapia gênica, Robert Sapolsky, pesquisador da Universidade de Stanford, traçou um ambicioso objetivo: desenvolver um tratamento profilático contra estresse crônico.

De-stressing Image, Cortesia Jools Gowans (Flickr).

Estresse tem sido relacionado não só ao aumento de susceptibilidade a gripes comuns, mas principalmente ao agravamento de uma série de doenças, como Alzheimer, desordens depressivas, ataque cardíaco, diabetes, e por aí vai. Sapolsky defende que é preciso superar a fase de tratar os efeitos colaterais do estresse e passar a atacar o problema diretamente no cérebro. O alvo? Glicocorticoides, hormônios liberados durante a resposta ao estresse. Sabemos que tais hormônios nos deixam em estado de alerta, aumentam rapidamente os níveis de glicose no sangue e conseguimos, assim, “fugir rapidamente do caçador”, reagir a uma situação de perigo. Os imunologistas bem sabem também que os glicocorticóides são potentes imunosupressores. No entanto, a liberação crônica de glicocorticóides na corrente sanguínea tem efeitos tóxicos, principalmente no cérebro: decréscimo da neurogênese, dendritos encolhem.

Segundo a reportagem, Sapolsky começou a pensar em tal tratamento em 1992, no auge do otimismo com a terapia gênica. Agora, o seu tratamento envolve um coquetel de moléculas carreadas por vírus da herpes (Bcl-2, anti-apoptótico; SK2, canal de potássio ativado por cálcio; 11-beta-hydroxysteroide desidrogenase, enzima que degrada glicocorticóides; entre outras) e aplicadas diretamente no cérebro de ratos. O tratamento diminui o dano cerebral causado pelo estresse, e diminui a ansiedade. Tudo por enquanto foi testado apenas em ratos. O pesquisador deixa claro que a terapia ainda está longe de ajudar pacientes. Mas será que um dia “vacinas” contra estresse farão parte do calendário oficial de vacinação?

Vale a leitura da reportagem não só pelos conselhos para reduzir o estresse – baseados em dados científicos -, mas também para saber um pouco mais sobre a vida deste interessante cientista, que começou estudando o comportamento de babuínos na África e observou o quanto o nível de estresse é dependente do status social. É o estresse determinado pela hierarquia social. Veja também um trecho do vídeo produzido sobre ele pela National Geographic.
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