Colegas,
segue entrevista realizada no mês de março com o Prof. Manoel Barral Neto, sobre o Programa Ciência Sem Fronteiras (CsF).
Parte1:
Parte 2:
Abraços, Tiago.
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Atualizando:
Agora com os links corretos para as duas partes.
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sexta-feira, 5 de abril de 2013
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Volto sim
Quarta
Depois de um pequeno almoço que durou 2 horas com direito a um replay da sopa de escorpião, e a um passarinho russo que parecia embrião de dinossauro (pego na completa ilegalidade), saimos, eu e meu colega Huabao Xiong, para estação do trem laser. Laser, porque bala era o trem que se fazia antigamente. A estação de trem de Guangzhou escancarou na minha cara que os gringos estao ferrados por esses caras. Tá certo que tem gente acocorada no chão consertando coisa, mas a escala é tao fenomenal que dá pena. Penso nos trens americanos, anemicos, desconfortaveis e velhos, e vejo os caras botando pra quebrar com trens que parecem terem sido feitos amanha. E não é so um não. São muitos, muitos, a 330 km/hora. Fonte de orgulho pros caras. Tava fazendo um filme da estação com meu telefone e um chines olhou pra mim e perguntou: big enough?
Na estrada uma arquitetura pirada. O trem sai na hora exata. Exata. Limpo, novo, resplandecente. As moças do trem são lindas. E delicadas. Parece um filme de antigamente sobre o futuro
E de novo a juventude faminta. No meu talk todo mundo estava de olho aberto, na beira da cadeira. Todo mundo prestava atenção. Agora no trem Huabao conversa com uma estudante. Da pra ela o numero da Newsweek com Steve Jobs na capa. Se entusiasma. Diz que fica feliz vendo os jovens famintos. Eles sabem que a vez é deles, e jogam a bola pra frente com um entusiasmo, com alegria. Riem com bocas perfeitas, são mais altos que os pais, falam ingles. Tem curiosidade pelo mundo. A vez é deles.
Quinta
Em Wuhan, a maior cidade do centro da China. O jet lag massacra. Tres da manha de pé, feito um teteu. O ar do hotel é irrespiravel. Smoking room, tentei mudar o quarto, não teve jeito. Do lado de fora o ar é grosso feito lama. Até as cores do neon funcionam na camera. Fotografo, não tenho o que fazer. A televisão não funciona. O ar é irrespiravel mesmo, que angustia. O motorista de taxi que nos trouxe aqui parecia um bandoleiro de filme de Wong Kar Wai. Durante o trajeto a mesma coisa, construção, construção, casa casa, gente gente. Soube ontem que vao abrir, de vez, esse ano 5 linhas de metro aqui em Wuhan. Eat your heart New York.
Trabalho no meu talk. Espio uma pessoa acordando, os predios são tão proximos. Gente, gente. Como sera meu dia? Tenho que mudar de quarto.
O dia, afinal, não foi tao ruim, apesar da sensacao constate de sufoco, garganta ardendo, olhos ardendo. Fui dar o talk as 8 e meia. Estudantes vieram me pegar e ao sair do hotel, bang, sensory overload. Mil gentes, muito barulho, carros que não param pra voce; cruzar a rua é aventura. Dei meu talk, falei demais. Certamente não foi bom. Depois o talk do host, que foi animado. Ele tem uma observacao interessante em microparticles. Ja imaginaram o nivel de dificuldade que isso vai criar pros esqueminhas, pras setinhas, e pras dicotomias que paralisam nossa pobre imunologia?
Saimos do hospital e Bo, nosso host, nos levou para um distrito de comida. Uma zona, lixo no chão, mil pessoas, muitas pessoas comendo na rua. Entramos num restaurante e ele ordenou varios andares de dumplings, e uma coisa meio gelatinosa. Eu, entre mortificado e curioso, decidi experimentar. Um dos dumplings esguichou na camera e na minha mao, fez uma nojeira na mesa. Insisti no dumpling, era bom, muito bom. Depois experimentei a geleia e pra minha surpresa era uma coisa totalmente delicada e doce, feita de flores e não de gordura animal como tinha pensado. Depois Bo trouxe uns noodles e um espetinho de rin-tin-tim. Não, não era cachorro, isso foi pra zonar, embora cachorro la seja o mesmo que gaiamum em Pernambuco O espetinho era muito bom. Conclusão: tem que experimentar. Umas coisas são espantosas, outras mais espantosas. Saimos, vimos algumas meninas bonitas e passamos por um lugar onde fedia, again, espantosamente. Huabao me disse que era tofu. Que fedia, mas que era muito bom. Vá ver...
Depois fomos andar de carro ao redor de um lago enorme, o maior lago em area urbana na China. E um alivio temporal da poluicao do cacete. Depois cruzamos o Yang-tse, aquele rio no qual Mao Tse-Tung nadou (atenção, se voces não sabem quem foi Mao, perguntem pro prof Fernando Cunha) e voltamos pro lab, depois pro hotel, onde troquei o quarto.
Sexta
Viajamos 5 horas de Wuhan para Shanghai. De novo a mesma estória. Estações gigantescas, dos dois lados. Depois de jantar fomos dar uma caminhada pela Bund e ver a skyline, que é espetacular. Numa hora me deu saudade entrei numa sorveteria e pedi um sorvete de manga. Me deram um negócio que parecia baunilha velha. Na volta pro hotel, tentei ler o blog da SBI. Pasmem, tava censurado. Deve ser por causa dos artigos bestas que escrevo.
Sabado/domingo
Acordei cedo e fui ver o povo fazendo taichi na Bund. Fotografei os velhinhos vestidos com pijamas de seda. Bonito. Fui visitar uns jardins muito bonitos onde o guia insistia em falar do conceito de harmonia na arquitetura, na cultura deles. Tudo muito certo, mas meio dificil de equacionar com o crescimento da mulesta dos cachorro que se ve por todos os lados... Fomos almoçar e saimos de la prum templo budista. Vi uns Budas lindissimos de jade. Fomos depois pruma livraria onde comprei uns livros muito bonitos sobre a China e o Tibet. No domingo fui ao museu de Shanghai. Gostei muito da ceramica, da escultura, e da caligrafia. Da pintura nunca fui grande fã. Depois fui andar pela rua, e a noite fazer um passeio de barco pelo rio; ficar tonto com os predios, com as luzes, e comprar uma copia do livro do acima mencionado Mao. O tal livrinho vermelho que na minha epoca era o troço mais radioativo que existia, e hoje e’ vendido como souvenir no barco, junto com carta de baralho com retratos da dupla sertaneja Marx e Engels. Falar nisso, onde foi parar a teoria da mais-valia?
Segunda
Acordei cedo pra variar. Fui pro hospital andando, vendo a cidade amanhecer. O Hospital de pulmão de Shanghai tem mais leitos que meu hospital em Nova Iorque. É um dos maiores centros de tuberculose da China, cobre tambem cancer, e foi sobre cancer e inflamação que falei la. Conversei com os cientistas e, fomos depois passear num parque antigo ao lado do hospital. Voltei pro hotel tirando mil fotos. Fiz um album das fotos das pessoas. Se tiverem tempo deem uma olhada.
Na volta outro banquete, muita simpatia e amizade. Muitos bottoms up. Ja meio grogue fiz um comentario sobre o livro vermelho e sobre os cães imperialistas, mas ninguem estava interessado em politica. Talvez essa tenha sido minha unica frustracao na viagem. Ninguem queria conversar sobre o passado, sobre o presente. Pra eles a China é futuro, ponto. Eu queria discutir os outros Brics, mas senti que na cabeca deles Russia e Brasil não computam como iguais. Os Brics, como na novela de Orwell, tem iguais e mais iguais. Os mais iguais, embora profundamente diferentes, vem de um outro macaco - como me disse recentemente um brasileiro filho de chineses. Os mais iguais são os indianos, que segundo os chineses, são muito quietos. Os chineses sabem que daqui a pouco a India vai ter mais gente que a China...Os indianos falam ingles e são educados. Não sei se sao melhores ou piores, só sei que respeito muito quem para o coracao meditando...
Fim de viagem, ja sinto saudade. Ano que vem volto. Quero conhecer Beijing e Xian. Quero ir pro Tibet.
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sergio lira
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